BH, cidade placebo | Palavras de pus

A derrubada do “Bar Brant” torna o Belo ainda mais irreconhecível. Muitos dirão que esta é a melhor das cidades possíveis. Sim, o otimismo panglossiano está por aí, a derramar, com a doença do negacionismo, palavras de pus e vinagre em nossa urbanidade


JU_707 a 13/5/2021 – ano 2
Hebdomadário de cultura, ideias e
 alguma lenga-lenga sobre a desordem do mundo


Foto do alto: Retrato de François Marie Arouet (cerca de 1736), chamado Voltaire (1694-1778) segurando uma edição de sua obra, La Henriade (1728), após Maurice Quentin de La Tour (original: 1736). Wikimedia Commons. Domínio Público  


As cidades

I –

Cidades quase nunca devem ser amadas

Para se amar uma cidade
é preciso esperar 200 anos
esperar que a cidade sobreviva
a dez gerações a venerar a cidade
que morreu na cidade que viverá

Cidades precisam ser

Sinceramente
detestadas por seus exilados
e quem nelas viva o desgosto
de vê-las amadas sem razão

Dor de rua sem flor
praça sem degredo
canto sem torvelinho

Cidades carecem do medo

de quem não têm onde se perder
onde se esquecer
onde explodir como pedra

Cidades supõem
o veneno dos viventes
que caçam fantasmas
massacrados
sombras destroçadas
sussurros calcinados

 II –

Cidades amáveis
podem ser imensas
ou miúdas
à margem dum rio

Podem ter centelhas de íris
como Paris
pátina avernal
como Ouro Preto
langor de mar e mangue
como o Rio
siso
como Firenze
doçura
como Pinhão Sabrosa
luz rosanil
qual Coimbra

Cidades podem ser
abertas ao Tempo
como Washington, D.C.
ou à mente
feito NYC

Cidades podem ser tácteis
como Diamantina
alucinantes
como Cambará do Sul
carnosas
como Florianópolis
rameiras,
que nem São Paulo
 

Antônio Siúves: Moral das horas, 2016, pág. 19. Manduruvá Edições Especiais


Opa! Vamos apear? Ora, vamos!

O Belo não é um cidade una. É um estranho compósito.

Longe de configurar uma cidade sólida, Belô é um caleidoscópio quebrado.

A cidade viva convive com a cidade semiviva, com a cidade zumbi e com outras quatro cidades fantasmas.

Com menos de 120 anos, Beloz foi destruída e reconstruída várias vezes.

É difícil recordar a cidade.

Quase não há substância, presença física como substrato da memória.

Minhas vivências se juntaram há muito a leituras de Pedro Nava para aprender a enxergar isso.

Para ficar apenas no meu quintal, isto é, no quarteirão do bairro em que vivo há 23 anos e sua vizinhança:

Cada dia mais sou um apátrida por aqui, um estrangeiro, um sem raiz.

A memória perde seus sinais vitais toda vez que um logradouro que atendia à evocação é posto abaixo.

Assim como quem amamos e se vai nos tira um naco de vida, e daí somos um vivente ainda mais incompleto, uma cidade sem memória é uma cidade desencantada e esquecida.

O Bar Brasil faz tempo deu lugar na nossa esquina a um predinho bem feio, igual a tantos tão insossos, com as mesmas formas e fachada de pastilhas cerâmicas, quase sempre brancas.

A memória do boteco vizinho foi transferida, com garçons, cardápio e memorial do Clube da Equina, para o Bar e Cervejaria Brasil, a cinquenta metros do endereço original.

A pandemia, como relatado aqui, incorporou o lugar a uma das Belizon fantasmagóricas.  

Agora acabam de botar abaixo um dos 22 endereços simbólicos do Museu Clube da Esquina, no 1052 da Grão Pará.

 O “Bar Brant”,  na Casa dos Brant, era ali, Grão Pará a desaguar sobre Contorno, Aimorés e Getúlio Vargas.

A Casa dos Brant perdurou por décadas, não sei quantas, mas veio abaixo em uma semana.

Tal é a energia despendida pelo trabalho brutal de homens e máquinas.

Desde a redação da JU vejo os destroços e já o obrar de uma trozoba perfurando os alicerces do futuro monstrengo.

Uma cratera substitui por ora a casa de fachada amarelo-claro, marco do Museu Clube da Esquina.

O marco aludia à história ali de Fernando Brant (1946-2015), parceiro-comparsa de Milton Nascimento, e convidados da família como o pernambucano Naná Vasconcelos (1941-2016), percussionistas eleito seguidamente o melhor do mundo.

Uma reportagem de Jefferson da Fonseca Coutinho no jornal Estado de Minas, de junho de 2015, ocasião da morte de Fernando Brant, historiava:

“Na Rua Grão Pará, um dos 22 endereços do Museu Clube da Esquina, o ‘Bar Brant’ foi ponto de encontro às sextas-feiras, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul. Moacyr Brant, um dos 10 irmãos do escritor, conta que Fernando era dos primeiros a chegar. “Era onde se falava de tudo um pouco, especialmente de política. O Fernando sempre se posicionou e participou ativamente em momentos importantes da história de Minas”, comenta.

Incontinente, sem encomendação da alma ou missa de sétimo de dia, começam a subir mais um desses edifícios que tanto enfeiam a linha do céu numa cidade amorreada.

Amorreada e limitada por uma Serra do Curral roída e picada pela sanha das mineradoras.

É a ordem das coisas, dir-me-ão.

Pois este é o melhor dos mundos possíveis.

O que não falta no mundo são novos Pangloss, mas já chego lá, a Voltaire.

Sei que há quem goste do espetáculo da permanente “renovação” de uma cidade que vive para renascer, mas que exporta seus melhores talentos e inteligências.

Essa cidade cortada por um curso de esgoto pateticamente ainda chamado “rio” Arrudas, sitiada pela exploração minerária e dominada por uma burguesia predominantemente filistina, talvez se reconheça no futuro, em séculos.  

Não poderei conferir.

O que vejo agora é que o Belo se tornou uma cidade placebo, neutra, anódina, feiosa, decadente, esquecível.

É assim mesmo, dir-me-ão também. Este é a melhor das Belôs possíveis.

Mas guardarei, enquanto não esqueço, a figura de Fernando Brant, letrista tão sensível e tocado pela memória.

O Brant coautor de Saudades dos aviões da Panair, Sentinela, Ponta de areia, Beco do moto e canções do mesmo cabedal.  

Helahoho! helahoho!
Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô… Ghi — …?

Palavras de pus

—Mas com que fim então este mundo foi criado? — pergunta Cândido.
— Para nos dar raiva — responde Martinho.


Voltaire: Cândido ou O otimismo (p. 95). Nova Alexandria. E-book.

Cândido ou O otimismo é um das narrativas mais engraçados — e ácidas — já escritas, lá se vão 262 anos.

Ainda não a havia lido, ó, miséria.

Conta-se que Voltaire escreveu o conto em quatro dias.

Breve e rocambolesca, sem pretensões de um Quixote ou das Viagens de Guliver, a história é dessa estirpe de sátira filosófica.

É esplendidamente atual.

O filósofo Pangloss teima em ver uma ordem positiva no mundo, a despeito de todos os infortúnios que o acometem e da inflacionária perversidade humana.

É fácil ver sua descendência em nossos dias, a predicar nas finanças, na ciência, nas Big Tech, no Vale do Silício.

Mas há, no livro, passagens de um humor cortante que me fazem gargalhar tanto quanto, tantas vezes, releio O Alienista de Machado de Assis.

Comido pela sífilis, contraída nas “delícias do paraíso”, o doutor Pangloss explica assim a seu pupilo a genealogia da doença que o consome:

“– Ah, meu caro Cândido! O senhor conheceu Paquette, aquela linda acompanhante de nossa augusta baronesa; provei nos seus braços as delícias do paraíso, que produziram estes tormentos do inferno que hoje me devoram; ela estava contaminada, talvez tenha morrido disso. Paquette recebera esse presente de um franciscano muito hábil, que tinha voltado às origens, pois recebera aquilo de uma velha condessa, que o recebera de um capitão de cavalaria, que o devia a uma marquesa, que o ganhara de um pajem, que o recebera de um jesuíta, que, sendo noviço, recebera-o em linha direta de um dos companheiros de Cristóvão Colombo. Quanto a mim, não o darei a ninguém, pois estou morrendo.”

