Espécie em extinção, leio ‘O Globo’ no Kahlúa, com ‘Fora Temer’ e tudo

Kahlua

JORNAL E CAFÉ

Leio vários jornais online, mas nos últimos tempos me deu na telha de ir a uma banca, comprar O Globo e me sentar em um café com a calma devida à leitura. Há muito não tinha esse gosto quando não viajava.

Tenho consciência do significado histórico e afetivo que o gesto tem. Sou um dos últimos terráqueos a desfrutar do prazer de combinar café e jornal impresso. Estamos em inexorável extinção, bem sei.

Basta dizer que encontrar certos jornais em bancas de revista de Belo Horizonte tornou-se tarefa para bandeirantes.

Mas, por que O Globo, me indaguei esta manhã? A resposta veio pronta e clara. Ora, o diário dos Marinhos foi o primeiro jornal nacional a que tive acesso. Era o único que chegava a Pedro Leopoldo no final dos anos 1970.

Comprava meu exemplar na banca do Tonico, indo para a rodoviária, e o lia no ônibus da empresa Zezé, durante a hora do trajeto até BH, primeiro para aulas do cursinho, depois para as da Escola Técnica, convertida mais tarde no atual Cefet.

Aquele meu luxo, que solapava o apertado orçamento familiar gerido por minha mãe, ficou associado à negociação diária que nós dois mantínhamos. Quando pedia à Dona Hilda a prata do jornal, além do contadinho para passagem e lanche, antes de conceder o mimo ela não deixava de me cutucar: — Por que não lê o de ontem mesmo, meu nego? — e ria-se.

Da época, o que trago de mais memorável das paginas de O Globo são as colunas de Artur da Távola (1936-2008).

Não tenho dúvida que devo ao jornalista algo do meu gosto pela escrita. Retenho a imagem do segundo caderno dobrado na última página com o texto da coluna, o corpo da letra, a sensação táctil de segurá-la e até o cheiro do papel-jornal, que mal havia começado a ser impresso em offset.

Por meio da prosa a um tempo dúctil, polida e afiada de Artur da Távola, li pela primeira vez algo sobre tomismo, por exemplo. Lembro-me de ele dissertar sobre o início da vida para valer, quando a juventude começa a surgir no retrovisor, e de seus perfis carinhosos e nunca vulgares de atores e atrizes. A crítica de telenovelas jamais foi a mesma depois dele e reduziu-se à fofoca e à banalidade.

CAFÉ E JORNAL

Caminho com meu jornal até o Kahlúa, um dos raros cafés de BH onde você pede um expresso e se sente à vontade para usar seu notebook, ler um livro, jornal ou tomar uma anotação.

O dono do lugar conta, creio, entre casos extremos de capitalistas que militam politicamente com a própria clientela. Há meses, que eu saiba, o freguês do Kahlúa recebe comandas amarelinhas carimbadas com o slogan “FORA TEMER”.

Free country, dizem na corte, e assino embaixo na colônia. Mas me parece claro que o bem-sucedido empresário entende bastante bem de política nacional e sabe calcular seus riscos com a freguesia. Não é homem de renegar o dinheiro, como pode parecer. Vejamos.

O que aconteceria caso ele operasse com sinal trocado e manifestasse sua consciência política, como a maioria dos brasileiros, contra roubalheira e os estragos ao país perpetrados pelo PT com seus aliados?

Aposto um bilhete para Caracas que a distribuição de comandas com uma chancela como VIVA MORO ou ADEUS, QUERIDA desfalcaria a casa para sempre da pecúnia daquela rapaziada exclusivista, pobre e humilde de coração, que só troca afagos e clicadas com seus iguais, com quem comunga a hóstia consagrada pelo corpo e sangue daquele outro judeu, quase tão célebre quanto o nazareno.

