Jurupoca #11

Número 11, novembro, 22, 2019
 


[...]
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
[...]
 
Tabacaria, Álvaro de Campos, do Arquivo Pessoa

Opa. Vamos apear?

Disgrama. Onde estou? Quem serei? Alien ilhado alienado? Cadê o doutor Bacamarte? E você?

Mas, se até sei, sim, o que há de bom? Ouvindo a Melodia da ópera Orfeu e Eurídice, de Gluck, no novo disco de Nelson Freire, acho espaço, escapo, um lugar, íntima utopia.


O já idoso e eminente filósofo Michael Ruse encontra o sentido da vida num belo artigo do Aeon.

Está claríssimo, ele diz, viemos do macaco, não do barro. Nossa espécie é violenta e deplorável, mas há uma essência resiliente que nos faz perdurar e significar. Sartre estava certo. Estamos condenados à liberdade. “Mesmo se Deus existe, Ele ou Ela, é irrelevante. As escolhas são nossas”a.

Filhos, família, cultura, arte… Sociabilidade é a chave.

Ruse cita o belo poema de John Donne (1624), popularizado por Hemingway na epígrafe de seu romance:

No man is an island,
Entire of itself,
Every man is a piece of the continent,
A part of the main.
If a clod be washed away by the sea,
Europe is the less.
As well as if a promontory were.
As well as if a manor of thy friend’s
Or of thine own were:
Any man’s death diminishes me,
Because I am involved in mankind,
And therefore never send to know for whom the bell tolls;
It tolls for thee.

Na tradução de Monteiro Lobato:

Nenhum homem é uma ilha isolada;
Cada homem é uma partícula do continente,
Uma parte da terra.
Se um torrão é arrastado para o mar,
A Europa fica diminuída,
Como se fosse um promontório,
Como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio:
A morte de qualquer homem me diminui,
Porque sou parte do gênero humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;
Eles dobram por ti.

O ser lançado para a morte, átomo desorbitado… As escolhas são nossas?

Sejamos existencialistas, mas devagar (ouço o Álvaro de Campos). Eu sou, em tese, com um pé na farmácia.

E os sinos gemem por mim, ora bolas. E gemem em lúgubres responsos, pobre Siúves, pobre Siúves, coitado. Sim, coitado dele mais de muitos… (Álvaro de novo).

Ora, missivista, posso te ouvir, vamos deixar de jeremiadas e lenga-lengas, tenha a santa paciência! Você tem razão.

Mas, e essa gente?

Fernando de Barros e Silva passou a régua no podcast Foro de Teresina #77: “Os personagens são péssimos, as brigas são por motivos paroquiais, é tudo vulgar, é cafona, é horrível, essa gente é horrorosa”.

Um jornalista de primeira linha é obrigado a comentar corrimentos do chorume onde essa gente se banha, no caso a história do dossiê “Orleans e Bragança”. O que você quer?

Se bem que jornalistas têm fama de muquiranas, não, não, “muckrakers”, algo como catadores de lixo, como os colegas eram chamados pelos políticos e empresários dos EUA, no início do século passado.

E como um gambá cheira o outro, Bolsonargh, que fala o que lhe sai das tripas, soprou um “I love you” na linda orelhinha de Trump. Mr. Trampa, nem aí para o jeca, ora enfrenta um processo de impeachment.

E tasca no Twitter, lisonjeia o mundo com seu bronzeado artificial, topete, bicanca, rebaixa quem o denuncia, tira as acusações de letra. Seu eleitor compra as lorotas, é o povo contra a democracia. Reeleição no papo.

E você viu a Espanha? Sou um apaixonado pela Espanha, ou pelas Espanhas, como prefere um amigo de Bilbao. (A arte da viagem, meu livro que espera acabamento, tem várias crônicas de minhas andanças na península). Me detenho um tiquinho no assunto.

Nada de geringonça por lá. Direitas, esquerdas, ilhas, ninguém ouve ninguém.

O sociólogo português Boaventura Sousa Santos, farol da esquerda mundo afora, prega contra as divisões. Esquerdistas de todo o mundo, uni-vos…

União urgente pela democracia liberal contra o que nomeia “neofascistas” da Hungria, Polônia, Itália, do Brasil e os “pequenos partidos que se fundam na Espanha”.

O campo democrático está acossado. E o mais importante dessa entrevista à publicação espanhola InfoLibre, em 2018: “Penso que as esquerdas têm de abandonar o sectarismo, o dogmatismo, o infantilismo, para iniciar uma negociação. Que seja pragmática, como fizemos em Portugal….”, ele diz.

