Jurupoca #22

Belo Horizonte, 1º a 14 de Maio, 2020 — Carta 22

O comediante italiano Leo Bassi e sua versão maneira e atualizada da gorgeira (ou lechuguilla), a gola que foi “moda” na Europa entre os séculos XVI e XVII. Bassi homenageou o escritor Miguel de Cervantes no Dia do Livro, na tradição catalã de celebrar São Jorge (23 de abril). Foto: do próprio ator, em sua conta no Twitter. 

PREFÁCIO — MÁRIO FAUSTINO
 
Quem fez esta manhã, quem penetrou
À noite os labirintos do tesouro,
Quem fez esta manhã predestinou
Seus temas às paráfrases do touro,
A traduções do cisne: fê-la para
Abandonar-se a mitos essenciais,
Desflorada por ímpetos de rara
Metamorfose alada, onde jamais
Se exaure o deus que muda, que transvive.
Quem fez esta manhã fê-la por ser
Um raio a fecundá-la, não por lívida
Ausência sem pecado e fê-la ter
Em si princípio e fim: ter entre aurora
E meio-dia um homem e sua hora.
 
Poema que abre O homem e sua hora (Companhia das Letras, 2002), única obra publicada na curta vida do poeta, jornalista e ensaísta Mário Faustino dos Santos e Silva (Teresina, PI, 1930 – Lima, Peru 1962).

Opa! Vamos apear?

Meus planos de quarentenado fracassaram. Reler a Montanha mágica, ler Moby Dick, ou A Baleia, algo de Kafka, fazer exercícios em casa, arranjar livros nas estantes. Quê! e Qual!

A leitura segue picada, e as noites vão maldormidas. Mas não reclamo do tédio.

Abro novas frentes num imodesto currículo etílico. Inauguro, com amigos, o Bar Telemático. Isso é que se reinventar!

Somos dois ou três de saída no boteco virtual. No segundo copo, por assim dizer, já nos pomos a bulir com a santa paz de camaradas em retiro.

Há muito que mastigar e digerir nestes dias, e uma boa conversa com quem queremos bem é um contraveneno à realidade da pandemia, que é eterna enquanto dura.

E abril se escoou estranho, com seguidos dias cinzas. Não pude desfrutar da luz suave do outono inaugural que tanto prezo. Abril, aliás, mal existiu.

(Mas, veja você, nos últimos dias têm feito umas tardes lindas, límpidas e coadas no azul, tardes que me lembraram o Faustino no início da carta.)

Trinta dias convivendo com fantasmas por todos os lados. Você deve conhecer a célebre passagem de Pascal

“Todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade do homem de ficar quieto, sozinho em uma sala.” 

Helahoho! helahoho!

Pascal, matemático e filósofo do século XVII, tem algo a nos dizer agora sobre a internet e as redes sociais, pro bem e pro mal. Nossas conexões tornam a vida mais suportável, como a infernizam também, por certo.

O filósofo, matemático e ensaísta Javier Echeverría (entrevista em espanhol) diz que nos tornamos tecnopessoas. A natureza é nosso primeiro ambiente; as cidades, o segundo; a tecnologia, o terceiro. Tecnopessoas. É isso aí.

Tal ambiente tem seu aspecto benéfico, clarificado na pandemia. O fluxo de informação qualificada, o diálogo e a atenção à distância são bênçãos deste tempo em que somos guiados pela tecnologia.

Mas tal entorno é vulnerável à infecção de outra força maligna: o tecnovírus.

O tecnovírus contamina a célula social com notícias fraudulentas e toda espécie de manipulação.

O bombardeio digital afeta principalmente quem está menos preparado para administrar cargas apocalípticas de informação. E, pior, se vê no meio do bombardeio das guerras culturais e ideológicas.

Uma pausa, please.

Entro a seguir com uma nova seção da Ju, que vive de inventar modas: O intervalo musical. Passo a entremear a carta com canções que me vêm ao leu, no dial do dia e da memória.  

Você, minha leitora, meu leitor, me diga o que mais aprova ou desaprova. 


