Jurupoca #14


10, JANEIRO, 2020 — Nº 14



Opa. Vamos apear em 2020?

Minas não tem mar. No Belo, às vezes, falta ar.

Sobrevivo a dezembro e empurro janeiro com a barriga que nem tenho.

Descaimento, esfalfamento, esgotamento, estafa, exaustão, extenuação, fadiga, fraqueza, lassidão, moedeira, moimento, ofego, prostração, moleza… Fui ao Houaiss, viu?

 “A vida, mormente nos velhos, é ofício cansativo”, diz o Conselheiro Aires no Memorial.

O Aires é um diplomata aposentado, aos 62 anos. Sua anotação é de um 25 de janeiro de 1888. Me fio na serenidade do Conselheiro.

Pode, a vida, fazer alguém aos 62 anos se sentir velho? Ainda não cheguei lá, senhores, sou um varapau cinquentão, mas me canso.

A expectativa de vida em 1900 era de 33,7 anos. O Aires era mesmo um velho de sua época, ainda que eterno nas páginas de Machado.

Quem nasce em 2020 esperará viver mais de 80, na boa. Estamos por aí. Tem muito brotinho de 70, 78, recauchutado, às vezes, mas vai levando.

Mas me canso.

A intolerância, inclusive a da militância identitária, “a fúria inútil das tribos digitais”, a imbecilidade, a iracúndia, o azedume, tudo cansa, exauri o cristão e o não cristão.

As aspas acima são do professor Fernando Schüler, na Folha. Como tanta gente que ainda procura pensar por conta própria, ele foi buscar a atualidade do filósofo espanhol Ortega y Gasset em A rebelião das massas.

A obra surgiu no final dos 1920.

A insurgência dos coletivos indistintos e desumanizados deu na catástrofe nazifascista.

O indivíduo perde a autonomia de pensar e a própria liberdade, dissolvido no amálgama que atua mais por reflexos condicionados — emoções, instintos, paixões, no comentário de Mario Vargas Llosa sobre A rebelião das massas no em O chamado da tribo.

O tribalismo digital e a polarização ideológica operam, agora mesmo, num registro muito parecido com o que Ortega y Gasset identificou há quase cem anos.

O indivíduo não existe para os algoritmos, desenhados para atrair e faturar nos coletivos. Quando mais chapado e babando bile, mais clique, comentário, compartilhamento, curtida, mais money.

O YouTube e outras redes faturam com as guerras políticas, mostram os vários estudos citados em reportagem da Piauí deste mês, O algoritmo da ágora, assinada por Bernardo Esteves.

Diz Schüler que o homem-massa é “avesso ao comedimento, dono de uma autoconfiança vulgar, que fala sobre tudo”, — ele emenda, citando Ortega, —  “cego e surdo como é, impondo suas opiniões”. Helahoho! helahoho!

Mas janeiro é o mais perigoso dos meses, depois de dezembro. No Natal… Sobrevivi a mais um, não tinha falado aqui que conseguiria.

Arre. Batuquei no diário, primeira entrada do ano:

Os mortos atrapalham as conversas, fogem da nossa lembrança, zombam da nossa dança. Com os anos vão se tornando maioria. Orações, abraços, brindes rodam como cenas gravadas. Estamos vivos, em estado de fotografia. Chegamos ao estado de fotografia, e os ritos humanos amarelecidos são caricatos. Foi-se o verdor da verdade sazonal das coisas que nasciam e morriam num segundo.


 Nada a fazer. Pra que tanta bulha e matinada?

O mundo às vezes cansa. Mas, diria o Céline, é preciso garantir o macarrão.

A virada passei no Rio, nada longe do Copa. O Aires tem sua mana Rita; tenho lá minha mana Vi; a dele no Andaraí; a minha na Tonelero.

Cercaram o hotelão com grades para proteger a bela pintura clara da urina corrosiva. A multidão verte nas ruas do bairro, aos tanques.

E volto ao Aires, apois. “…Só me fica de memória o que vale a pena guardar.”.   
É que retornei, depois de décadas, ao Catete.

A mana me leva ao Museu da República, ao Salão Mourisco, ao paletó do pijama de seda do suicida Vargas com a mancha de sangue no peito e o Colt 32 ao pé dele, também a bala que extraíram do miocárdio presidencial. É mais que uma vitrine. É um totem da nossa história primitiva e trágica.



E o museu tem os jardins, a tradicional seresta dos mais velhos aos domingos à tarde, os bancos para leitura, descanso, as mangueiras…

Depois de passear neste meu Rio, mesmo sem querer tão machadiano, me pus a reler o Memorial de Aires, sempre com mais proveito.

Já disse aqui que prefiro o Rio cinza e friorento de maio e junho. Mas terminei bem uns dias abafados e úmidos, o corpo a pegar de suor e SunMax 55.

Fomos a um restaurante de peixe na Estrada Burle Marx, pra lá de Grumari, na tarde do dia 30.

Prainha, Abricó, Grumari já foram praias ótimas para o banho. Hoje estão entre regular e bom, uma raridade no Rio e no país. Milhões de brasileiros passariam o ano novo no mar dos coliformes fecais, alertou o Magnoli. Nem pisei na água. 

Tinha mais carro que banhista nas praias, juro. Carro em vala, buraco, barranco, pedra, areia, encosta. Nem um guarda.

As filas duplas tornaram nossa travessia longa, remota. Mas o verde da mata de restinga e do mar nos levavam.

E conversávamos! Ninguém enfiado em si, nos próprios apps. Ah, o tempo que se perde, já volto ao ponto, pode ser benesse.

Na volta me encantou um despacho sobre um pedra, a torrar no sol. Um ebó vegano. Duas gamelas de madeira com um efó derramado cor de açaí.

A maçaroca tinha uma cerca de quiabos à volta, fresquinhos e enxutos, qual velas em torta de aniversário. Três copos duma bebida tinta para o santo cortejavam o trabalho.  

Com o calor que fazia, os santos iam em polvorosa, era tiro e queda o ebó, o canjerê, o bozó, congeminei.

No dia seguinte descemos cedo na Praça General Osório para andar toda Ipanema/Leblon. Chegamos ao pé do Morro Dois Irmãos e às saias do Vidigal.

Antes, pedi o motorista do táxi que passasse devagar em frente à Nascimento e Silva 107. Então tirei meu chapéu Jobim, solene e reverentemente.

E a música já me guiava.

Trilhas sonoras me disputam no Rio e alhures. Tom, Bossa Nova, samba, maxixe, carnaval, choro… Desta vez o DJ de dentro era o Buarque.

Um pressentimento pode levar alguém a esperar uma menina numa esquina, uma garota de Ipanema qualquer, muito antes dela, essa menina, existir. Sim, sim, pode.

Cantarolo a melodia triste e impossível de assobiar. E volta e meia lembro dela, da ingrata.

Daí a Barão da Torre e a Vinícius de Morais “são de repente estranhas ruas / Sem o seu vestido ficam nuas / E ao vento eu digo / — tarde demais.



Cantarolo, não assobio.

O Buarque fez Jorge Helder chorar ao lhe mostrar, de surpresa [aos 2’50’’] a letra que ousara para o choro inverossímil que é Bolero Blues. Armaram  legal pro grande baixista baixinho.


Depois, Leblon afora, cruzo o Hotel Marina acesso pela luz do sol no céu dum azul fosco.

Para um 31 de janeiro o Rio estava quase invernal aos 28 ºC, não fosse a sensação térmica.

Me arrasto mas sigo.

Ouço Marina a cantar Virgem na cachola e fixo o hotel. A letra é do poeta Antônio Cícero, irmão dela, e nasce justamente de um passeio na praia, citando Drummond e o poema Inocentes do Leblon.


As coisas não precisam de você… O Dois Irmãos também não, lá, lá, lá, diz a música.

Mas eu é que, sim, preciso do morro, ora como. Há muito aprendi a respeitar sua prumada e a desconfiar do seu silêncio, profundamente.

Meu Rio é levado em acordes, melodias, poemas, histórias. Guardo tudo, tudo que vale a pena guardar no “encéfalo absconso”, no dizer de Augusto do Anjos.

Assim viajo, assim vou, assim me levo, assim, por isso, escrevi um livro de viagem, pra render o assunto.

Minas não tem mar. No Belo, às vezes, falta ar. Sobrevivo a dezembro e empurro janeiro com a barriga que nem tenho. Me repito.

Os Concertos para Violino de Bach (BWV 1041, 1042, 1043, 1064) são uma consolação, um lenitivo. A leitura, quando grande, sempre é, consolação e lenitivo.


Às leituras, então.

Stoner, pra começo de conversa, de John Williams.

Considerado um “romance perfeito” por vários escritores, ou uma das grandes obras esquecidas do século passado, na opinião da crítica Anna Gravalda, do jornal inglês Guardian, um best-seller póstumo.

Não tinha ouvido falar dessa “obra prima submersa” antes de ler o Muñoz Molina dia desses. Helahoho! helahoho!

Engraçado, William Stoner, o personagem do título, tem algo de Minas na alma. Vi certa gente nele. Não que o mote dê uma tese de doutorado.

Stoner era um matuto. Ajudava os país na faina; tirar leite, cuidar dos porcos, plantar milho. Trampo todo santo dia.

Um acaso, uma oportunidade, o leva a estudar agronomia numa universidade do Missouri, com a ideia de, formado, ajudar a modernizar a fazenda.

Com as mãos grossas e calejadas, unhas encardidas, vestido como um caipira, o moço cai de amores pelos livros e pela literatura inglesa, e vai se desligando do mato, da terra, dos pais. Se faz outra pessoa.

Dedica aos livros a mesma força de caráter e a disciplina que dedicara à ordenha e à lida na terra. Que personagem. Forma-se e logo é professor na mesma faculdade.

Depois de muitos anos reconhece que aprendeu a ensinar, a repassar apaixonadamente o que sabe, a cultivar o progresso dos alunos.

Uma vida à margem da politicalha o deixa longe da cátedra e dos cargos acadêmicos de prestígio, a que nunca aspirou.  

Casara-se mal, amara mal, fora mau pai. Mas aprendera o amor na aventura com uma jovem intelectual, sua aluna da pós. E se arriscara a ferir a moralidade provinciana daquela roça norte-americana.

Nos seus últimos dias, Stoner honra a própria solidez, na solidão, e tenta mirar a Indesejada nos olhos.

A narrativa é fluente ao narrar o correr do tempo. Apega-se às marcas das estações, suas cores e aromas, e aos sinais da passagem das horas dentro e fora dos penitentes, morituri, nós todos.  

Li mais, coisas mais recentes.

Fernanda Montenegro, enfim, seu livro é de setembro, me entreteve em madrugadas com Prólogo, ato, epílogo.

Ao enveredar na biografia da atriz e a nas histórias fundadoras do teatro brasileiro e tudo mais, desde o radioteatro, os grandes atores e diretores, uma história cultural, afinal das contas, pensei em onde nos metemos.

Pensava, na pior comigo mesmo, na regressão cultural no Brasil de hoje. Ainda se andássemos para trás!. Mas não. Achamos o vácuo e a boçalidade. Estacionamos no lixo.

Fernandona estudou na escola Berlitz nos anos 1950. Foi secretária bilíngue, uma moça de família, cristã. Sua família e a dos avós imigrantes ralaram pacas, em Minas, no Rio, até se estabelecerem sem luxos.

Gostei de saber que ela viajou tarde ao exterior, com o marido e os dois filhos. Ela me disse algo ai.

Eu também viajei tarde. Talvez por isso, pensei, eu, como a atriz, tenha levado a viagem sempre tão a sério.

“Uma viagem ao exterior nessa época [1973] não era um acontecimento banal na vida de uma família de classe média. A avidez de conhecer o máximo possível vinha da ideia de que talvez não houvesse uma segunda oportunidade”, ela conta. Eis o ponto.

O Aires também me lembra a viagem. Rumino algo a respeito.

O Conselheiro sobe para Petrópolis com um amigo, o Desembargador Campos, um entusiasta do transporte ferroviário, com o ritmo e os arrancos do trem que tomaram em Mauá. “Só o tempo que a gente poupa!”, maravilha-se o Campos, conta o Aires, que anota em seguida:

“Eu, se retorquisse dizendo-lhe bem do tempo que se perde, iniciaria uma espécie de debate que faria a viagem ainda mais sufocada e curta.”

O bem do tempo que se perde. Machado se refere ao que podemos apreciar tranquilamente, à paisagem que Aires curtia ao subir a serra nas caleças puxadas a burro. Helahoho! helahoho!

É preciso dizer isso aos ensandecidos pela selfies e fotografias do Instagram, que mal veem e sentem os lugares aonde vão.

Ao mesmo tempo que lia Fernanda, lutava um pouco para entrar em sintonia com Pontos de fuga, sequência da trilogia Um lugar sombrio, iniciada com A noite da espera, de 2017. Até que consegui, peguei a faixa da emissão, creio.

O romance assume aqui um tom poético, quase devoto à poesia ou a uma estética da prosa poética. É por esse meio, me parece, que Milton Hatoum buscou algo novo para interpretar a memória do atoleiro que foi a ditadura para uma geração que se fazia adulta.

O movimento aqui é mais lento, apesar do andamento obtido pela forma da narrativa. O que lemos são anotações dos cadernos, o memorial de Martim e, agora, também de alguns de seus chegados, por onde o espiamos, por terceira pessoa
.
O moço volta para São Paulo para estudar arquitetura.

