Jurupoca #25

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BH, 5 a 11 de Junho de 2020 — Carta 25


Congresso Internacional do Medo


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, MG, 1902 - Rio de Janeiro, RJ, 1987), poema do Sentimento do mundo. Está à página 35 de meu exemplar editado pela Record,1988.

Captura de tela do Google Arts & Culture com a seleção Vibrant oranges (laranjas vibrantes). Um algoritmo filtra por tonalidades o gigantesco acervo catalogado do site. Nenhum museu do mundo poderia te oferecer este passeio diversificado pela arte planetária explorada segundo as cores do arco-íris. Cada pintura clicada traz informações técnicas, autorais, procedência e um breve panorama histórico.


“Adélio Bispo estaria também exercendo seu direito à liberdade de expressão?” — Rosângela Bittar, em O Estado de S. Paulo.

Opa! Vamos apear?

Por volta das seis e meia de uma madrugada dessas, um patriota na vizinhança botou pra tocar o hino nacional, no máximo. É o golpe já nas ruas, pensei, ao tentar despertar. Os tanques estariam na Getúlio Vargas, na minha esquina. Amarelei.

Na terça-feira (2) fomos escoiceados de novo. “Eu lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo.” Você conseguiu respirar depois de ouvir o comentário do suposto líder máximo de seu país?

Seguíamos sem ministro da Saúde, com ressaca de cloroquina, estados  municípios desajustados e epidemiologistas em polvorosa — “a população foi liberada para ir ao abatedouro”, opinava um especialista do portal Covid-19.

Nesta cacofonia biruta chamada Brasil, a fantasia dos governistas transformou a liberdade de expressão numa modalidade de luta. No seu vale-tudo podem entrar ameaças de mortes, clamor pela ditadura e tratamento de saúde sem respaldo médico.

Deita-se no balaio do Art. 5º da Constituição a pútrida divulgação de vídeos e montagens caluniosos contra autoridades e jornalistas.

Os apoiadores de Sua Excrescência interpretam a Carta de 1988 no salão do bordel de seu inferno familiar.

“O governo criou sua própria teoria da liberdade de expressão para justificar o modelo de operação e os crimes identificados na ação de grupos leais a Bolsonaro”, diz a insuperável Rosângela Bittar. “Adélio Bispo estaria também exercendo seu direito à liberdade de expressão?”, ela pergunta. Helahoho! helahoho!

Quem vai morrer?
O nazismo gaseou milhares de deficientes, considerados “inúteis” à sociedade, bem antes da Solução Final. “Tempos de guerra são os melhores momentos para se eliminar doentes incuráveis” (Adolf Hitler). Há quem goste de comparar a pandemia atual à guerra. Mas, o que dizer da marcação dos que estão morrendo, entre idosos e vulneráveis (não-atletas), com a naturalidade de um contador funerário? (¡.³8)BolsonArgh(!.³8), doravante  (¡.38!)   — leia-se a exclamação “ponto trinta e oito”, — havia chamado às falas o diretor-geral da PRF, Adriano Furtado. Implicou com a nota de pesar pela morte, de Covid-19, do agente Marcos Roberto Tokumori, de 53 anos. O texto da PRF não falava em fatores de risco da vítima, e isso indignou (¡.38!). Furtado perderia seu cargo. Morrer com pré-condição, é ok isso daí. Infelizmente algumas mortes terão. Paciência”, diria também (¡.38!), num português de invejar o de Weintraub. E ainda contestam o ministro Celso de Mello, do STF, pelo alerta sobre o ovo da serpente.

Mortes fora, soldados!
Os informes diários do quartel que virou o Ministério da Saúde (sem ministro) sobre a Covid-19 são um contencioso insano contra a lógica básica e a própria cidadania. Na ordem unida estabelecida na pasta, devem-se evitar destaques sobre o número de mortes diárias. Não é patriótico. Há de se proclamar nos títulos, em vez disso, o número de curados! Os óbitos ficam no final do texto, onde a maioria dos leitores nem chega. Com esse novíssimo, altaneiro e verde-oliva manual de relações públicas, o MS tenta comprovar o trabalho magnífico que o governo vem realizando na pandemia.