Jurupoca internou-se com Sampaio no Engenho de Dentro

Com Sérgio Sampaio (Cachoeira do Itapemirim, ES, 1947- Rio de Janeiro, RJ, 1994) e o blues Que loucura, do álbum Tem que acontecer, de 1976. “Fui internado ontem/ Na cabine cento e três/ No hospital do Engenho de Dentro/ Só comigo tinham dez// Eu tô doente do peito/ Eu tô doente do coração/ A minha cama já virou leito/ Disseram que eu perdi a razão// Eu tô maluco da ideia/ Guiando carro na contramão/ Saí do palco e fui pra plateia/ Saí da sala e fui pro porão.” — A versão do Luiz Melodia (Rio de Janeiro, RJ, 1951- Rio de Janeiro, RJ, 2017) é do balacobaco. A par de um outro compositor que fez história na cultura popular, o Melodia é um de nossos raros grandes intérpretes masculinos. Já o Sampaio, espero, deixou há muito de ser lembrado como “maldito” para, ainda que postumamente, ser empossado entre os imortais da academia da MPB, a ocupar a cadeira que lhe é de direito.


Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô… Ghi — …?

Depois da hidroxicloroquina, o Trump saiu-se com a tal injeção de desinfetantes contra sua little flu, gripezinha.

Chegaram a afastá-lo, o Trump, das coletivas, depois disso. E o Zé Bonitão Atômico se considera nada menos que “uma pessoa muito inteligente” e um “gênio muito estável”, como notou o The New York Times.

Cloroquinas e pílula do câncer — e toda panaceia “prescrita” por autoridades — têm a mesma natureza insana.

Ameaçam à saúde pública e levam falsas esperanças aos aflitos, o que é uma crueldade: enganar a lucidez quando a luz é tão necessária quanto o ar.

Claro, em nossa época a decência está em perigo, diz o historiador norte-americano Timothy Snyder, pensando em Trumps e na sua cópia tropical fajuta e tóxica.

Ao menos, alguns jornais estão obstinadamente defendendo a verdade factual contra mentira, a manipulação e a infâmia. O Snyder fala dos EUA, mas fala por nós.

O acesso à informação qualificada e a transparência ajudam inclusive no controle das enfermidades, ele diz, reportando-se a estudo recente publicado na revista científica The Lancet.

Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô… Ghi — …? 


Jamais sonhei em ver na presidência de meu país uma doutora em química quântica poliglota como Angela Merkel.

A chancelar é aplaudida dentro e fora da Alemanha pela coragem, equilíbrio e competência reafirmados em seus atos e palavras no enfrentamento da crise sanitária.

Mas uma peste causada por um vírus simultânea a uma peste política é dose pra tiranossauro!  

A primeira, desgraçadamente, resiste a todas as terapias testadas até aqui, apesar do volume de ensaios realizados no mundo.

(Quando escrevo isso, leio que as autoridades de saúde nos EUA demonstravam um “otimismo cauteloso” com o antiviral remdesivir.)

A segunda peste se mantém resiliente em grande medida pela ação do Gabinete do Ódio, ou seja, pela disseminação criminosa de ataques contra adversários por milicianos digitais e robôs online (contas falsas).

Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô… Ghi — …?

O povo decidiu mais um BBB — entretenimento nacional por excelência — coberto há décadas pelos cadernos de ex-cultura.

Enquanto isso a ceifadora, a Indesejada das gentes, tangia seu rebanho Brasil afora. Pois vejam que maravilha de cenário, que samba enredo! Que aquarela!

Bandeira e a Indesejada das gentes

E daí?

As pilhas de mortos são um estorvo na reeleição de sua Excrescência, incapaz de demonstrar compaixão, um sintoma compatível com a psicopatia.

As pilhas de mortos são um estorvo pra muita gente.

Há uma estúpida indiferença no ar por parte de quem não consegue enxergar as transformações da vida no horizonte.

Malditos mortos!, gostariam de berrar. Tragam nossas vidas de volta! Nossas rotinas! Mas os mortos não podem fazer nada.

Neste momento, enquanto nação somos gentinha, que catástrofe. 


O triunfo da morte, ilustração de uma edição (1503) de Francesco Petrarca.
 Reproduzido do National Review

A ilustração acima é emprestada do artigo Death and the Coronavirus (A morte e o coronavírus), do ensaísta e contista norte-americano Joseph Epstein. Saiu na revista norte-americana National Review. O subtítulo diz “uma meditação pela praga”.

O Epstein percorre ideias clássicas sobre a morte. Lá está uma obra de minha predileção, A morte de Ivan Ilitch, a grande novela de Tolstói, numa de suas passagens mais reveladoras.  

