Jurupoca # 01

Número 01 — JULHO, 5  2019 


“O tempo, meu lorde, carrega uma sacola nas costas onde põe óbolos para o oblívio.”

Citado por Adão, o androide personagem de “Máquinas como Eu – E gente como Você”, novo romance de Ian McEwan, do “Tróilo e Créssida”, de Willian Shakespeare 

“Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte.
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado.
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro.
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro.”


Belchior em “Sujeito de Sorte”

Alastra-se a suposição de que, na sociedade em que circula volume inédito de informação, o jornalismo perdera sua razão de ser. O jornalista, a sua razão de viver. O secular e celebrado ofício de editor, em quadro de carências múltiplas e desassossegos de identidade, aparece rebatizado como “curador de notícias”. Ocorre o contrário: nunca o jornalismo foi tão necessário para selecionar, organizar e hierarquizar informações. Diante do caos resultante e da overdose informativa, o jornalismo contextualiza e dá sentido a fatos e ideias. Verificar o que é fato comprovável e o que é ‘notícia falsa’ — expressão imprópria, pois, se falsa, não configura notícia”.

Mário Magalhães em “J – Jornalista”, na “Serrote!” # 29

Opa.

Bem-vinda e bem-vindo. Eis o mix da feira de Jurupoca #1, notas a tratar dos últimos livros, músicas, filmes e ideias que me envolveram.

Na Jurupoca, quero compartir com você o ofício de um editor de cultura autoexilado das lides blogueiras, das redes sociais (exceto pelos poemetos do Insta, de que falo no pé), sobrevivente na diáspora das redações, a concluir o livro “A Arte da Viagem – Como Transformar Turismo em Cultura”, a ser lançado proximamente em Kindle Direct Publishing (KDP), na Amazon.

Esta Jurupoca é para chegar a você às sextas-feiras, quinzenalmente. Agradeço demais a quem comentou a edição de número zero, seja para saudá-la ou não, e convido novos leitores a jurupocarem.

MEUS PARABÉNS

Um brinde — melhor que seja de uísque, bebida preferida da patota — aos 50 anos de fundação do “Pasquim”, transcorridos em 26 de junho. Ivan Lessa, Millôr, Paulo Francis, Jaguar, Ziraldo, Henfil, Sérgio Augusto e outros tantos bambas desopilaram fígados e almas de leitores intoxicados com a carantonha onipresente da ditadura nos anos 1970. Aquela alta concentração de talento, inteligência e humor fundou uma era na nossa imprensa, referendou ideias, aprendizados, deixou saudade e gratidão, numa frase, salvou a pátria.
 

Fotomontagem de Jaguar sobre a pintura “Independência ou Morte [O Grito do Ipiranga], de Pedro Américo. A charge saiu na edição 71 do “Pasquim”, em 28/10/1970. Como conta o cartunista (link para o PDF da tese de Márcia Neme Buzalaf, “A Censura no Pasquim”, defendida em 2009 na Universidade Estadual Paulista) os militares sentiram o golpe. Onze integrantes da redação amargaram dois meses de cana.


O FUTURO VEM AÍ

Conhecido pelos muitos acertos de suas previsões e pela clareza de livros como “A Vida Digital”, o professor Nicholas Negroponte, fundador e diretor do Media Lab do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), diz em entrevista ao El Pais (em português) que o 5G, a tecnologia de comunicações móveis disputada por Estados Unidos e China, não promoverá a revolução que se apregoa. “É apenas uma mudança incremental sobre o 4G. O marco foi o 3G”, considera. Ele sustenta que nossos filhos e netos viverão 150 anos; humanos serão geneticamente modificados para reparar os erros da natureza; a carne de boi artificial (“um projeto maravilhoso”), produzida por meio da replicação de células do animal, vai alimentar o mundo, livrar o boi do abatedouro, reduzir as emissões de gás carbônico e melhorar o meio ambiente; além disso, em 50 anos teremos energia limpa, barata e segura, com o domínio da fusão nuclear. Aí, sim, haverá uma nova era de avanços tecnológicos na história humana. Negroponte relativiza as críticas ao oligopólio na internet e à perda de privacidade com tecnologias como a vigilância por câmaras de reconhecimento facial, empregada largamente na China, promessa de uma “segurança quase perfeita”. Mas, perguntado se temos de valorizar as ciências humanas e a filosofia em uma sociedade hipertecnológica, responde: “As ciências humanas são a coisa mais importante que você pode estudar.”
 

