Cidinha

Nenhuma criatura herdará deste agnóstico
A fé beijoqueira na santinha de chumbo
Que do fogo se salvou. Desde seu seixo-nicho,
Onde opera o milagre de serenar nossas almas,
Aparecidinha se resigna à fugacidade da chama
E ao olvido, longe da eternidade dos emoticons

Ainda cativo do nada, não vi nossa casa arder
E quase derreter a imagem com seu manto lazúli.
Vivente, vi mamãe e irmã beijarem a santinha
Na aflição e na piedade, em si e por quem eram.
Sobrevivente, levo a charola como cabe a um fiel
Descrente que, devoto, carrega os seus consigo

Mãezinha memoriosa e retorcida, guardai-nos
Das dores do acaso, do ocaso e dos rasos onde
Nadamos, transitórios, entre uma noite e outra.
Estrelas do oratório no fundo azul-Giotto
Clareai o breu no meu coração. Oremos.

Mariazinha plúmbea, mãezinha negra
Menino Jesus de Praga de porcelana
Senhora Rosa Mística de barro
Peão-quinhão de pau regalo do pai,
Rogai por nós que recorremos a vós

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