Faz pensar na reação mais comum às vítimas das “Kung Flu” (no apelido de uma amigo de Epstein), mas se aplica muito bem a outras situações da vida: 

“Além das considerações sobre as possíveis transferências e promoções resultantes da morte de Ivan Ilitch, o próprio fato da morte de um conhecido tão próximo despertou, como de costume, em todos os que souberam do acontecido, esta sensação tranquilizadora: “Quem morreu foi ele e não eu.”

“Cada um pensou ou sentiu: “Bem, ele está morto e eu vivo”! […]
 
Tradução de Carlos Lacerda – Lacerda Editores, Rio de Janeiro, 1997


Jurupoca também é MPB

Com João Bosco (Ponte Nova, MG, 1946 -) e Aldir Blanc (Rio de Janeiro, RJ, 1946 -) em A nível de, do LP Comissão de Frente (1982). “[…] Vanderley e Odilon/ bem mais unidos/ empataram capital/ e estão montando/ restaurante natural/ cuja proposta/ é cada um come o que gosta.// Yolanda e Adelina/ bem mais unidas/ acham viver um barato/ e pra provar/ tão fazendo artesanato […]”. A canção é uma crônica de costumes e uma crítica social pioneira deslavada e engraçadíssima. Pega o espírito de uma época que começava a impor as questões de gênero e cultivava o escapismo natureba.


O tal organismo, o vírus, põe nossa espécie nas cordas, e isso dá um bom debate agora sobre onde o progresso nos trouxe.

Contra Cassandras e agourentos, o cientista cognitivo Steven Pinker e outros autores asseguram, ao menos asseguravam, que nunca fomos mais felizes.

A civilização e a ciência nos reinventaram pra muito melhor. Vivemos no melhor dos mundos.

Pura bobagem, diz o escritor e pesquisador norte-americano Christopher Ryan em Civilized to Death: The Price of the Progress (Civilizados até a morte: o preço do progresso), inédito no Brasil.

Leio a versão eletrônica espanhola, mais em conta. (Há trechos em português neste blog “eco-anarquista”, mas não avaliei a qualidade da tradução).

Ryan, é coautor de Sexo antes de tudo, lançado ano passado pela Martins Fontes. Neste enlace (link) ele trata do assunto, sexo, numa conferência TED.

Mas no ensaio a que me refiro, uma das minhas leituras picadas nestes dias e madrugadas, ele desafia a narrativa do progresso perpétuo (NPP) dos neohobbesianos, versão atualizada de uma velha história.

Em certas condições, o homem é o lobo do homem. Devora-se diante da escassez, incapaz de demonstrar empatia e solidariedade, numa luta de todos contra todos, segundo a NPP.

O Estado, com seu aparato fiscal e ordenador, nos redimiu da selvageria inerente à espécie.

Ocorre, contra-argumenta Ryan, que a civilização e o progresso não nos fizeram muito bem. Somos a sombra do que éramos e sofremos com isso.

Nos tornamos alienados, deprimidos, obesos, humilhados, medrosos, frágeis e desiguais, além de mais susceptíveis a ataques de vírus e outros microrganismos.

Sem falar que provavelmente estamos acabando de acabar com o planeta, entupido por gases de efeito estufa, com aquíferos contaminados ou secos e mares mais ácidos e poluídos por microplásticos.

O livro recorre a pesquisas de arqueólogos e antropólogos renomados junto a tribos primitivas para defender seu ponto de vista.

Nossa espécie nunca mais foi a mesma desde que deixamos de ser caçadores-coletores — nestes últimos dez mil anos — pra cultivar os campos e estabelecer povoações, cidades e estados.

Isso, dez mil anos, é 1% da história do Homo sapiens sapiens, o hominídeo que sabe que sabe.

Íamos melhor na idade da pedra lascada, prega o Ryan, nos outros 99% do nosso tempo na Terra.  Evolutivamente já éramos o que somos hoje.

Mas tínhamos cérebros um pouco maiores e, talvez, o autor se arrisca aqui, fôssemos um tiquinho mais inteligentes.


Uma imagem contendo relógio, placar, desenho

Descrição gerada automaticamente

A invenção da agricultura fundou as hierarquias de poder, trouxe a escravidão e a desigualdade entre os sexos.

 Antes, comíamos alimentos mais nutritivos e éramos seres mais gregários, solidários e divertidos, inclusive no sexo e no cuidado com as crias.

Estávamos longe de ser as criaturas ferozmente egoístas, voltadas umas contra as outras, que os herdeiros de Hobbes, diz Ryan, propagam com seu “catecismo do progresso”.