O FUTURO POR AÍ

“Máquinas como Eu – E gente como Você” (Companhia das Letras), que acaba de sair em português, novo romance do britânico Ian McEwan, dá o que ler e pensar. Algumas das obras recentes de McEwan me pareceram claudicantes, narrativas em que o autor atraía muita atenção para si, para seu conhecimento enciclopédico e sua fixação em certos hábitos da classe média, como certa obsessão com vinhos e comida. Mas, a despeito dessa onisciência autoral, ei-lo de volta e em grande forma com uma reflexão ética e moral acerca da condição humana, quando a ciência mira a fabricação máquinas que, cedo ou tarde, serão capazes de sentir, interagir desembaraçadamente conosco e nos superar em inteligência e criatividade. O livro não explora a ficção científica corriqueira, mas, antes, atualiza a fábula prometeica — em sintonia, por sinal, com o filme “Ex Machina”, dirigido por Alex Garland.

“Boa parte dessa tradição [da ficção científica] não me interessa. Mas tem outra que acho fascinante, que observa a possível reação à tecnologia. Como em ‘1984’, de George Orwell, ou em ‘Blade Runner’, que mostra um planeta destruído, lidando com a mortalidade dos robôs”, disse McEwan em entrevista à “Folha de S.Paulo”.

O leitor não viaja ao futuro, mas é conduzido a um passado alternativo, como no “Complô contra a América”, romance de Philip Roth — em que os Estados Unidos nos anos 1940 é governador pelo antissemita Charlie Lindbergh, ou, entre outras, nas séries “SS-GB” (exibida no Brasil pela NET) e “The Man in the High Castle” (Amazon Prime), que imaginam o Reino Unido e os EUA ocupados por Hitler. No livro de McEwan, ambientado no início dos anos 1980, a Inglaterra da primeira ministra Margaret Thatcher perde tragicamente a guerra das Malvinas; os Beatles se reencontram depois de 12 anos afastados e lançam o álbum “Love and Lemons”; Alan Turing, pai da computação retratado no filme “O Jogo da Imitação”, está vivo e bem-disposto — é um bilionário casado com seu amado, um físico de renome, e celebrado mundialmente pela generosidade de ter aberto a codificação de um novo paradigma da inteligência artificial, o que levou à confecção de humanoides por meio da resolução de um teorema matemático, do avanço da ciência da computação e da engenharia dos materiais. Turing, que também é um personagem destacado da história de McEwan, ainda jovem reiterava que “no momento em que não pudéssemos notar a diferença no comportamento de uma máquina e de uma pessoa, caberia então atribuir humanidade à máquina”.  

“Artigos sensacionalistas na imprensa anunciaram uma nova era de softwares humanizados. Os computadores estavam prestes a pensar como nós, imitando as razões frequentemente mal definidas com que tomamos decisões ou fazemos escolhas”, conta Charlie Friend, o narrador do livro. Aos 33 anos, Charlie torra a herança dos pais em Adão, um dos 25 primeiros androides, ou seres humanos artificiais lançados por uma firma britânica — 12 mulheres e 13 homens, batizados Adões e Evas. “O manual [de instruções do fabricante] me informava que Adão, além de um sistema operacional, possuía uma natureza — isto é, uma natureza humana — e uma personalidade (…)”. Aí está o busílis, diria o detetive Rosalvo, personagem de “Agosto”, o romance de Rubem Fonseca, aí está o fulcro do bordado literário de McEwan.

Ocorre que em “Máquinas como Eu” há outros ingredientes além de avanços na matemática (a solução positiva para P versus NP, o principal problema aberto da computação), do debate proporcionado pela neurociência (o problema entre cérebro e mente) e da especulação filosófico sobre a ética da ciência e suas implicações na política. O que estimula o leitor a atravessar todas essas dimensões e as 328 páginas do livro é a trama de amor, sexo e, como em “A Balada de Adam Henry” e outros livros  de McEwan, o suspense de tribunal e a discussão dos imperativos da lei. Charlie, um especulador com ações e moedas semifracassado, envolve Adão (o androide é chegado em Shakespeare e escreve haicais) na sua vida, nos seus ganhos e na sua apaixonada transa (latu sensu) com a vizinha Miranda, estudante de pós-graduação dez anos mais jovem que ele, atada a um segredo decisivo. Mais do que isso não direi para não incorrer no tal do spoiler e tirar o prazer da leitora e do leitor. O foco do livro, afinal, o que a leitura nos leva a ruminar, ilumina o que o escritor disse à “Folha”:

Estamos tentando ser Deus, mas não somos. Essa é nossa forma de colocar nossa própria consciência em um robô e, assim, podermos viver eternamente. É um tema ancestral. Está na história de Jasão e os Argonautas, no Gênesis”.

O romance criado a partir desse alicerce literário talvez seja a melhor obra de McEwan desde “Reparação” e “Sábado”.

