Apelos da razão atravessam o convertido ideológico como neutrinos

Devia ser duro ver nossa mais profunda convicção ideológica acossada e bombardeada por homens de coração oco e pela própria natureza. Que nada. O que é a dúvida? De que vale a razão quando se ultrapassou a razão de ser do Humanismo, quando se vive no olimpo e, portanto, ó milagre, acima da História? A força dos insensíveis é tão fraca quanto o ataque de partículas subatômicas: como o neutrino do elétron, o neutrino do múon e o neutrino do tau, passam através do crente sem fazer cócegas, sem emitir um fóton. O convertido ideológico, particularmente do tipo maduro, atingiu, por meio da negação dialética (não, não e não), o último estágio da pureza. Ele paira leve feito brisa sobre seus inimigos, que são todos e cada um que não comungue da consagração pelo sangue do povo e pelo pão amassado pelas massas.

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Tentativa de explicar a cristalização da certeza na mente de um convertido ideológico

Para o Chico, 70, amanhã

[Atualizado em 08/01/2015]

Em homenagem aos 70 anos de Francisco Buarque de Hollanda, amanhã, entre tantas e tudo mais, deixo aqui um capítulo do meu livro inédito encalhado Meu Boi Morreu – O último carnaval em Primavera, cujo título, O Disco da Samambaia, se refere ao LP de 1978.

Creio que o narrado, a influência cultural, literária e artística da alta música popular brasileira, possa ser comungado com leitores que, naquela quadra dos 1970, também não dispunham de muitos livros em casa e viviam em pequenas cidades do interior do Brasil sem muita oferta espiritual além das missas na matriz e quermesses.

Acrescento que o personagem do narrador, ao redor dos 17 anos, nem sonhava que mais tarde, como jornalista cultural, teria a oportunidade de entrevistar Chico por três vezes e escrever sobre seus discos e shows.

Meu Boi Morreu – O último carnaval em Primavera é do gênero ficção autobiográfica, de que muito se fala outra vez, graças ao sucesso do norueguês Karl Ove Knausgård e da série “Minha Luta”.

Aqui, um pouco mais do “Meu Boi…”

Eis o capítulo do livro, em PDF: O Disco da Samambaia.

Para ouvir o Disco da Samambaia: