Ju Extra — Carta de Quarentena #06

Uma imagem contendo relógio, placar

Descrição gerada automaticamenteEdição de Quarentena N° 6 — Belo Horizonte, Minas dos Matos Gerais, 22/05/2020


Deu no New York Times (versão em português): Licença para matar’: por trás do ano recorde de homicídios cometidos pela política no Rio /  Uma análise do Times constata que policiais disparam sem restrições, sob proteção de superiores e políticos, certos de que não haverá consequências para homicídios legais. A reportagem do jornal norte-americano saiu na segunda-feira (19). Como para ilustrá-la ou reiterá-la, no dia seguinte mataram o menino João Pedro Matos Pinto, de 14 anos. João foi baleado e morto em uma operação das polícias Civil e Federal em São Gonçalo, região Metropolitana do Rio. O governador Witzel é da mesma cepa homicida de onde brotou o chefe do Executivo. “Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”, já pregava este nos anos 1990; “a polícia vai mirar na cabecinha e… fogo, anunciava aquele na campanha eleitoral. Tiveram milhões de votos por defenderem o bafo do “excludente de ilicitude”, essa permissão aos crimes policiais contra pobres moradores de favelas. Então, veja-se quem pode e quem não pode chorar por Joãozinho, ou, por um segundo, sentir-se na pele de seus familiares.


Opa! Vamos apear?

Quem lê a Jurupoca desde seu número inaugural, de quase um ano atrás, sabe que esta carta é um work in progress em busca de clareza, direção e utilidade, sem corromper seus propósitos.

Aceito e aprendo com as críticas que recebo, ao perseguir um caminho novo e próprio.

Ganho leitores e isso me anima. E me alegram os primeiros apoios que recebo de quem pode contribuir para a continuidade do trabalho.

Agradeço cada doação enviada e lastreio essa ajuda no compromisso de tornar este trabalho mais e mais relevante. O missivista não tem outra atividade como jornalista. Desde março, é jurupoco em tempo integral.

A ideia da carta surgiu durante uma caminhada no Parque Municipal, cá no Belo, numa manhã de junho passado.

Entendo que me preparei para escrevê-la em mais de três décadas de exercício profissional. Seu projeto, portanto, se confunde com um ideal de vida.

A pedra de toque da Jurupoca é criar uma microfissura num mundo marcado pela banalização e a superficialidade, no qual a imprensa cultural não mais se distingue na era do jornalismo online.

A atenção do leitor interessado em informação e crítica qualificadas sobre grandes livros, filmes, séries, gravações ou no debate de ideias é disputada por fofoca e pornografia caça-cliques — de que vive a quase totalidade das publicações na internet.

É o espólio do apresentador Gugu, é o reality show, é a rusga entre celebridades, é a receita de abobrinha, é não sei mais quê.

Valorizar a criação artística é uma pedagogia civilizatória. Representa uma ética, por certo. Não se destina a salvar o mundo, claro, mas, pode tornar a vida mais plena.

O projeto é tornar o envio da carta semanal, como  já é na prática, com as edições extras de quarentena, e lançar novos produtos.

Helahoho! helahoho!

Uma imagem contendo desenho

Descrição gerada automaticamente
Tenho acompanhado com interesse as profecias, como prefiro chamar certas previsões sobre o mundo pós-pandemia.

Consultores, empresários, especialistas de vários naipes anteveem à vontade o mundo novo, a “nova normalidade”.

Uma matéria de O Globo dá como certo que teremos mais “austeridade e senso de prioridade”; que o turismo vai se danar; que garçons vão nos servir vestidos como enfermeiros; que a globalização vai mesmo pro saco etc.  

O mundo que conhecemos, antecipa-se, vai acabar.

O que me parece certo e fácil de antever é que o fosso da desigualdade realmente vai se aprofundar. (Quanto ao Brasil, com seu combo de vírus e fanatismo que nos é servido, melhor calar.)

Sabemos que novas tecnologias transformam nossos hábitos, e a nós próprios, assim como a facilidade econômica de comer e consumir produtos e serviço nos engorda e afeta nosso caráter.

