Desafinado

Minha alma desentoa, vejo o Belo esta manhã.

Ah, cidade placebo, deserto de anseios,
Diáspora do gênio (tanto talento degredado).

No meu peito de aço doem tua vaidosa mediania
E tua jovialidade enrugada, minerada como as serras.

Ah, parques decotados e praças desenxabidas
Ah, podre Pampulha a empestar a igrejinha mais linda.

Solidário, bebo o viático em teus bares oceânicos
Pra esquecer tua carência de rio e mar, teus naufrágios.

Belo, julho de 2022

Crédito da foto: Guilherme Mário da Silva/Creative Commons

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