Qual baratas tontas, os políticos espanhóis, los barones, esvoaçam em busca de luz. Fustigam a democracia sem piedade.

Chutaram de novo a bola para o eleitor cansado de votar, em 10 de novembro. Outro estrupício, mais um bloqueio à vista (se o PSOE fracassar novamente para obter 176 assentos no parlamento) quando diligentemente batuco esta carta pra você.

O Vox, de extrema direita, chama para dançar os nacionalistas lunáticos da Catalunha. Agora é a terceira força legislativa. Seu líder, o basco babão Santiago Abascal, destila o mix populista habitual: “fatos alternativos”, rejeição à imprensa, paranoia contra imigrantes, racismo, chorume.

É o que dá futucar a raiva dessa gente deslocada e sem futuro, os piratas da insurgência, na visão do cientista político João Pereira Coutinho; os  primitivos de uma nova época, na do antropólogo cultural Carlos Granés (citando Mario de Andrade); os perdedores da globalização, para o geógrafo francês Christophe Guilluy em artigo sobre a luta dos Coletes Amarelos.

“Na realidade, o que chamamos de ‘populismo’ nada mais é que a forma política de um novo modo de empoderamento (hum) das classes populares”, relativiza candidamente Guilluy, autor de No Society – O fim da classe média ocidental, não lançado no Brasil.

As predições de Guilluy passam longe.

Daniela Campello e Cesar Zucco têm mais a dizer sobre o povo nas ruas na América do Sul, em estudo que relaciona o índice “Bons Tempos Econômicos” (preço das commodities e taxas de juros internacionais) com a estabilidade e a turbulência política nesta zona continental.

A vizinhança, que se agita e toca fogo em metrô, que se cuide. A razão está sem lugar e sem propósito. Sem luz. E pode piorar.

Uma sucuri de silício — uma das múltiplas e simultâneas encarnações do capital — tritura e engole a sociedade civil globalizada. A sucuri de silício não liga para a verdade factual, que virou uma espécie de fóssil pré-histórico”, desfia Eugênio Bucci em novo e urgente livro.

A “verdade factual”, conceito caro a Hannah Arendt, vai pela bola sete. Simples e frágil, esse ideal iluminista é ofuscado pelo brilho da pós-verdade, na onda das “narrativas” que piscam em tuítes e posts provisórios.

O Dicionário Oxford, você se lembra, chancelou “post-truth” como “a palavra do ano” de 2016. Pois periga se tornar a palavra do século, deus nos livre.

Na tradução de Bucci, o adjetivo “post-truth” “qualifica um ambiente em que os fatos objetivos têm menos peso do que apelos emocionais ou crenças pessoais em formar a opinião pública”.

A mentira, tão velha quanto nossa espécie, é parte da política desde sempre. Mas a pós-verdade é coisa nossa, do século 21. Vai muito bem de saúde. Sobrevive e cresce no Google e nas mídias sociais.

Eis um trecho de Existe democracia sem verdade factual? (Estação das Letras e Cores):

Nas redes sociais, diferentemente do que acontecia na televisão ou no cinema, a propagação das mensagens depende diretamente da ação das audiências, nas quais o desejo leva vantagem sobre o pensamento. Uma notícia (falsificada, fraudulenta ou mesmo verdadeira, pouco importa) só se difunde à medida que corresponda a emoções, quaisquer emoções, “positivas” ou “negativas”. Sobre o factual, predomina o sensacional – daí o sensacionalismo. Sobre o argumento, o sentimento ou o sentimentalismo. Esses registros da percepção e do sensível, que passam pelo desejo, pelo sensacional, pelo sentimental, proporcionam conforto psíquico aos indivíduos enredados em suas fantasias narcisistas. A receita se revelou infalível.

Não escapa ao professor da ECA/USP que detratores da TV Globo, essa nêmesis para bolsonaristas, lulistas e antivacinistas, se descabelam no Facebook contra o “monopólio” da família Marinho. Logo onde.

Formiguinhas obreiras, orgulhosas voluntárias, trabalham como “produtoras de conteúdo” para o oligopólio planetário — o “feis”, como dizem em Espanha, vale 500 bilhões de dólares na praça; em 2017 faturou 36 bilhões de dólares.

Assim, as obreiras, mesmo sem querer, ajudam também a manter inflada a bolha da pós-verdade, o grande espetáculo da terra. Nada como a boa vontade.

“O que é a carteira de assinantes de um jornal, algo em torno dos 250 mil leitores, como no caso dos maiores diários do Brasil, perto da escala de um Facebook, que tem perto de 2 bilhões de usuários com perfis ativos, quase um terço da humanidade?”, indaga Bucci.