E que nos adaptamos às circunstâncias, venha a barra que  vier, ao conseguir sobreviver.

Mas em termos evolutivos nossa capacidade cognitiva é a mesma há milênios, e bota milênios nisso; seguiremos os mesmos até que os laboratórios do Vale do Silício concluam seu projeto do Humano 2.0.

Por enquanto, é seguro afirmar que a força de gravitação da desigualdade permanecerá constante. Continuará a atrair injustiça, indiferença, hipocrisia e perversidade.

Creio que a sociedade que não conquistar a igualdade de oportunidades para os que vão nascer será sempre o inferno na terra regido pela clave da miséria e pelo disfarce esperançoso dos mais privilegiados.

Ademais, estou com o detetivesco e filósofo Dr. House sobre a humanidade: People don’t change. Numa tradução bastante livre, gente é gente.

Helahoho! helahoho!

Além disso, tuta e meia. Nonada.


Guerra às fake news
Um estudante, que por segurança não revela sua identidade, abriu no Twitter no último domingo (17) uma conta brasileira do movimento Sleeping Giants. A iniciativa nasceu nos EUA pra combater o financiamento dos sites da extrema direita que propagam notícias fraudulentas e mensagens de ódio. O objetivo é impedir que recebam dinheiro com publicidade. Sleeping Giants aponta empresas com anúncios no sistema Google veiculados em sites porcaria, a exemplo do bolsonarista Jornal da Cidade Online. Em poucos dias, a conta brasileira alcançou 20 mil seguidores. Grandes empresas que indiretamente contribuem com a desinformação se comprometem a bloquear seus anúncios nas cloacas da internet. Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino e Telecine estão entre elas.  

Leituras ilustríssimas
A centenária livraria de língua inglesa Shakespeare and Company é uma das dádivas de Paris. Nos anos 1920/30 o lugar se tornou um porto seguro de escritores e intelectuais de várias nacionalidades. Alguns pertenciam à chamada Geração Perdida, na expressão da escritora norte-americana Gertrude Stein. Eram jovens que tiveram a má sorte de amadurecer durante a I Guerra Mundial. A casa lendária, fundada pela norte-americana Sylvia Beach, responsável pela primeira edição do Ulisses, de James Joyce, além de vender, emprestava livros mediante inscrição e cobrança de taxa. Entre os fregueses ilustres desse serviço estiveram Stein, Joyce, Hemingway,  Aimé Césaire,  Simone de Beauvoir, Jacques Lacan, e Walter Benjamin. Com o fascinante Shakespeare and Company Project, organizado pela Universidade de Princeton, nos EUA, podemos saber agora o que esses e outros clientes da livraria liam e por quais autores mais se interessavam. O acervo do projeto, excelentemente bem organizado e documentado, pode ser consultado em buscas por autor, obras ou fichas de empréstimo.

Livro e música
Sinta o clima que reina hoje na Shakespeare and Company neste charmoso vídeo da banda Moriarty, gravado na livraria no lançamento de seu álbum The Missing Room (2011).

“Lives fabulosas”
O pensamento mágico, o otimismo iluminado e, óbvio, genial, do publicitário Nizan Guanaes pode te tirar do mais fundo desespero, e quem sabe, melhor até do que a cloroquina, de livrar do próprio Corona. Mas, cuidado, experimente com moderação. O alumbramento açucarado e brega pode fazer do remédio um veneno. Nesta coluna da Folha ele nos ensina, citando a filósofa Regina Casé, que “ser pop é gostar das coisas”. Já a antevisão de outro sábio, o financista Ray Dalio, nos consola ao garantir que “a saída desta crise é a criatividade humana”. Nizan explica que está “estagiando nas lives aos domingos” e que tem “visto lives fabulosas”, onde “transborda a inteligência” de padres, influenciadores digitais, duplas sertanejas e políticos. Maravilha pura. O Nizan certa vez paparicou seus conterrâneos Caetano Veloso e Gilberto Gil com o epíteto “patrimônios intombáveis” da humanidade. Isso em 2015. Fiquei tão comovido que compus um pequeno suelto (como Delfim Neto ainda chama o comentário breve) a respeito. Agora o Midas publicitário e bilionário genial compartilha com seu leitorado outro achado. “Não tem só coisas horrorosas nessa pandemia. Tem dignidade, tem altruísmo, tem solidariedade, tem gente que vai morrer no front para que as pessoas sobrevivam”, recita, destacando de passagem a maravilha que é o eterno reality show BBB, que, ele informa, agregou 1 milhão de votos! na sua última versão, ao trazer pra “famosa casa” alguns influenciadores digitais, se entendi bem a coisa.