Mudando de assunto
O professor de filosofia Marcos Nobre, da Unicamp, acaba de lançar o livro Ponto final – A guerra de Bolsonaro contra a democracia (Todavia). Nobre tem feito uma análise interessante da toada macabra que dá o tom no Planalto. Nesta entrevista, ele chama de “diversionismo tétrico” os ataques de (¡.38!) e suas milícias digitais ao STF e ao Congresso Nacional. (¡.38!), ele diz, “conscientemente quer mudar o assunto das mortes para que ele não seja responsabilizado. É a coisa mais pusilânime”, comenta. “Não é que não temos que discutir esses ataques, porque ele de fato quer destruir a democracia, mas o que ele está fazendo agora é confundir as pessoas”, acrescenta. O professor olha para os elementos em jogo e vê um método, uma nefasta racionalidade política.

É de coração
Em Autopsicografia (belamente musicado por Tom Jobim), Fernando Pessoa compara  o coração a um comboio de cordas, que gira nas calhas de roda (canal que leva água ao moinho) a entreter a razão. Pois tal comboio também põe a rodar, não é de hoje!, o patrimonialismo (a indistinção entre esfera pública e privada) brasileiro, a entreter o trato da coisa pública. A cordialidade, virtude familiar, rege os “laços de sangue e de coração”, na matriz do homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda, no luminoso ensaio Raízes do Brasil. Pois o homem cordial — característica que herdamos da colonização lusitana (a par do sangue, da boa dose de lirismo… além da sífilis, é claro; me desculpe a divagação, não ia perder a chance…) — pede passagem!, mais um vez, pra nos explicar como gente brasileira em tempos de peste, recessão e (¡.38!). O pesquisador André Jobim Martins comenta a inédita dissertação de mestrado que Sérgio defendeu na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, em 1958, na qual o historiador desenvolve certos argumentos econômicos esboçados no Raízes. “Na condução dos negócios do Estado, segundo nossas leis, deveria imperar o princípio da impessoalidade”, lembra Martins. “O homem cordial, porém, não tem uma constituição mental compatível com tais princípios”. Logo, resplandece na nova política, entre um impropério e outro, a metida de patas de (¡.38!) na Polícia Federal, no Ibama, no Iphan e no escambau pra atender descaradamente amigos e familiares.

Haters de 3º grau
Brasileiros que cursaram uma universidade e ganham bem a vida são os mais lastimáveis partidários do Gabinete do Ódio, esta verdadeira Casa Civil do governo de (¡.38!). Tais cidadãos privilegiados, por bem educados, ajudam a espalhar notícias fraudulentas e documentos forjados. Desprezam o jornalismo profissional, o consenso científico e a própria formação cultural — por recalques que só Freud explica. Curtem e repassam vídeos conspiratórios, difamadores e golpistas. Guiam-se por trolls, se acham mais espertos e sábios que todo mundo, e até a verdade factual da morte relativizam, como lhes é devido. São imperdoáveis.

Ministério da Ingnorança
Haters e golpistas bem que merecem um ministro como Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub. Verdadeiro combatente da causa, bastião de (¡.38!) no ministério, guardião da ortografia! Não se sabe como um economista da USP pós-graduado na FGV, como reza o Wikipedia, consegue escrever tão mal e, como um bandalho, negar continuamente os fatos e a História. O condecorado Weintraub, GOMN (Grande Ordem do Mérito Naval), por todos os méritos é o ministro da Deseducação que nem a mais reles das repúblicas bananeiras sustentaria.