COMO SER FELIZ

“E pela minha lei/ A gente era obrigada a ser feliz”, canta Chico Buarque em “João e Maria”. A lei que o obrigava a ser feliz agora leva o louco a se pergunta, “o que é que a vida vai fazer de mim?”. É insano ser feliz? Melhor cantar sempre, como quem bate na madeira, “ilusão, ilusão, veja as coisas como ela são”? Há cinco décadas, a obra de um artista toca profundamente na banda sonora do afeto de tanta gente, refina a música popular brasileira e açula o gosto pelo idioma e pela poesia. Também por isso, a gente vai levando.


Embora tenha todos os discos autorais de Chico em CD ou vinil, fui buscar no Spotify os títulos que faltavam no aplicativo (falei disso na carta anterior). No pacote estão “Morro Dois Irmãos”, “Valsa Brasileira”, “Carioca”, “Iracema Voou”, ‘Sonhos, Sonhos São”, “A Ostra e o Vento”, “Todo o Sentimento”, “Estação Derradeira”, “Bancarrota Blues” etc., canções já clássicas cuja força poética se manterá por muito tempo.

Só Carolina não viu que a obra buarquiana foi se tornando mais complexa em suas melodias, mais apuradas nas harmonias e mais sofisticadas nas letras — José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovsk demonstraram isso com grande didatismo nas suas aulas-shows. Sinto pelas Carolinas musicófilas que brigaram também com a arte do compositor nos embates virulentos contra os devotos do lulopetismo. Que triste. O que disse Belchior sobre os discos de Bob Dylan lançados nos anos 2.000 — em um entrevista ao “Diário do Nordeste” citada no livro de Jotabê Medeiros (“Apenas um Rapaz Latino-americano”, ver comentário abaixo) — vale para Chico Buarque: “Não foi Dylan quem mudou, foi o público que piorou”. A propósito, as músicas citadas estão no playlist A rádio Siutônio apresenta: 1.000 canções da MBP, que me custou três anos de pesquisa e arranjo, e que não paro de atualizar e refinar. Aviso aos navegantes que meu conceito de MPB é pessoal e superelástico, indo de Catulo da Paixão Cearense, do final do século 19, ao Clube da Esquina e além.

COMO? SER FELIZ

De volta à lei que nos obrigava a ser feliz, ouvir “João e Maria” mais uma vez me lembrou, com uma sombra de ironia, um trecho de “A Trégua”, de Primo Levi (ver referência na Jurupoca #0), que acabara de ler. Está na página 346 de minha edição da Companhia das Letras, de 1997. O autor se refere nessa passagem à sensação dos mil e tantos expatriados italianos em comboio, entre os quais sobreviventes de Auschwitz, como o autor, diante do anúncio feito pelo exército soviético que começaria enfim a ansiada volta para casa, depois de dois meses de acampamento na aldeia russa de Stáryie Doróghi e de outros tantos vagando miseravelmente pelo leste europeu, terminada a 2ª Guerra:

“Acendemos fogo no bosque, e ninguém dormiu: passamos o resto da noite cantando e dançando, contando um para o outro as aventuras passadas, e relembrando os companheiros perdidos, pois não é dado aos homens desfrutar alegrias incontaminadas.”

Primo Levi quinta-essenciou — ou quintessenciou, para usar um verbo que aprendo com Mario de Andrade em “Vida de Cantador” (Jotabê Medeiros, op. cit.) — a narrativa possível da destruição do ser humano e, no subtexto, do que restaria de humano no sobrevivente do terror, da violência, do (até então) impensável.
 

RESPIRE FUNDO

A meditação faz bem a muita gente. O relaxamento obtido com a prática — inspirada no budismo e chancelada pela ciência — proporciona equilíbrio, concentração, superação, bem-estar. Ninguém nega isso. Mas há outra dimensão do fenômeno planetário, que é política e econômica, a de um negócio, de uma valorizada commodity do mercado de autoajuda. A indústria da meditação movimenta a baba de 4 bilhões de dólares por ano em cursos, livros, documentários, filmes e uma ramificação que abrange terapias, dietas, liderança e até criação de pets.

Wall Street, a bolsa de valores dos EUA, o Vale do Silicone — berço da Gafam (acrônimo dos gigantes da rede, Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), agências estatais americanas, inclusive as militares e CEOs habitués do Fórum Econômico de Davos promovem como chefes de torcida os benefícios da meditação e da “atenção plena” (mindfulness), em geral associada ao método MBSR (Mindfulness-Based Stress Reducion), criado por Jon Kabat-Zinn, um professor emérito da Escola Médica da Universidade de Massachusetts. No fundo dessa cultura ecoa a busca da adequação espiritual ao status quo. Os grandes devotos da meditação estão em paz com a realidade, são resilientes e autocontrolados; subjugam as contradições, creem que as causas da inconformidade e da aflição com o mundo residem em si próprios; não se deixarão moer pelo sistema, ao contrário, aproveitarão seus avanços para trabalhar mais e enriquecer na era prodigiosa do capitalismo tecnológico.