Desacertos cerebrais
A doutora Suzana Herculano-Houzel explica neste artigo da Folha como a tal da hipóxia silenciosa — o comprometimento da oxigenação do sangue pela Covid-19 sem que a vítima se aperceba — passa batida no cérebro.

Impeachment já!
Hélio Schwartsman está com a Jurupoca na defesa do impeachment como questão de honra ou, em suas palavras mais exatas, “obrigação moral”. Diz o colunista da Folha:

“Os crimes de responsabilidade cometidos pelo atual mandatário são tantos, tão ostensivos e tão graves que deixar de acusá-lo equivaleria a coonestar suas atitudes”.

Brasil x Suécia
O papo sobre a pandemia entre nós segue torto e retorcido. Além da tentativa de impor a cloroquina goela abaixo dos brasileiros mais pobres, persiste a comparação maluca entre a estratégia adotada pelos suecos e as iniciativas em curso no Brasil, sempre aos trancos e barrancos. E não podia ser diferente num país tão desigual. Mesmo um colunista de primeira ordem como o sociólogo Demétrio Magnoli, entre os melhores da nossa imprensa no emprego da inteligência aplicada à análise da informação, comete suas putadas, como se diz na Espanha. Num bom artigo em O Globo em que faz críticas mais ou menos justas aos secretários estaduais de Saúde, Magnoli conseguiu ver um polo simétrico à extrema direita bolsonarista (de viés psicopata), que batizou “fundamentalismo epidemiológico”. Deveras, Magnoli? Será justo contrastar esses dois “fundamentalismos”, sugerindo que ambos padecem da doença do fanatismo? Magnoli é um bom e bravo escudeiro das “liberdades civis” ameaçadas em governos ditatoriais, como o chinês, ou semiditatoriais, caso do húngaro. Leitor fiel de seus textos, sinto que sobre a pandemia ele tem hesitado ao escrever exatamente o que pensa. E me arrisco a dizer que tem lhe faltado alguma clareza e coragem ao opinar, como nunca antes. Nas entrelinhas, elogia o modelo sueco de controle da propagação do vírus, mas nem imagina ou não nos revela como tal modelo poderia ser aplicado no Bananão. Mirar democracias europeias, como a italiana, ou mesmo a cacofonia brasileira regida por Sua Excrescência, responsável por muitas das dificuldades enfrentadas nos Estados, é equilibrismo retórico em corda bamba. Fora uma ou outro exorbitância, logo contestada pela Justiça, as medidas de isolamento social em curso são rigorosamente legais, a despeito da oposição cerrada e hedionda do governo federal. Também é preciso não confundir o sentido dicionarizado de “confinamento”, a pena aplicada por governos autoritários a dissidentes políticos, com “confinamento” como palavra de ordem surgida nesta crise. É o que o Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa discute nesta coluna do El País Brasil.

A Suécia é aqui?
“Vamos falar da Suécia? Pronto! A Suécia não fechou!”. A frase escrota, típica da ventosidade verbal de Sua Excrescência, cheia mal e intoxica incautos e fanáticos. O sucesso do modelo sueco de controle da Covid-19 será mais bem avaliado no final desta triste história. Mas a Suécia está longe de ter dado as costas à ciência, e muito mais longe de ser governada por lunáticos. Aliás, os hospitais do país suspenderam o uso da cloroquina, diante dos efeitos colaterais verificados. Nesta ótima reportagem da Folha, Ana Estela de Sousa Pinto traça um panorama realista e pormenorizado da realidade no país escandinavo, cuja população, pra citar apenas um dado referido na matéria, equivale à de São Paulo, com uma densidade demográfica oito vezes menor.

