Cabeça de Boi e Cachoeira (poema)

Sugerido por meu compadre P. (mesmo sem o saber) para festejar duas de nossas excursões

Para Naná

Cabeça Cachoeira3

I

Desde horas homéricas e eras de Epicuro

(Que aí cristalizou um saber)

O mundo ou o tempo

Ou como se pense tal túrbida medula

(E.g.: como figurar o presente?)

Às vezes se põe entre uma clareira

(E.g.: quando nos ausentamos)

No contínuo de outros tantos (mosaico)

Parênteses onde nos guardamos

E que oxalá nos guardem da vida baldada

(Quase tudo simulacro marcado

Nos livros de haveres e deveres cujo saldo é sal).

 

II

Na ígnea clareira o ágape

A iluminar na terra redescoberta

(da qual tantas vezes regressamos refeitos)

O verdor, a nuvem, o regato

Que se funde melodioso à maquinaria

Do Tempo (meu e seu, sem antes e depois)

(       )

Que, no entanto, ali (ó instante), entre parêntese

Compartimos, a ponto de desacatá-Lo

A ponto de celebrá-Lo em (mitológica) rebeldia

A ponto de comê-Lo e de bebê-Lo entre nós

(Já que humanamente convertemos o vinho e o pão).

 

 

 

 


 

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