SOLTE O AR

Acabei de resumir a linha de ataque da crítica de esquerda à “mindfulness”. O jornal britânico “The Guardian” condensou (em inglês) os argumentos do livro “McMindfulness: How Mindfulness Became the New Capitalist Spirituality” (McMindfulness: Como a Atenção Plena Tornou-se a Nova Espiritualidade Capitalista), de Ronald Purser, um professor de administração e negócios em São Francisco, a sair no próximo dia 9. O título sugere uma óbvia correlação entre a cadeia de fast food McDonalds e a “atenção plena”, ancorada no sopro do momento e na consciência sem julgamento. A não inquirição moral sobre as consequências das decisões corporativas e a mentalidade apolítica que a prática favorece — defende o autor — encobrem a desigualdade e o sofrimento das vítimas do capitalismo. Ele cita, por certo, o filósofo esloveno Slavoj Žižek, para quem a “atenção plena” tornou-se a “ideologia hegemônica do capitalismo global”, com a qual as pessoas se sentem confortáveis para “participar plenamente da dinâmica capitalista, mantendo a aparência de saúde mental”.
Não achei no texto adaptado do livro de Puser nenhuma ocorrência da palavra “alienação”, a velha e boa pedra de toque da crítica marxista à ideologia. Mas vivemos outros tempos e, seja como for, é estimulante acompanhar o confronto de ideais e a liberdade de pensar e de valorizar a inteligência. Os radicais extremistas evangelizados não sabem o que estão perdendo.

ODE AO ÓDIO

Os radicais extremistas evangelizados do Partido do Brexit, liderados pelo feroz Nigel Farage, apresentaram ao mundo seu intocável autorretrato. Na sessão de abertura do Parlamento Europeu, na terça-feira, dia 2, os 29 eurodeputados eleitos pela agremiação viraram as costas durante a execução do trecho final (Ode à Alegria) do hino europeu, a Nona Sinfonia de Beethoven. A turma de Farage conseguiu o que pretendia: deu as costas à humanidade, à esperança de fraternidade que todos os homens de boa vontade deveriam alimentar ou respeitar, compondo, com seu gesto, uma verdadeira ode ao ódio. Os eurocéticos da ultradireita certamente se ofendem com o que podem inspirar a música de Beethoven e o poema de Friedrich Schiller cantado pelo coro no quarto movimento da “Nona”, que diz:

Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Elíseo, (...)
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu voo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se conosco!

A BELCHIOR, O QUE É SEU

Saiu claramente malcuidada a biografia de Belchior por Jotabê Medeiros, um jornalista de cultura e crítico musical que joga na Série A da nossa imprensa. Só agora pude ler “Apenas um Rapaz Latino-Americano” (Todavia, 2017). É mais um livro-promessa, lançado na carona da morte inesperada do “cantautor” cearense, aos 70 anos, depois de uma década de sumiço austral. Há lapsos, falhas de continuidade, pontos descritivos sem nó, bastante especulação. Um editor de classe poderia tê-lo enxugado e exigido mais do autor em pesquisa e entrevistas de campo. Mas, se lido pelo fã como perfil biográfico extenso, tem lá seu valor. É acurado na análise da obra e rico em curiosidades da trajetória do ídolo — educado como frade capuchinho, estudante de medicina, flâneur apaixonado por poesia e pintura, arte na qual quis tanto se apurar.

Jotabê se sai bem ao dimensionar a energia criativa e erudição de Antônio Carlos Belchior, bem como ao retratar a verve “dylanesca”, a elegância e também as fraquezas mundanas do ídolo da MPB que parece ter se embriagado além da conta com o sucesso, com seu dom-juanismo e novorriquismo, lembrado por Caetano Veloso no artigo para o “Estadão” em que fala das aparições nas festas ao lado de André Midani “usando ternos finos, fumando charutos caros e falando na cultura da Rive Gauche”, na esteira do estrondoso sucesso crítico e comercial do LP “Alucinação” (vendeu meio milhão de cópias, faixa onde apenas Roberto Carlos roçava). O mais importante: a agudeza da poética e sua singularidade em nossa herança cultural, a inventividade das canções, que supera suas carências em harmonia, e sua adequação ao canto de timbre inequívoco ficam bem assentadas no livro.

O canto torto de Belchior cortou a carne do seu ouvinte adolescente nos anos 1970 e deixou por cicatriz memórias microvulcânicas de versos desta densidade, que brilham e reluzem como uma esfera de aço: “A minha alucinação é suportar o dia a dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais”, da canção-tema de “Alucinação” (1976), que comentei no aniversário de 40 anos desse álbum.

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