Voltaire não era flor que se cheirasse. Teve que fugir da moral ressentida e ainda hoje deve ser persona non grata à Igreja.

Tanto melhor que tinha ricos protetores aristocratas fora da França e pudesse seguir vivendo à tripa forra.

Pangloss e Cândido, seu discípulo, ainda que pacíficos, moderados (pelo amor de Deus, vão ser resilientes — como se diz hoje — assim nos quintos dos infernos) se enquadrariam agora também na franja dos tolos e convulsos negacionistas.

— Tudo isso era indispensável – replicava o doutor caolho [Pangloss] —; os infortúnios particulares fazem o bem geral, de maneira que, quanto mais houver infortúnios particulares, melhor tudo estará.”

Parece ser o que pensam o presidente Caveirão.155 mm, filhos e tropas milicianos quando olham para os exércitos de mortos da pandemia e para qualquer desgraça inalcançável por seus limites cognitivos e antipatia.

O nababo veneziano Pococurante (em italiano “que não se preocupa”) recebe nosso herói em seu palazzo.

O homem é um zumbi do tédio, incapaz de achar graça ou ver a beleza nos livros raros de suas biblioteca, nos quadros caros que tem na parede, e que, ele resmunga, não imitam perfeitamente a natureza, ou no deslumbrantes jardins à sua disposição.

Pococurante espinafra Milton e outros poetas como quem toma uma sopa.

Pelas tantas,  observa que as palavras de Pupilo, pedagogo romano e mestre Horácio, “estavam cheias de pus”, e as de um outro autor, “cheias de vinagre”.

Me lembrei disso ao ver a reportagem do Fantástico sobre o tema da “pobreza menstrual”, como chamam a miséria de moças a quem faltam informação e acesso a absorventes higiênicos, acesso também negado a presidiárias Brasil afora.

Informa a matéria que a deputada Tabata Amaral, do PDT de São Paulo, propôs uma lei que prevê a distribuição de absorventes em espaços públicos.

A parlamentar foi massacrada, não haveria de ser diferente num país selvagem.

Tabata até mereceu, não sabia disso, uma tuitada, isto é, um coice de Abraham Weintraub, a quem na ocasião era dado —não é piada macabra nem pesadelo, mas fato recente — o cargo de ministro da Educação!, e em seguida se premiou com uma sinecura no Banco Mundial!”.

Escreveu o desinfeliz:

A nova esquerda (colar de pérolas e financiada por monopolistas) quer gastar R$ 5 bilhões (elevando impostos) para fornecer ‘gratuitamente’ absorventes femininos. Como será o nome da nova estatal? CHICOBRÁS? MenstruaBR?”

São palavras de pus, pensei, como tantas de sua lava verbal.

É possível ver este país doente, infectado e tomado de pústulas ao notarmos a degradação da linguagem e dos bons modos no debate público.

Vemos o amarelo vivo e seroso do líquido espesso e sentimos o odor do abscesso supurado da excrescência do idioma, da própria condição humana e da mais brutal ignorância.

Palavras de pus e vinagre.

Palavras de pus e vinagre estão derramadas nas 200 falas negacionistas do Caveirão coligidas pela CPI da Covid, a que a Folha teve acesso.  

A extrema direita negacionista, avessa à tolerância, à liberdade de imprensa e expressão, é alérgica à democracia e sonha em ver destruídas instituições erguidas aos trancos e barrancos entre nós.

Incapaz de aceitar a ordem comum democrática, derrama palavras de fel, vinagre e pus em pronunciamentos que apenas a própria ralé é capaz de absorver e, por sinal, degustar.

Quem está fora dela, da ralé, sente asco.

Não bastasse a pandemia, devemos nos curar dessa outra peste.

Se ainda tivéssemos o lenitivo do humor elevado, não diria dum Voltaire, quem sabe de um Millôr Fernandes.