Continuo deixando no Kahlúa meus caraminguás e até acho graça dos protestos do seu dono. Dia desses, por chiste, perguntei a ele, sempre simpático e atencioso, como só os melhores negociantes sabem ser, se eu podia pendurar a despesa na conta da afastada. Ele apenas riu, enquanto me devolvia o troco.

Uma entrevista (e um roteiro) imperdíveis

SteinerEm uma entrevista imperdível no Babelia do El País, traduzida pela versão brasileira do jornal, George Steiner comenta o roteiro essencial das ideias para a compreensão do mundo neste momento.

O filósofo e ensaísta literário, combalido ao 88 anos, mas perfeitamente lúcido, foi visitado em sua casa em Cambridge, na Inglaterra, por Borja Hermoso.

Os temas da conversa tratam de questões que importam a quem queira se localizar sobre o chamado espírito da época.

O declínio da educação e a perda da memória; o dinheiro como um valor absoluto (“O cheiro do dinheiro nos sufoca, e isso não tem nada a ver com o capitalismo ou o marxismo”); a psicanálise em baixa conta:

A psicanálise é um luxo da burguesia. Para mim, a dignidade humana consiste em ter segredos, e a ideia de pagar alguém para ouvir seus segredos e intimidades me enoja. É como a confissão, mas com um cheque. É o segredo que nos torna fortes, por isso todos meus trabalhos sobre Antígona, que diz: “Posso estar errada, mas continuo sendo eu”. De qualquer forma, a psicanálise está em plena crise. Lembre-se das palavras magníficas de Karl Kraus, o satirista vienense: “A psicanálise é a única cura que inventou sua doença”);

A centralidade da ciência:

“(…) Com certeza haverá duas ou três grandes novas descobertas científicas no campo da genética que introduzirão problemas de ordem moral terrivelmente complexos. Por exemplo: permitiremos que se manipulem as células de um feto?”;

A crise da política, visível com o fenômeno Donald Trump, o Brexit etc., e um alerta sobre as consequências de renunciarmos a ela:

(…) existe uma gigantesca abdicação da política. A política tem perdido terreno no mundo todo, as pessoas já não acreditam nela, e isso é muito perigoso. É Aristóteles quem diz: “Se você não quer entrar na política, na ágora pública, e prefere ficar em sua vida privada, então não venha se queixar depois de que são os bandidos que governam”;

A queda da tradição humanista da literatura e das artes:

(…) Se você e eu fôssemos cientistas, o tom da nossa conversa seria outro, seria muito mais otimista, pois hoje, toda semana a ciência descobre alguma coisa nova que não conhecíamos na semana passada. Em contrapartida –e isso que lhe digo é totalmente irracional, e espero estar enganado–, o instinto me diz que não teremos amanhã nenhum novo Shakespeare, um novo Mozart ou Beethoven, nem um Michelangelo, um Dante ou um Cervantes. Mas eu sei que teremos um novo Newton, um novo Einstein, um novo Darwin… Sem dúvida alguma. Isso me assusta, porque uma cultura desprovida de grandes obras estéticas é uma cultura pobre. Estamos muito distantes dos gigantes do passado. Espero estar enganado e que o próximo Proust ou Joyce esteja nascendo na casa aqui na frente! (…).

A vocação intelectual de Steiner “se compara à dos construtores de catedrais que reuniam, com perícia, e razão a técnica e a beleza e as punham a serviço de uma experiência mística”, diz Enrique Lynch em um comentário sobre o filósofo entrevistado no Babelia e não traduzido pelo El País Brasil.

Quem já teve o prazer de ler um ensaio de Steiner entende, como diz Lynch, a maneira única como ele consegue nos levar pela mão através do espaço da cultura europeia, tanto a clássica como a moderna, e nos fazer participar de uma espécie de rito iniciático.

Em outro comentário, Jordi Llovet define Steiner como “um humanista crepuscular” e “polímata renascentista”.

Um outro trecho da entrevista é ilustrativo sobre a diferença que faz a inteligência de um mestre, interessada em compreender o mundo antes de enunciar grandes verdades.