Cenas brasileiras
Miguel Scrougi
, professor titular de Urologia da Faculdade de Medicina da USP, diz de maneira direta o essencial. Agorinha, o que é mais importante? Scrougi lembra de saída que os melhores resultados no combate à doença estão sendo obtidos em países governados por líderes eficientes, nos exemplos de Alemanha, Japão e Austrália, entre outros. “Revendo essas estratégias, confesso que fui tomado por um certo incômodo”, diz o médico. “Seria possível mitigar a catástrofe emergente no Brasil, país esfrangalhado pela desigualdade, com uma rede sanitária arruinada e, pior, dirigido por um presidente mais preocupado em salvar a família do que proteger os filhos da nação?”, ele se pergunta neste artigo da Folha. “Nem tentei responder”, continua o doutor, “logo me lembrei das imagens impiedosas que hoje desfilam nas nossas telinhas, expondo o sofrimento do povo brasileiro na sua forma mais cruel, a mistura do pavor pelo ataque temido, a dor pelas perdas extemporâneas e a impossibilidade de poder expressar indignação.”



Guia para o Netflix
O The New York Times selecionou os 50 melhores filmes do catálogo da Netflix, num trabalho bacana de seu time de críticos.

The Americans
Por falar no Vargas Llosa, o autor de Conversa na catedral também é fã de The Americans, a série criada por Joe Weisberg. Em sua última coluna no El País Brasil ele louva a história do casal de espiões da KGB infiltrado como americanos típicos no subúrbio de Washington, já nos anos finais da Guerra Fria. Llosa diz que se “atreve efusivamente a recomendar” o seriado por seu nível intelectual. As seis temporadas (2013-2018) seguem coerentemente o fio da narrativa e se aprofundam aos poucos nos dilemas morais que afligem o casal Philip (Matthew Rhys) e Elizabeth (Keri Russell) Jennings. Eles têm de se rebolar pra manter as aparências. Além da fachada de empresários donos de uma agência de turismo, precisam criar os dois filhos americanos, que acompanhamos até entrarem na adolescência, e atender prontamente às demandas do serviço secreto soviético. Sem falar dos dribles na vigilância do FBI! Por acaso, um agente da contraespionagem do Bureau vai morar em frente aos Jennings! Roteiristas, diretores e atores precisam ser muito bons pra enfrentar as cambalhotas e surpresas do cotidiano em uma trama dessas sem escorregar no lugar-comum ou no simples besteirol. Philip e Elizabeth, agentes inteligentes e bem treinados, não são espiões soviéticos caricatos. The Americans esteve entre minhas séries favoritas mencionadas neste artigo. Os episódios podem ser alugados na Amazon Prime.


Visita ao D’Orsay
Tenho tremenda simpatia pelo lugar e aproveitei este programa do Google Arts and Culture para revisitar a história e o acervo do delicioso museu parisiense — Da estação ferroviária ao Museu de Orsay renovado.

Aeon + Psyche
O já excelente site em língua inglesa Aeon, dedicado à publicação de ensaios e vídeos no campo das ciências, ideias, filosofia e cultura, acaba de lançar a revista online Psyche, espécie de filhote cujo propósito é explorar as conexões entre a investigação filosófica, os conhecimentos práticos e as artes. Por ali cheguei ao curta de animação franco-dinamarquesa Nothing Happens (nada acontece), uma instigante história sobre nossa capacidade de gerar expectativas e observar a natureza.

Pra sair do tempo
O álbum Debussy – Rameau do jovem pianista islandês Vikingur Ólafsson é encantador, e o que mais tenho ouvido nestes dias. Lançada há pouco pelo selo Deutsche Grammophon, a gravação tem uma beleza inequívoca. A música nos abre um intervalo de irrealidade e gratidão à beleza. As peças de Claude Debussy (1862-1918) e Jean-Philippe Rameau (1683-1764), compositores franceses que viveram períodos de transição na história da música, soam com inacreditável atualidade. Para uma análise técnica, veja-se Alex Ross, crítico titular da revista The New Yorker. Ele escreve que a técnica de Ólafsson é “assombrosamente exata e clara, quase translúcida”. Você não precisa ler partitura pra perceber isso.