Os desenredos do personagem, sempre em busca da mãe, encontram seu apoio numa república de estudantes.

Os protestos contra o regime, o debate ideológico e estético, cenas de teatro, de bebedeiras e de febre existencial se alternam nos relatos;

E poemas, o desfrute do amor livre e a barra suja da força centrípeta que expele cada um de onde podia e deveria ficar e do que queria e podia ser.

A casa é cheia de poetas, artistas, intelectuais. E cheia de música.

Das tertúlias festivas e doloridas da república emana gravidade. Algumas falas são discursivas, impostadas, a revelar certa lucidez anacrônica, retrospectiva, ou a presença do autor.

Mas é urgente fugir, escapar da sombra da violência e do arbítrio que crescia no cair daquela tarde, e sobreviver.

A turma se manda para Manaus, para o Rio de Janeiro, para o interior de uma tribo nambiquara, para Santiago do Chile dias antes do golpe, para Paris.

Volta e meia retornamos ao futuro, ao exílio na Paris de 1979, ao anúncio da anistia e à conversa sobre o regresso ao Brasil.

“A memória só faz sentido depois do esquecimento?”, pergunta Martim em Pontos de fuga.

Saberemos a resposta, quem sabe, no último e derradeiro volume do romance.    


A Fiesp é fascista? Pergunta de Celso Rocha de Barros na Folha de S.Paulo a Paulo Skaf, presidente da entidade. “Associando-se ao bolsonarismo, Skaf está amarrando a elite do estado mais dinâmico do Brasil ao que há de mais imundo e atrasado na tradição política brasileira”, diz colunista. Ele pergunta também: “A vanguarda de nosso empresariado defende o torturador Brilhante Ustra, que introduzia ratos nas vaginas das presas? A locomotiva da nação dá graças a Deus porque Pinochet matou o pai de Michelle Bachelet?”

“Esquerdireita” — “A ideia de que Lula e Bolsonaro se tornaram a mesma pessoa, só que com sinal trocado, ofende os partidários de um e de outro”, diz Ruy Castro. “Para os bolsonaristas, Lula fu com o país. Para os lulistas, é o que Bolsonaro está fazendo na sua vez. Para os que não se enquadram em nenhuma das categorias, e que talvez sejam 60% da população, os dois lados têm razão.”

Elomar, o grande Bode — Uma raridade achar na leitura diária algum afago cultural. Tive um pela Ilustrada  ao saber de Estradar, disco de Verlúcia Nogueira e Tiago Fusco, voz e piano, com transcrições da obra de Elomar. Depois ouvi no streaming Nas barrancas do Rio Gavião, clássico de 1973. E achei uma notícia de 2015 sobre a “Ocupação Elomar” no Itaú Cultural. “Não faço show. Faço concerto. Show é o que a gente faz com galinha no terreiro: show, show!”, ensina o Bode.


Fail better direito, hombre — Vejo que o Silicon Valley tomou como mantra o “Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better”, de Samuel Beckett — referido nesta Jurupoca — a seus próprios interesses. Eva Kenny explica no Dublin Review of Books porque o reino do algoritmo e da inteligência artificial está errado sobre a filosofia do autor de Worstward Ho [Em inglês].

A arte de morrer — Peter Schjeldahl, 77 anos, crítico de arte da revista The New Yorker, está morrendo. Câncer de pulmão. Encara seu estado e reflete sobre o próprio fim em uma série de notas, com profundidade, humor, beleza, lucidez e um acerto de contas com quem ama e fez sofrer. [Em inglês]. Schjeldahl diz que o “mais delicioso” poema sobre a morte de alguém é de W.H. Auden, Em memória de W. B. Yeats. Helahoho! helahoho! Me encanta também, e temos uma tradução soberba de José Paulo Paes. O trecho citado por Schjeldahl diz assim:

Para ele, porém, foi a última tarde com ele mesmo,
Uma tarde de enfermeiras e boatos;
As províncias do seu corpo revoltaram-se,
Vazias ficaram as praças da sua mente,
Os subúrbios foram invadidos por silêncio.
A corrente do seu sentir cessou: ele tornou-se em admiradores seus. [“…he became his admires.”] 


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Sobre o autor da carta

Antônio Siúves vive em Belo Horizonte, no Belo, e gosta de andar a pé. É jornalista há 34 anos, veja você, e autor de Moral das horas, 21 poemas e Turismo cultural e literário na Europa.