Pois é, suas hienas, jornalistas da Globo, da Folha, e esta hiena que te escreve.

Será só coincidência que “isso daí” conviva com a destruição de uma ideia de cultura, mormente a artística, conviva com a pós-leitura. Mas que diabo é isso, Siutônio?

Então. Como diz Karl Kraus, o verdadeiro fim do mundo é o aniquilamento do espírito.

A pós-leitura segue-se à morte de deus, por Darwin etc., e também à morte da cultura — sucedânea do divino no modernismo. Essa ideia de cultura vai sendo triturada no pós-modernismo.

E agora? O que tem aura divina?

O fetiche e a devoção em torno da tecnociência que (no dizer de Adauto Novaes, citado por Bucci) “ganha a força de uma religião: domina as instituições políticas, as artes, os costumes, a linguagem, as igrejas, as mentalidades…”  

Há no YouTube um debate quente (legendado, 16 minutos). Batem-se educadamente o marxista Terry Eagleton e o liberal conservador Roger Scruton. Ambos estão certos em seus pontos.


Há mais interesse na conversa que a rinha esquerda vs. direita, como quer o divulgador do vídeo.

Eagleton diz que a cultura, no pós-modernismo, aos poucos deixou de operar como instância crítica. Perdemos a sua grande função humanística. Em vez de solução, a cultura passa a ser parte do problema.

Essa função, segue o autor de A ideia de cultura (Unesp, 2011), era a de “acender uma luz entre ela mesma e o resto de nossas práticas sociais e instituições para que pudesse efetivamente criticá-las”. Hoje a crítica está muda e cega onde mais deveria perdurar, na universidade.

A universidade em geral e o ensino das ciências humanas, em particular, entregaram-se ao império do capital, lamenta Eagleton.

Errado, rebate Scruton. É o oposto: a universidade deixou-se anular continuamente pela prosopopeia marxista, e, aduzo por conta própria, pela derivação obscurantista do marxismo, impenetrável para quem está fora de seus guetos e não pita o ópio dos intelectuais.

Mas divago. E a pós-leitura?

Parafraseando o Dicionário Oxford, a pós-leitura qualifica um ambiente, uma época, em que a literatura e a própria ideia de arte são sufocadas pela influência da tecnologia na existência humana.

A perda da imaginação e o Déficit de Atenção pela Infantilização do mundo (DAIM) vêm daí.

Um tempo em que a santimônia das patrulhas sanitárias crucifica Woody Allen (Um Dia de Chuva em Nova York é ótimo) e levanta um auto de fé contra a arte de Paul Gauguin. Tipo a hipocrisia é a homenagem que a virtude rende ao vício.

Na pós-leitura, fulano está mais a fim de aceitar perorações que lhe tocam alma e intestinos a ouvir argumentos baseados em fatos, o que pede um impulso ético e moral de aprendizado e autocrítica. Duvidar e perguntar. Nossas escolhas?

Mas não estamos condenados à liberdade?

Quem ainda lê para valer, literatura de qualidade, nesses tempos líquidos, pós-modernos e melindrosos, como diz Javier Cercas? Quem?

Eu, você e meia dúzia de três ou quatro aliens.

Mas há mais, muitos mais aliens a ler neste momento Essa gente, de Chico Buarque (Companhia das Letras).

Disse em outra Jurupoca que é difícil largar o que quer que Chico escreva, e sou devotado à sua música. Em algumas horas terminei o romance, com proveito.

Manuel Duarte, o narrador, rima com Chico Buarque, que rima com Duterte, como o sobrenome da ex-mulher de Duarte, a ricaça Rosane, que se dá bem nas altas rodas, é confundido numa coluna social.

Rodrigo Duterte é o presidente filipino homicida de cepa bolsonarista. A alusão não é gratuita, como outras tantas.

Há uma juíza federal sem “preconceito de cor” a cismar com Duarte. Gabriela Hardt, por acaso? Não, te apresento a dra. Marilu Zabala.

Há um bilionário influente na política que vive a receber a plutocracia em sua mansão do Cosme Velho. O fantasma de Roberto Marinho? Não, por favor. O grande empresário do agronegócio Napoleão (hum) Mamede, de quem Rosane é amante.

“Mal sabe essa gente que nos últimos anos morei na avenida mais nobre do bairro com a bela Rosane, que também já virou outra e que hoje decerto me considera um estranho; da última vez que a Rosane me dirigiu a palavra, foi para dizer que me tornei um tipo antissocial”, anota Duarte em uma entrada do diário.

