Na madruga seguinte à leitura de Enclausurado terminei A Balada de Adam Henry, livro anterior de Ian McEwan.

Essa novela é mais interessante, ainda que termine um tanto chocha.

A juíza Fiona Maye e o rapaz testemunha de Jeová são personagens (ficcionais) de carne e osso, ela mais sólida que o herói, diga-se.

O próprio enredo e as lições de direito familiar são verossímeis.

Ok, mas McEwan é recorrentemente chato na ambientação.

Na Balada ele poupa o leitor de seu cabedal enófilo, destilado no Enclausurado com a verve de um Robert Parker.

Já para o fim da narrativa, cede ao vezo e prende-se à própria sabedoria de técnica musical, quase que a se esquecer da trama, e do pobre leitor analfabeto em contraponto.

E tome frivolidades como o desjejum do casal Fiona e Jack, no qual o café há muito era preparado “com grãos da  Colômbia de alta qualidade”, com o leite saído da máquina poderosa e derramado morno em suas canecas finas.

Mas, aos diabos, me ocorre que estou saindo aos meus antepassados ao envelhecer. Um rabugento cada dia menos tolerante com manias alheias.

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2 thoughts on “ Ian McEwan e a ostentação narrativa (2) ”

  1. “Mas, aos diabos, me ocorre que estou saindo aos meus antepassados ao envelhecer. Um rabugento cada dia menos tolerante com manias alheias”.

    Bela auto-crítica e excelente arremate. Que eventuais leitores de ambos julguem se era rabugice ou uma sutil recomendação de que procurem melhor ocupação para o tempo, que anda escasso.

    Curtido por 1 pessoa

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