Pergunta – O senhor diferencia a “alta” cultura e a “baixa” cultura, como fazem alguns intelectuais de renome, visivelmente incomodados com formas da cultura popular como os quadrinhos, a arte urbana, o pop ou o rock, para as quais se chegou a criar o rótulo de “civilização do espetáculo”?
Resposta – Vou lhe dizer uma coisa: Shakespeare teria adorado a televisão. Ele escreveria para a televisão. E não, eu não faço esse tipo de distinção. O que realmente me entristece é que as pequenas livrarias, os teatros de bairro e as lojas de discos estejam fechando. Por outro lado, os museus estão cada vez mais cheios, a multidões lotam as grandes exposições, as salas de concerto estão cheias… Portanto, cuidado, porque esses processos são muito complexos e diversificados para se querer fazer julgamentos generalizantes. O senhor Mohammed Ali era também um fenômeno estético. Como um deus grego. Homero teria entendido perfeitamente Mohammed Ali.

Li esta entrevista no sábado. No domingo fui tomar um pouco de sol nas ruas de Belo Horizonte. Me assustei com o parque fantasma que virou a praça da Savassi. Não havia um café ou uma banca de jornal abertos às onze horas da manhã.

Há muito arrancaram daquele coração da cidade seus dois cinemas e restam duas ou três livrarias de tantas que existiram.

BH é um fenômeno único de pobreza cultural, de fragilidade e incapacidade de resistir ao filistinismo tecnológico em voga.


P.s.: Recomendo aqui mais uma vez , senão toda a série de vídeos de o melhor programa de TV já feito, ao menos a de George Steiner.

“A vida é mais cruel do que vã”

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El Tiempo De Las Viejas (1820), Francisco de Goya. Museu de Belas-Artes, Lille, França

Na padaria Vianney, perto de casa, comi um amor em pedaços.

Eram 7:34 da noite, solstício de inverno.

Segurava um livro de poemas de Eugenio Montale que me custara R$ 10 no saldo da livraria Ouvidor, tempos atrás.

De volta à rua e à lua, vi BH numa bolha do futuro:

Arranha-céus de quartzo roxo, asfalto azul iridescente e estações de metrô violáceas cobriam a antiga província.

Nas estações de metrô se afagavam as mesmas patotas culturais.

Abri o Montale:

La vita è questo scialo
di triti fatti, vano
più che crudele (…)
Addio! — fischiano pietre tra le fronte,
la rapace fortuna è già lontana,
cala un’ora, i suoi volti riconfonde, —
e la vita è crudele più che vana.

E na tradução de Renato Xavier¹

A vida é um esbanjamento
De fatos triviais, vão 
mais que cruel. (…) 
Adeus! sibilam pedras nas folhagens, 
a tormenta voraz já vai distante, 
a hora cai, de novo se confundem as imagens, – 
e a vida é mais cruel do que vã.

(¹) Flussi/Fluxos, em Ossos de Sépia, Companhia das Letras, 2002.

O diário da sexta

Nestas notas: Michel, o Fraco+40 Anos de “O Gene Egoísta”+
a audiência deste jornal+uma passagem do “Doutor Fausto”+alguma coisa

Diário da sexta1

MICHEL, O FRACO
Em 20 dias de governo, o presidente interino perdeu completamente a pose de sua fatura gótica, na definição do “Financial Times”. Suas aparições públicas são quase tão desastradas quantos as de Dilma-Bumba-meu-Boi. O homem só tem tamanho. Sua expressão corporal é de quem treme nas bases. Como governante, mostrou-se pífio com tantas idas e vindas e seu discurso de aperto fiscal arreganhado pelo pacote de benesses entregue funcionalismo.

O GENE EGOÍSTA
O The Guardian celebra os 40 da publicação de “O Gene Egoísta” , de Richard Dawkins. O jornal diz que é uma pena que o autor seja hoje mais bem conhecido por sua militância contra a religião, que chama de irritante, do que pela obra, um marco da divulgação científica.