O diário termina em setembro de 2019. Agorinha. Nesses registros, nas cartas de terceiros e nas alusões ao gênero epistolar, a história transcorre e o romance se conforma.

Entre sonhos, cenas de degradação social, racismo, violência da polícia e da elite do Leblon contra miseráveis, há infinitas cortinas com palcos atrás.

Nada de palcos azuis. Palcos marrons, cinza-esverdeados, fedorentos, fuleiros, cafonas, onde essa gentinha empoleirada no poder se apresenta. Uma escultura dourada do presidente com quepe de general, postada na janela de Rosane, a representa insistentemente, como um bibelô narrativo.

E estou a tropeçar na fragilidade de Essa gente, a mesma de outros livros de Chico.

Duarte não é um personagem de carne e osso moldados da argila da ficção. Lembra mais um esboço, muito bem traçado, é verdade; ou um boneco ventríloquo, ainda que a ventriloquia seja de primeira.

Antonio Muñoz Molina conta que deixou de ler Ian McEwan quando lhe pareceu que os romances do britânico “se convertiam em dissertações políticas ou teóricas apenas dissimuladas debaixo de um envoltório ficcional”. Justíssimo para certos livros de McEwan, ou parte deles. Disse algo parecido aqui e aqui.



“Num romance pode haver exposições e debates de ideias, porque cabe tudo num romance. Mas quando os personagens deixam de ser criaturas viventes para se converter em porta-vozes do autor ou em símbolos disso e daquilo”, continua o colunista do El País, sempre na mosca, “a antiga ‘suspensão da descrença’ na base da ficção está cancelada: com ideias e opiniões pode-se não estar de acordo, mas precisamos crer nos personagens. Como diz Fernando Pessoa, ‘todas as nossas opiniões são dos outros’”.

Bão, tenho agora de pedir licença poética, humildemente, de joelhos, porque estou vencido nessa cláusula pétrea do jornalismo cultural.

Vencido pela aclamação d’Essa gente. Li atentamente as resenhas dos quatro jornalões, e as quatro se derretem. Uma das melhores e mais entusiásticas é a de Arthur Nestrovski, na Folha.

“Talvez seja o melhor livro de Chico”, estima o diretor artístico da Osesp, para emendar, botando Futuros amantes na vitrola,

Quando chegarem os escafandristas, quando o Rio for uma cidade submersa e o Brasil tiver acabado de vez, só vão precisar deste livro para entender o que aconteceu.

Só este livro, deveras, Arthur? Talvez mais um, pelo menos, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, vai?

Tão bem escrita quanto a de Nestrovski, sem se arriscar muito a desafiar o coro dos contentes, mas mais fiel aos fundamentos da crítica, é a análise do jornalista e professor Miguel Conde, em O Globo.

Essa gente é um livro ácido, que aposta no desafogo do riso e do sexo para não cair no azedume, mas assume um tom agressivo de caricatura, com sentido implícito de ajuste de contas”, Conde ousa dizer, para assentar que

nas ironias ficcionais de Duarte, é difícil não ver a resposta satírica de Buarque às ofensas gritadas por alguns de seus vizinhos de bairro e, mais do que isso, ao projeto de Brasil que esses mesmos gritadores presumivelmente ajudaram a levar ao poder.

Ele também ressalva que Chico é “menos convincente ao detalhar a penúria financeira que aflige Duarte”. De certo.

É de lascar o choro do escritor Duarte, liso e leso, coitado, que, como um personagem das novelas de Manoel Carlos, não se descola do Leblon nem nos sonhos (sobe bastante o morro do Vidigal, é verdade) e, apesar de enrolar seu editor, recebe polpudos adiantamentos (hum) e até outro dia vivia com Rosane em um

apartamento de alto luxo na quadra da praia do Leblon, amplo salão em 3 ambientes e sol matinal, sala de jantar, lavabo, 4 suítes sendo uma master, sala íntima, copa-cozinha gourmet, área de serviço com 2 dependências de empregada, 8 vagas na garagem, R$ 16 700 000,00.

Ah, vida, minha vida, olha o que é que eu fiz. Olha o que é que eu vi. Tipo o verdadeiro fim do mundo está no aniquilamento do espírito.

Mas, quer saber de uma coisa? (Volto a ouvir Nelson Freire, já nas Peças líricas, de Grieg).

Esta carta já está longa demais, foi longe demais da conta, me perdoe, mas você sabe, os sinos… Luz, quero luz.

— Mehr Licht! (Últimas palavras de Goethe, segundo seu médico Carl Vogel, dizem). É o que queremos, né não?

A você, caro amigo alienígena que me leu até aqui, bom fim de semana.

P.S.


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