Acabei Serena, romance de Ian McEwan lançado “mundialmente” entre nós pela Companhia das Letras, como diz o selo colado à capa.

Ainda não saiu no inglês original no país do autor, certamente porque nós, emergentes dos BRICs, já temos muito mais livrarias do que a grande Buenos Aires; trocadilhando, imbricamos de vez no primeiro mundo da literatura; estamos lendo mais e melhor, não apenas os fenomenais Paulo Coelho com sua coalhada esotérica ou as aventuras de Harry Potter.

Serena é um livro menor diante de Reparação, Sábado ou mesmo do nada memorável Solar.

A corrida desembestada e, digamos, epistolar, que pega o leitor no final, depois de 200 e tantas páginas do mais fino tédio, não vale o ingresso.

A heroína, Serena Frome, é um personagem um tanto quadrado e irreal, uma mulher comum sem as dimensões que podem tornar a existência de um ser humano comum algo fascinante. Ela não é uma mulher (ficcional) de verdade.

E os namorados da moça, ainda mais, parecem figuras de papel ameaçadas por um banho de solvente, como em Uma Cilada para Roger Rabbit.

McEwan produziu um romance laboratorial, insensível e impotente sobre o espírito de qualquer época.

É uma história ensimesmada, por tratar da própria literatura e da carpintaria literária, como tantas tentativas mais ou menos iguais por aí.

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2 thoughts on “ “Serena”, bola fora de Ian McEwan ”

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