Origens do mal
“Eu poderia estar em plena Quinta Avenida e atirar em alguém, e eu não perderia eleitores”, disse Donald Trump, o Topete Atômico, durante comício em Iowa, na campanha presidencial de 2016. E não vemos isso aqui, agorinha? A adesão acrítica e fanática e inquebrantável aos demagogos de ocasião? O fenômeno atualiza os ensinamentos de Hannah Arendt, aponta a cientista política espanhola Máriam Martínez-Bascuñán, ao revalorizar As origens do totalitarismo, uma das obras mestras da pensadora alemã. A pós-verdade na cultura política foi apontada por Arendt já em sua época, presente nos movimentos de massa que cevaram as atrocidades de Hitler e Stalin. Coletivos unidos pelo visgo da ideologia, agora também nas novas guerras culturais, hipotecam suas vidas ao fascio, palavra italiana pra feixe, na origem do termo fascismo. Além de cada feixe, pro crente, só há inimigos.

Verdade factual
Esta Ju recomendou em novembro o livro de Eugenio Bucci sobre as engrenagens da pós-verdade, embasado nas lições de Hannah Arendt sobre a “verdade factual” como fundamento da liberdade na democracia. É do que trata Martínez-Bascuñán no cintilante artigo citado. Nesta altura, seu texto pede não apenas citação, grifo e sublinhado, senão pra que seja emoldurado e pendurado em salas de aula e repartições deste insalubre Bananão (a tradução do espanhol pro português feita pelo El País Brasil é bem fraca. Tentei melhorá-la um pouquinho, recorrendo aos colchetes):

“A autora de Verdade e política [uma das obras de Arendt] também nos ajudou a diferenciar entre verdades factuais e opiniões, nos alertando que ‘a liberdade de opinião é uma farsa se não se garantir a informação objetiva e os próprios fatos não forem aceitos’. Dessas observações se destila a imensa importância que Arendt concedeu à esfera pública, esse espaço que permite a existência de um ‘mundo comum’ e sua inevitável conexão com a pluralidade de opiniões e a liberdade humana. Porque somente com a discussão ‘humanizamos aquilo que está acontecendo no mundo e em nós mesmos, pelo mero fato de falar sobre isso; e à medida que o fazemos, aprendemos a ser humanos’.” Arendt nos alertava do risco de preencher esse espaço [com] uma única verdade, pois qualquer verdade ‘[interrompe] necessariamente o movimento do pensamento’. Assim, pluralidade e liberdade estão sempre [de mão dadas], conectadas à esfera pública a partir de seu republicanismo, nesse espaço […] que possibilita a autonomia pessoal e política exatamente ali onde convivem vozes dissidentes, levando adiante uma discussão autêntica, capaz de gerar um ‘mundo comum’. Mas é a informação objetiva que garante que possamos nos pronunciar sobre algo com uma ancoragem no real, fugindo de realidades paralelas e da tentação de levar ao público meras inquietudes privadas. As opiniões só podem se formar com a condição de que existam essa informação objetiva e uma discussão autenticamente plural e aberta; do contrário, ocorrerão ‘estados de ânimo, mas não de opiniões’. É inevitável pensar na atual quebra do espaço público derivada do absurdo poder das redes, de sua potestade para expulsar as vozes dissidentes e preencher o debate de mera emocionalidade.”


Assombração verde-oliva
Apostas de que nossa encrenca atual acabará pagam cem por um. O estrago pode mal ter começado. E não precisamos falar em quarteladas. O grande historiador José Murilo de Carvalho disse a Miriam Leitão que nossa democracia balzaquiana está, sim, sob risco. Mas golpe, golpe, como em 1964, nisso ele não crê. Marinha e Aeronáutica não se rebaixariam, e não estamos mais na Guerra Fria, argumenta. Mas a desestabilização do sistema parece garantida, enquanto o Exército bancar os arreganhos antissistema de (¡.38!).

Política da morte e da força
E há observadores surpreendentemente menos otimistas. Pode não haver quartelada, mas é preciso enxergar os estragos concretizados nas ruas, nas matas e nos cemitérios do país. “As Forças Armadas não só encamparam a política da morte de Bolsonaro”, escreve Fernando Gabeira com a proverbial serenidade. “Elas tiraram do centro da cena o Ibama e outros organismos que fazem cumprir nossa legislação ambiental, conquistada ao longo de anos de democracia.” O autor de O que é isso, companheiro? prossegue:

“O governo brasileiro vai se tornar uma grande ameaça ambiental e biológica simultaneamente. Lutar contra ele em todos os cantos do planeta é uma luta pela vida, pela própria sobrevivência. Esse será nosso argumento.

