Muñoz Molina, não esqueça o nome

Munoz Molina
Reprodução Pancho/The New York Review of Books

É um prazer sempre renovado a leitura do escritor e jornalista espanhol Antonio Muñoz Molina, pela inteligência, articulação e fluidez do idioma que caracterizam seus textos. A companhia das Letras publicou parte de sua obra no Brasil (disponível em sebos virtuais), incluindo “Vento da Lua” (2015), “Sefarad” (2013), “Lua Cheia” (2000) e “Carlota Fainberg” (2001), “Um Inverno em Lisboa” (1997) .

Trouxe uma pilha de seus ensaios e romances em minha última viagem, depois de me perder numa bela livraria do El Raval, em Barcelona.

Comento dois dos mais recentes.

“Todo lo que era sólido” é um passaporte VIP para quem queira penetrar na Espanha contemporânea e compreender sua glória e descaminho.

Sem desfavor à cadência peculiar de sua escrita, que passa calma e sabedoria a cada parágrafo, Molina é contundente o bastante para eviscerar o jogo político corrupto e a estupidez generalizada que puseram a perder a grande obra de redemocratização espanhola.

O romance “Como la sombra que se va”, sobre a vida do assassino de Martin Luther King, James Earl Ray, que se refugiou em Lisboa, tem capítulos alternados com uma brava narrativa em primeira pessoa sobre a formação do escritor.

Molina nos confessa que não sofreu muito para abandonar a mulher e a bebê recém-nascida e passar uma temporada na mesma Lisboa — que revisita, décadas depois, para contar a passagem de Earl Ray pela cidade — e terminar seu romance de estreia.

Aos sábados, tenho como rotina virtuosa ler seu artigo no Babelia.com. O assunto hoje é a exposição “Unfinished”, em cartaz na antiga sede do museu Whitney, em Nova York, comprada e ocupada pelo Metropolitan.

Não perca.

Não existe atualmente uma escritura em português que me dê a mesma satisfação estética e intelectual que desfruto com a leitura de Muñoz Molina.

[Atualizado em 27/07/2019]

3 respostas em “ Muñoz Molina, não esqueça o nome

  1. Pingback: Jurupoca #3 | Livro de Viagem

  2. Pingback: Um convite quase irresistível – Jornal do Siúves

  3. Me gusta cómo escribe y sobre todo el mensaje preciso de Muñoz Molina. Me ocurre lo mismo con los textos que he podido leer de Siúves. Cominicación de la buena.

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