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JU_95 | Chico & Caetano não se entregam não

“Superaremos cãibras, furúnculos, ínguas/ Com Naras, Bethânias e Elis”, diz o canto redentor de Meu coco, canção-tema do novo álbum de Caetano Veloso. “Eu não me entrego não”, ele declara numa entrevista, ao comentar a ordem totalizante de mídias sociais regidas por algoritmos definidos por anjos tronchos mi, bi e trilionários; Chico Buarque também não se entrega como artista não! É capaz de se renovar musicalmente e aprofundar sua literatura, como está claro em seu primeiro e excepcional livros e contos.

Esse coqueiro que dá coco

A Disney da Erva milongueira não é uma Christiania, o parque temático hippie de Copenhague, mas não importa. Vai levar da ‘sativa’ ou da ‘indica’? Que tal?: “Criança, fui testado positivo para certa cepa de romantismo, da qual a vacina do realismo, que nunca será cem por cento eficaz, não me livrou plenamente, já ao descer a serra. Esta Jurupoca é sintoma disso, parte do quadro.” Essa lamúria abre a Ju#38, no Livro de Viagem. Já ouviu falar em “urbanismo feminista”, “cidades fálicas” e, vá lá, “cidades vulvares”? Não? A Ju, já. E das notícias imperativas do ex-caderno de ex-cultura da “Folha”? A Ju, já. E no alemão Fritz Haber, químico genial cujas invenções foram decisivas tanto para a sobrevivência da espécie, graças aos fertilizantes, como para a produção do gás Zyklon B, usado nos campos de extermínio nazis? A Ju, já. Gonzaguinha “Com a perna no mundo” ainda está por aí, para nos salvar da tristeza. Isso para começo de conversa. Ora, vamos apear!