“Internamente, será preciso uma frente pela democracia. Já temos uma frente informal pela vida, expressa no trabalho de milhares de médicos e profissionais de saúde, nos grupos de solidariedade que se formaram ao longo do Brasil.

“O que a frente pela democracia tem a aprender com eles? Em primeiro lugar, ninguém perde tempo culpando o outro pela chegada do coronavírus. Em segundo lugar, a gravidade da morte onipresente não dá espaço para confronto de egos.

“Uma frente pela democracia não é uma luta pelo poder, mas sim pelas regras do jogo. Quem estiver interessado no poder que espere as eleições. Foi assim no movimento pelas Diretas.

“Hoje uma frente pela democracia transcende as possibilidades do movimento pelas Diretas. As redes sociais colocam na arena milhares de novos atores, alguns deles capazes de falar com mais gente do que todos os partidos juntos. O espaço para criatividade se ampliou. O papel de cada indivíduo é muito mais importante do que foi no passado.”


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Com Lô Borges (Salomão Borges Filho, Belo Horizonte, MG, 1952 -) em Ela, música de A Via-Láctea, faixa A2 do vinil da EMI de 1979. Uma canção típica da bem-sucedida parceria de Lô e Marcio Borges (Márcio Hilton Fragoso Borges, Belo Horizonte, MG, 1946 – ). É solar, romântica, mineira e universal. O colorido da instrumentação convida a um passeio matinal com a namorada na adolescência. Esse efeito etéreo é dado nos refrões sonoros marcados por guitarras, teclados e coro. Tudo soa muito bem ainda hoje.  Os músicos Telo Borges, Wagner Tiso, Fernando Oly e Paulinho Carvalho participaram das gravações. A Via-Láctea saiu sete anos depois do “Disco do Tênis” (1972) e tem como maiores sucessos Vento de Maio, Equatorial e Clube da Esquina Nº 2 (já com a letra de Solange Borges). Ela traz uma letra simples e leve, como tantas do Clube da Esquina, mas elegante e perfeitamente encaixada na arestas da melodia, como na última estrofe (marcadas em itálico): “Mas prepara um belo jantar/ Tira a blusa, me faz um sinal/ O vestido azul do noivado está/ Enterrado no baú/ E o vento da paixão/ Já vem soprar um novo coração…”.


Nem ajoelha nem reza
Mr. Topete Atômico, por recomendação de um assessor, saiu da Casa Branca na noite de segunda-feira (01), caminhou na Lafayette Square até a porta da St. John ( uma igreja episcopal frequentada em Washington pelos primeiros presidentes dos EUA) e sojigou uma Bíblica como um campeão peso-pesado ostentaria seu cinturão. A bispa responsável pelo templo, Marian E. Budde, ficou tiririca com a armação. “Ele não rezou”, ela disse, sobre as revoltas no país por mais uma vítima da violência policial branca. “Ele não mencionou George Floyd, não mencionou a agonia de um povo que vem sendo submetido a este tipo de expressão de racismo e supremacia branca por centenas de anos. Precisamos de um presidente que posa unificar e curar. Ele fez o oposto disso, e nos resta juntar os cacos.”

E seu Zema-Zen?

Ouvo muito bem”, assegurou Romeu Zema, governador meio zen das Minas dos Matos Gerais, ao tentar dizer à entrevistadora da CNN Brasil que a ouvia com clareza. Mas, lá pelo fim da pandemia, é incerto se ele poderá dizer que se houve bem como homem público. “Há indicações de que o aparente sucesso de Minas no enfrentamento da pandemia é bem menos robusto do que sugerem os números oficiais”, comentou José Reis Lopes, um jornalista especializado em biologia. Lopes explica porque não passa de asneira dizer que testar a população “serve apenas para satisfazer curiosidade de pesquisador”, como Zema-Zen afirmou. O colunista da Folha não perdeu a chance de caçoar de nosso esportivo governador:

“Dizem as más línguas que o partido Novo nada mais é que o bolsonarismo que calça sapatênis e aprendeu a substituir as mãos sujas por garfo e faca à mesa.”