Na falta do grande humorista ironista, que demanda um repertório elevado do público, o negócio é rir como se pode.

Somos um terreno fértil para o humor popular. Hoje estão aí os Adnet, Porchat, Gentile, Tatá Werneck, que convivem bem com as reprises da Escolinha do Professor Raimundo.

E tínhamos este rapaz, Paulo Gustavo, cuja integridade nos comove tanto na tragédia de sua perda.

Tragédia que, se servir de alguma coisa, servirá para nos ajudar a tratar daquela outra peste que toma o corpo da civilização e, sem remédio, derrama palavras de pus e vinagre nos nossos ouvidos e em nossa humanidade.

Voltaire retratado pelo artista gráfico H. Rousseau e pelo gravurista E. Thomas no Album du centenaire, publicado na França em 1889. Wikimedia Commons/domínio público.

Helahoho! helahoho!
Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô… Ghi — …?


Quem vai para o trono?

“No cômputo dos crimes cometidos por mandatários contra seus povos, será difícil elencar a quem ficará reservado o opróbrio maior da era Covid-19 — se a Jair Bolsonaro ou Narendra Modi”, escreve no Globo Dorrit Harazim, referindo-se ao Caveirão e ao primeiro-ministro indiano da mesma laia. “Por serem filhos de culturas tão diversas, também suas respectivas formas de desprezo pelo bem comum, a índole autoritária, a ignorância, as medidas repressivas, o escárnio pelo outro, se manifestam de formas díspares. Porém ambos comungam da mesma incapacidade de compreender o que aprendemos a chamar de civilização, felicidade, progresso, humanidade.”


A realidade paralela dos realities

Quichotte, novo romance de Salman Rushdie, é uma sátira inspirada em Cervantes sobre um personagem criado por um autor de histórias policiais baratas. Quichotte vê todos os realities shows que pode, diuturnamente. Deve ser como os fãs do BBB, celebrados numa matéria do Fantástico, uma gente que não dorme e mata serviço para votar em seus ídolos de ocasião.  “Não é apenas a TV em geral, mas especificamente o ‘reality show’ que não retrata a realidade por ser muito falso e massificado”, diz candidamente Rushdie em entrevista ao Estadão. “E, quando se começa a acreditar que coisas falsas são reais, é um tipo de loucura”, constata.

*

O escritor britânico, que há muito vive nos EUA, também se “preocupa” com o presente petrificado nas redes sociais. “É como ter uma cultura que não tem história. As imagens de hoje terão desaparecido amanhã”, matuta. “Com isso, não se tem memória de si mesmo, não há como olhar para trás e entender seu desenvolvimento.”


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João, 1973

Ninguém deu pela coisa, menos a Rádio Siutônio, a rádio que não vale um mecônio. Sim, demos boas-vindas à chegada do “álbum branco” de João Gilberto ao streaming. É um disco ideal para se conhecer melhor um artista-inventor, e se aprofundar na sua criação. Nessa altura dos acontecimentos, João havia deixado de lado os Stan Getz da vida e o repertório da Bossa Nova para definitivamente refundar o samba. Seu violão aqui, como nunca, é a própria representação de uma escola de samba, como alguém definiu a extração rítmica de sua batida. Apenas o baterista norte-americano Sonny Carr (1935-2011) colabora nas gravações, e muito discretamente. Conta-se que Carr toca vassourinhas num cesto de vime. A pureza das linhas harmônicas entrelaçada à voz, pronunciada como quem se delicia com o próprio sabor da música, nunca esteve tão presente na discografia de João como nesse álbum. Quem crê que não pode mais ser surpreendido por João deve ouvir logo sua versão de Avarandado (Caetano Veloso), ou de Eu vim Bahia (Gilberto Gil) ou de É preciso perdoar (Alcyvando Luz e Carlos Coquejo). E quem conhece da meia dúzia de composições do próprio João gravadas por ele apenas Bim bom e Hô-ba-la-lá, precisa conhecer Undiú, aqui despida de letra. Em quase sete minutos ouvimos apenas solfejos e essa palavra misteriosa, ou ouvir Valsa (Como são lindos os youguis), instrumental recheado de vocalizes. Undiú fora uma parceria de João com Jorge Amado, sem créditos no disco. A música é parte da trilha do filme Seara vermelha, de Alberto d’Aversa (1964), com letra de Amado. Aquele LP ainda tem Águas de março (Jobim), Izaura (Herivelto Martins, Roberto Roberti), um “standard” em seu repertório, aqui em duo com Miúcha, casos também de Falsa baiana (Geraldo Pereira) e Na baixa do sapateiro (Ary Barroso) sem a letra.