Eis um trecho do meu exemplar que tenho sublinhado: “Os genes são imortais, ou melhor, são definidos como entidades genéticas que chegam perto de merecer esse título. Nós, as máquinas de sobrevivência individuais existentes no mundo, podemos esperar viver ainda algumas décadas. Os genes, porém, têm uma expectativa de vida que deve ser medida não em décadas, e sim em milhares ou milhões de anos”. (Companhia das Letras, 2007, pág. 87)

O livro é uma leitura essencial. Mas o leitor tem que segurar a peteca. Não que não seja claro e de fácil compreensão. É que Dawkins não é um escritor talentoso, um estilista como um Oliver Sacks (médico), um Freeman Dyson (físico) ou Stephen Jay Gould (biólogo). Além disso, é um chato. Como ateísta, parece querer falar do púlpito, tipicamente, como pregador e missionário.

SOBRE ESTE JORNAL
A leitura deste jornal aumentou quase cinco vezes em maio, em relação a abril. O número de visitantes únicos cresceu de 275 para 1.242, com 2.601 visualizações e a média de 2,09 páginas por visitante. É uma audiência pequena, talvez ínfima para internet? Provavelmente, sim.

Jornal em maio 1Jornal em maio
Mas é mais promissora do que o autor podia sonhar ou pretender, e o estímulo de que precisa para tocar o barco neste começo de caminho novo.

Certamente é uma audiência de alta qualidade. O jornal não trata de receitas, esporte, novelas, fofocas ou celebridades, ponhamos assim.

DEBATE DE IDEIAS
Antes dedicado à divulgação da poesia do autor, o blog, que há a menos de dois meses passou a se chamar de Jornal do Siúves, vai se transformando em um veículo de expressão política, divulgação cultural e debate de ideias.

Neste estágio embrionário, o jornal antecede —como espero e, para isso, conto com você— o lançamento de uma plataforma mais adequada.

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS
O jornal assume sua simpatia pelo liberalismo, a defesa da democracia, a liberdade de expressão e a autonomia do individual.

É seu propósito combater a ampla hegemonia cultural da esquerda.

É sua missão enfrentar ideias anacrônicas de inspiração neomarxista de todas as cepas, como toda espécie de populismo.

O jornal abomina o linchamento moral e o ataque a reputações, indivíduos e credos.

O jornal tem e terá, como razão de ser, o caráter apartidário e independente e o intuito de valorizar a cultura e cultivar a beleza.

DOUTOR FAUSTO
Me veio à memória uma cena do “Doutor Fausto”, de Thomas Mann. De cara cheia, depois de comer feito um padre gordo e discursar como Lutero, o professor Kumpf, a quem o narrador e o compositor Adrian Leverkühn visitam, pega de uma viola da parede e manda algumas modas de gosto popular, entre elas, “Wer nicht liebt Wein, Weib und Gesang, der bleibt ein Narr sein Leben Lang”. Quem não ama vinho, mulheres e canções, permanecerá burro toda a vida.

CASA DO PAI
Na casa do Pai há muitas moradas. As melhores dão vista para o mar. E algumas das mais exclusivas ficam na Île de Saint-Louis, em Paris.

ESQUERDISMO
O estrago do esquerdismo na deformação intelectual e, por vezes, moral, é uma história universal que está para ser contada. Tentei ver no Neflix “Requiem for the American Dream”, uma série de entrevistas picadas com Noam Chomsky. Desisti em menos de 15 minutos. O olhar histórico como dum estrábico, o dogmatismo, a ausência de confronto intelectual, a leitura distorcida dos fatos, uma mistificação atrás da outra, todo um desfile dos sintomas de uma velha doença infantil.

 

A Boa Viagem está mais feia do que nunca

Mais uma vez, com ainda mais intensidade, experimentei
o mal-estar estético de olhar para a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem,
ao subir Timbiras em direção à Rua da Bahia.