Duas listas
Pra variar, vou recomendar mais uma lista do cineasta e produtor musical Fernando Trueba no Spotify, na série Música para estes dias. Ele reuniu aí no enlace coisas lindas de João Donato. Para Trueba, Donato é um “gênio do piano brasileiro”, um louco amável, douce folie.  Na apresentação do El País, ele comenta brevemente a biografia do músico acreano octogenário. Lembra que, quando viveu nos EUA, Donato foi pianista de Bud Shank, Mongo Santamaría, Cal Tjader e Tito Puente, entre outros bambas do jazz. A outra lista é de Gilberto Gil. Tem um recadinho do artista no início. Ele juntou canções que evocam sentimentos alusivos à pandemia, amor, devoção e divertimento entre eles. De quebra Gil me reconduziu a um belo álbum da Biscoito Fino de 1999 com versões brasileiras, adaptadas quase todas com maestria por Carlos Rennó, de clássicos de Cole Porter e George Gershwin. Tem Tom Zé com Você é mel (You’re The Top, de Porter, em tradução do poeta Augusto de Campos) e o delicioso registro de Monica Salmaso, incluído na lista de Gil, de Lorerai (Gershwin). A versão disponível do álbum no streaming é uma compilação do disco original.

 

Vírus de visão
“Deveríamos ter uma visão global sobre este tema [pandemia], mas não temos. O vírus é que tem. Os vírus são mais espertos e mais antigos que nós… e mais democratas”, comenta o artista espanhol Miquel Barceló nesta ótima entrevista a Borja Hermoso, editor de cultura do El País.

Greene x sono
Varei uma madrugada esta semana por não conseguir largar O fator humano, romance de espionagem de Graham Greene (1904-1991), meu autor preferido no gênero, de quem falei na Ju#05. Quando tenho dificuldade de me concentrar em outras leituras, Greene é tiro certo. O autor é um contador de história magistral, e sua narrativa é arguta, cortante, de uma profunda e arraigada humanidade, marcada por irresistível senso de humor. Como diz o escritor irlandês Colm Tóibín no prefácio da obra, Greene é “um mestre da frase única que obriga o leitor a parar, [e] que funciona como uma carga de profundidade”. Ao ler seus livro sublinho trechos de pura revelação, ou epifanias se você quiser, como “os táxis começaram a despejar convidados como embrulhos vistosos”, ao descrever as cenas de um casamento, ou “ficou sentado durante um momento com o motor ligado, a observar as gotas de chuva a perseguirem-se umas às outras no para-brisas”. Maurice Castle, o herói desse relato, é uma agente duplo movido pela gratidão e pelo amor à mulher negra que conheceu na África do Sul do Apartheid e ao filho dela. Tóibín diz, na batata, que Castle é o espião menos glamoroso já criado, e por isso é de grande interesse. Temos no Brasil uma tradução da L&PM, mas li a edição eletrônica de uma editora portuguesa, o que é sempre divertido. Em Portugal, moça é sempre rapariga, a criança é sempre um miúdo, uma isca de anzol é um isco…  

JURUPOCA, O AUTOR
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Jurupoca é uma publicação semanal dedicada às ideias, à crítica cultural e à seleção de conteúdos relevantes numa época de quase extinção do jornalismo cultural, ao menos o que se entendia por esse subgênero, antes de as redes sociais remodelarem nossas vidas. Considere contribuir com a publicação, por meio de uma doação regular — de quanto e no dia em que puder. Para isso, clique aqui, ou copie e cole a URL https://pag.ae/7VCz1usG6. Você será direcionado a uma conta UOL/PagSeguro. Antônio Siúves, seu autor, é jornalista há 34 anos. Escreveu Moral das horas, 21 poemas e Turismo cultural e literário na Europa.

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