Pesco e traduzo um fragmento: 

“Em muitos sentidos, neste momento histórico [o abandono do modo de vida nômade pela agricultura] o Homo sapiens sapiens se converteu em um animal diferente. Desde então e até hoje — e amanhã também, — quase todos os membros ‘civilizados’ da nossa espécie viveram e vivem em um mundo social governado por instituições que exigem um comportamento […] frequentemente em conflito direto com capacidades e preferências inatas que evoluíram ao longo de milhões de anos, e graças a que o  compartilhamento [de alimentos, ferramentas, cuidados com os bebês etc.] e a autonomia individual foram elementos fundamentais para a sobrevivência humana. Nossa espécie deixou de viver no mundo para viver em um zoológico que nós próprios criamos.”

O Ryan tem o estilo desmedido do ensaísmo norte-americano, típico de conferencistas animadores de plateias.

Seus achados e sua diatribe contra o progresso nos deixam humanamente com as calças na mão. Mas e daí?, o leitor se perguntará.

Herdamos uma planeta exaurido, e nos entupimos de antidepressivos e outras drogas, e somos  mesmo uns animais ridículos no parque humano muito bem descrito por ele.

Mas fazer o quê? Seu livro passa longe de sugerir alternativas que não sejam sonháticas ou manjadas.

Ainda assim, vai como válido contraponto a Pinker e outros apóstolos dos benefícios do trabalho árduo e do progresso “direto e reto” e a qualquer custo. Mas uns e outros postam-se de gurus. Melhor aprender um pouco com um e outro lado sem embarcar em nenhuma canoa.

Acho o Pinker um chatola. Outro grã-chatola é o Richard Dawkins, evangelista-mor do ateísmo e autor do best-seller clássico O gene egoísta, cuja tese é confrontada pelo Ryan com argumentação científica.

O Ryan ainda tem o estilo mais palatável que a entediante escrita de Dawkins, ao menos nas traduções em português de seus livros que me chegaram às mãos.

Pra quem quer se soltar

Com Milton Nascimento (Rio de Janeiro, RJ, 1942-) e Ronaldo Bastos (Niterói, RJ, 1948) em Caís (1972).  Neste episódio (lá pelos 20 minutos do vídeo) do excelente Milton e o Clube da Esquina, Bastos — o melhor letrista do Clube e um dos grandes da canção popular — conta que escreveu Caís aos 17 anos. Proeza à Rimbaud. O sentido da música neste instante é óbvio, e não canso cantarolá-la: “Para quem quer se soltar/ invento o cais/ Invento mais que a solidão me dá… Para quem quer me seguir/ eu quero mais/ Tenho o caminho do que sempre quis/ E um saveiro pronto pra partir/ Invento o cais/ E sei a vez de me lançar”. Há muitas e ótimas gravações. A de Milton, claro, a de Nana Caymmi, a de Carminho, a de Caetano Veloso… Adoro o arranjo com a voz puríssima do registro de Elis Regina (Porto Alegre, RS, 1951 – São Paulo, SP, 1982), no álbum Elis, de 1972.


Se minhas leituras seguem picadas, a música me embala as horas.

Com grande prazer, passo pelos clássicos, aprimoro minha lista de jazz e depuro o listão de música popular brasileira, a que sempre volto e anda por 1.006 canções, garimpadas durante largos anos de dedicação.

Ouvir o listão no modo acaso amiúde me surpreende, emociona e diverte.

Quarta-feira à noite eu preparava uma carne moída com batatinha e azeitona. Pelas tantas, a música que vinha da sala me distraiu e me desandou a receita.

Logo depois de Manera Fru Fru, Manera (Raimundo Fagner e Ricardo Bezerra) — última faixa do lado 2 do melhor disco do cearense, aliás, outro LP do ano miraculoso (musicalmente) de 1972, também de Clube da Esquina, Transa e Acabou Chorare)… — começa a tocar… Adivinhe?

Malandragem dá um tempo (Adelzonilton, Moacyr Bombeiro e Popular P.), o grande sucesso de Bezerra da Silva!


Manera Fru Fru, Manera e Malandragem dá um tempo! Dois convites quase lisérgicos à relaxação! Mesmo pra quem nem aperta nem acende unzinho há séculos.

Ah, há mais coisa entre o céu e a Terra, Horácio, do que sonha nossa vã filosofia, né não?

Helahoho! helahoho!