Caixa alta com o Corona ou quem está saqueando quem
Os bilionários da elite americana viram suas fortunas inflarem 434 bilhões de dólares (lucro líquido) durante a pandemia e o lockdown nos EUA. Jeff Bezos, da Amazon, e Mark Zuckerberg, do Facebook, são os campeões em faturamento. Zach Webb, editor da The Baffle, lembra em uma newsletter dessa revista que a bela performance da elite econômica ocorre em uma “gloriosa época” de morticínio em massa e desemprego na casa dos 20%. “A empresas de private equity (investidoras ) palpitam de alegria por tomar o lugar das grandes lojas de departamento [fechadas na pandemia] e enriquecem à luz que se apaga nos olhos da vovozinha, sem se importar”, diz Webb. Karl Marx explodiria em lágrimas ao ler isso. Ao comentar a ira dos protestos pelo assassinato de George Floyd e as onda saques, Webb condena a “paixão egotista” que brinda o índice Down Jones, o Ibovespa de lá, e por fim ainda lembra o escritor e educador negro norte-americano James Baldwin: “Eu me oponho à palavra ‘saqueadores’ (looters) porque me pergunto quem estará saqueando quem, baby.”

Caridade por mim
I see trees of green, red roses too/ I see them bloom, for me and you/ And I think to myself… Cantarolo essa canção essencial ao batucar estas linhas. “Sapo não pula por boniteza, mas porém por percisão” (citado por Guimarães Rosa como “provérbio capiau” na epígrafe de A hora e vez de Augusto Matraga). Por percisão, ouvi de manhã várias versões de What Wonderful Word (George Weiss & Bob Thiele), a começar, claro, da insuperável gravação de Louis Armstrong, de 1968. Israel Ka’ano’i Kamakawiwo’ole também nos fere a alma com sua versão (1990) acoplada  a Somewhere Over the Rainbow (Harold Arlen & E.Y. Harburg), acompanhando-se com um uquelele. Nem o uso da música como contraponto irônico à carnificina da guerra no filme Bom Dia, Vietnã, de 1987, retirou o frescor e encanto eternos dessa música. Logo, coitado do Siúves, penso e digo de mim pra mi, pro meu euzinho mesmo, convocando o Álvaro de Campos em meu apoio: “Sim, coitado dele mais que de muitos…” É que sim, “Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, / E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.”


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A fronteira final. Que tal esta estonteante compilação de imagens do espaço capitadas pelo telescópio orbital Hubble? | Ao mestre, com carinho. Humberto Werneck repõe o valor de Murilo Rubião na literatura brasileira e sua importância no ambiente cultural do Belo. || Saudades de Carrie. O filósofo espanhol Fernando Savater lamenta o final de Homeland, depois de ver, em quarentena, a oitava e última temporada da série. “Carrie, Saul, sentirei falta de vocês. E agora, o quê?”. | Wild World. Vivendo em Dubai, com 71 anos, Yusuf, ou Cat Stevens, retorna com uma “versão reimaginada” de Tea for the Tillerman, seu álbum clássico de 1970 cujo som corre como sangue nas veias de gerações. A O Globo, Cat diz: “[…] não vejo o mundo ficando menos selvagem do que era. À medida que progredimos, as coisas vão ficando piores, mais distorcidas. A Humanidade está sendo posta à prova, a tecnologia não está nos ajudando.” O novo álbum é pra 18 de setembro, pela Universal. Por hora tempos o single de Where do the children play?. | Como amar a música. Depois de piano, ópera e música clássica, o The New York Times perguntou desta vez a intérpretes, compositores e críticos qual foi a música que os levou a se apaixonar pelo violoncelo. Yo-Yo Ma, John Williams, Andrew Lloyd Webber participam dessa enquete, e podemos ouvir suas escolhas nos “plays”. |

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