*

Em tempos de Caveirão e de devastação cultural, me lembrou, ao ouvir esse disco lançado no auge da ditadura, um artigo de Bernard Holland, por décadas um dos críticos de música do New York Times, hoje com 88 anos, cujo primeiro parágrafo diz:

Pense em uma música tão segura de seu poder que não precisa elevar sua voz acima do mezzo piano. Pense em delicados arcos de frase que recordam Bellini. A linguagem harmônica e rítmica é recebida, não inventada, mas suas previsibilidades são paradoxalmente cheias de surpresa. Também me pergunto como esses extremos de civilidade emanam de uma região aparentemente condenada à turbulência política e à violência crônica. O que a América Latina luta para alcançar em sua vida cívica, ela produz sem esforço em sua arte musical.”


Girl From Rio, ou quando
Anitta vira uma Zezé Carioca

O novo videoclipe de Anitta é cheio de macumba para turista. Começa com um sampler de Garota de Ipanema encenado com estética retrô hollywoodiana anos 1950 ou anterior. Lembra filmes da Disney com Zé Carioca e até aeromoças de fitas pornô. Quanto entra o funqui, como dizia Ariano Suassuna, a estética cenográfica do subúrbio toma a cena. Afinal aquele é o “Rio” da artista. Magra, bonita, torneada, conforme o standard higiênico da elite artística ou dos muito ricos, e vivendo em Miami, cheia de condescendência, como Regina Casé na favela, ela glamoriza os excessos adiposos da pobreza, de quem não tem nutricionista, dieta orgânica e balanceada e só pode se divertir bebendo “latões” e comendo milho no Piscinão de Ramos. Já o estilo do clipe, vídeo ou que nome se dê hoje, repete o mesmo bundalelê e a insinuação sexual de garotas dançando com rapazes musculosos, de que vive o imaginário do pop norte-americano com suas divas, de sangue latino ou não, há quase 30 anos.


 Garota de Ipanema

A quase sexagenária Garota de Ipanema, uma das canções mais executadas no mundo, nasceu no ambiente onde Tom Jobim e Vinícius viviam, namoravam, bebiam, olhavam o mar. Um balanço que ainda faz o mundo inteirinho se encher de graça. Nada tinha a ver com os embrulhos para presente de produtores norte-americanos. Essa pretensa “atualização” da música obrada por Anitta é um tremendo disparate.


Lives

O problemas das lives, tantas, algumas vezes muito boas, é que são demasiado extensas. E a extensão é estranha ao ambiente e aos apelos do Youtube. Apenas no último fim de semana tivemos Paula e Jacques Morelenbaum e convidados com repertório de Caetano Veloso, a cantora Verônica Ferriani acompanhada pelo grande violonista Swami Jr, e Tuia, Zé Geraldo, Ricardo Vignini e Zeca Baleiro, na sexta e última live da pitoresca série Nós do rock rural. A gente da música e das artes também foi à pindaíba na vilegiatura do Corona. Pedem-se “ingressos espontâneos” nessas lives, e todos merecem, aliás isso se repete no mundo inteiro, em todos os gêneros. Mas devem receber um ou outro caraminguá nesse país de mãos de vaca. Mônica Salmaso é quem se saiu melhor e por muito tempo será lembrada pelo seu #_Ô_de_Casas, já na 155ª edição. Mônica é pura simpatia e dedicação à música, um anjo de pessoa e uma belíssima cantora.

Até mais ver, e obrigado pela leitura!


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A JU, este seu amado hebdô, foi tomar emprestado do Dr. Brás Cubas um bocadin da pena da galhofa e da tinta da melancolia. “Se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa, se não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”


 

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