Além disso, tuta e meia. Nonada.   


MOURA EM NOVA YORK. O jornalista Pablo Pires, diretor de redação da revista online Dom Total e figura paradigmática cultivada por esta Ju, me conta que há ano e pouco seu amigo Rodrigo Moura, em priscas eras um colega nosso da redação de O Tempo, é o atual curador-chefe do El Museo del Barrio, em Nova York. Vejo que deu no New York Times. Rodrigo foi diretor artístico e curador do Inhotim por 12 anos e curador-adjunto do Museu de Arte de São Paulo, o Masp. Nesta entrevista à revista de arte contemporânea londrina Frieze ele comenta sua atuação e anuncia planos para o museu norte-americano — fundado no East Harlem em 1969 por um grupo de educadores porto-riquenhos, leio no Times.

MANIPULAÇÃO DIGITAL. Patrícia Campos Melo resenhou as memórias de Brittany Kaiser, que escarafuncham as técnicas utilizadas pela Cambridge Analytica para conduzir a opinião pública. A consultoria ajudou a eleger Trump e deu força ao Brexit.

CRIME. Sophie Gilbert, em The Atlantic, lista e comenta 20 séries de crime e investigação, sugeridas para eventuais maratonas de confinamento. Pode ser que no Brasil apareçam em plataformas distintas.

CLÁSSICOS DO CINEMA. [Dica e texto do Pablo Pires] Esta distribuidora está colocando no ar uns bons clássicos (perdi o que mais me interessava: Tarkovski e Sokurov – o Fausto, deste, é maravilhoso!).

ŽIŽEK EM HOLLYWOOD. O filósofo esloveno pode ser acusado de muita coisa, menos de não ter humor e não escrever bem. Suas tiradas sobre o cinema hollywoodiano, aqui aplicada aos filmes sobre epidemias, são singularíssimas.

RAFAEL VIRTUAL. [Dica do Pablo] A grande exposição produzida em Roma para celebrar 500 anos do gênio renascentista esteve aberta apenas por uns dias, antes que a cidade eterna se fechasse contra a Covid-19. Mas a exposição caiu na rede (texto em inglês).

LOUVRE VIRTUAL. O site Catraca livre indica uma visita virtual ao museu parisiense. Cá entre nós, noves fora a pandemia, hoje prefiro visitar o Louvre bem de longe, evitando as multidões que se acotovelam em seus espaços, atarantadas por Mona Lisas e selfies.

MOSCOU EM CASA. O guia de viagens do El País recomenda passeios virtuais pela capital russa.

SHOWZAÇO. Dobrando a carioca, show com Zé Renato, Jards Macalé, Guinga e Moacyr Luz, aberto há pouco pela Biscoito Fino no Youtube, é um espetáculo antológico, pra falar pouco.

HEAVY METAL. [Dica e texto do jornalista e escritor Roberto Mendonça, outra figura paradigmática e leitor de primeira hora da Ju] “Uma sugestão de roqueiro velho: Ouvir, movido a álcool e com o fone de ouvido no volume máximo, a faixa original Megalomania do CD Sabotage (tem remasterizado no YouTube). A música foi lançada há quase 50 anos, começa lenta e angustiante como um blues, vai esquentando e o finalzinho é algo apoteótico. São mais de nove minutos de gravação mostrando a técnica e o sentimento do Sabbath. A letra fala de se vender a falsos deuses e enfrentar inimigos invisíveis…”

E PUNK. [Mais uma dica com texto do Pablo] “Bom, eu gosto de punk. Esta música que abre o clássico álbum (de estreia) do Wire, em 1977, é ainda perfeita. Sobretudo para jornalistas. Letra incrivelmente precisa.”

JURUPOCA, O AUTOR
E COMO CONTRIBUIR

 

Jurupoca é uma publicação semanal dedicada às ideias, à crítica cultural e à seleção de conteúdos relevantes numa época de quase extinção do jornalismo cultural, ao menos o que se entendia por esse subgênero, antes de as redes sociais remodelarem nossas vidas. Considere contribuir com a publicação, por meio de uma doação regular — de quanto e no dia em que puder. Para isso, clique aqui, ou copie e cole a URL https://pag.ae/7VCz1usG6. Você será direcionado a uma conta UOL/PagSeguro. Antônio Siúves, seu autor, é jornalista há 34 anos. Escreveu Moral das horas, 21 poemas e Turismo cultural e literário na Europa.



 

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