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A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem em 1894. Fonte: APCBH Acervo CCNC – e a Boa Viagem atual

 
Contei da minha caminhada ao Centro de Belo Horizonte na última sexta-feira e da madalena que não possuí inteira. Mas faltou um registro.

Mais uma vez, com ainda mais intensidade, experimentei o mal-estar estético de olhar para a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, ao subir Timbiras em direção à Rua da Bahia.

Como é feia aquela arquitetura mal-ajambrada, malproporcionada, que jamais poderia se integrar ao recorte da cidade em que a enfiaram.

Não é que tenha mudado de opinião e gosto sobre a construção, não, já não lhe achava a menor graças, mas foi sem dúvida Pedro Nava quem me ensinou a detestá-la, incluindo um motivo pretérito, de um passado que não vivi.

No “Beira-Mar”, quarto volume das Memórias, Nava está a recuperar seu tempo perdido nas imediações do Largo da Igreja, e conta que, àquela época, existiam ali duas igrejas da Boa Viagem, “a velha, a do Curral, que era linda e a nova, gótica, que ia se mostrando cada dia mais horrenda e falsificada”.

O autor continua:

“Não sei de quem foi a ideia de substituir o monumento do século XVIII pelo monstrengo que lá está até hoje. (…) Vi com meus olhos, esses olhos que a terra há de comer, o velho templo já sem telhado e seus arquivos postos fora da sacristia (…).

Logo à frente, Nava tece impressões sobre “o verdadeiro gótico” que viu “em Saint Michel, Chartres, Amiens, a Notre-Dame, a Sainte-Chapelle em França (…), antes de deixar-se ferir pela saudade:

“(…) Onde estarão? os restos virados da minha antiga Boa Viagem… A Boa Viagem das festas de barraquinhas e do Maio de Maria… A Boa Viagem da valha gameleira da esquina de Sergipe e Aimorés onde dum côncavo do tronco nascera uma palmeira…”

Tempos depois de me embrenhar nas Memórias, vim a conhecer o poema de
Afonso Arinos de Melo Franco, seu grande amigo, reunido por Manuel Bandeira na coletânea “Bissextos Contemporâneos” (Nova Fronteira, 1996), que conta, em minúcias, a história dessa igreja desinfeliz.

NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM

A igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem
(Que lindo nome para um barco a vela!)
Foi construída em 1765
Por ordem do capitão-mor das Minas
Para os povos de Curral del-Rei.
Nessa igrejinha de janelas verdes
Eu me batizei.

No mês de Maria enfeitava-se a nave com folhas verdes
E as meninas cantavam em coro:
“No céu, no céu, com a minha mãe estarei”.

No ano de 1925 o sr. diretor de obras
Deitou abaixo a Matriz da Boa Viagem
(Que lindo nome para um cemitério!)
E construiu no lugar dela
Uma catedral gótica, último modelo.

Eu achei que foi bobagem,
Mas o povo de Minas disse que era progresso

Fernando Brant ali na esquina

Brant ali na minha esquina, Grão Pará a desaguar entre Contorno, Aimorés e Getúlio Vargas. Minha lista tem a data do funeral do artista. O trecho a seguir é do EM online.

Na Rua Grão Pará, um dos 22 endereços do Museu Clube da Esquina, o “Bar Brant” foi ponto de encontro às sextas-feiras, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul. Moacyr Brant, um dos 10 irmãos do escritor, conta que Fernando era dos primeiros a chegar. “Era onde se falava de tudo um pouco, especialmente de política. O Fernando sempre se posicionou e participou ativamente em momentos importantes da história de Minas”, comenta. Moacyr, também torcedor do América, conta os dias de paixão pelo futebol ao lado do irmão no Estádio Independência. E relembra ainda, emocionado, o “Eustáquio” – fusquinha 66, vermelho, presente do irmão.