Ju #41

Belo. 2 a 8/10/2020. Nº 41. Ano 2

Quando ao meio-dia se está um pouco cansado, isso faz parte do curso natural e feliz do dia. “Para estes senhores, aqui é sempre meio-dia”, disse K. para si mesmo.

Essa balbúrdia de vozes nos quartos tinha algo de extremamente alegre. Soava ora como os gritos de júbilo de crianças que se preparam para uma excursão, ora como o alvorecer num galinheiro, como a euforia de estar em plena harmonia com o dia que raiava, em alguma parte um senhor até imitou o canto de um galo.
Franz Kafka, trechos de O castelo, tradução Modesto Carone, Companhia das Letras.

“Alguns livros funcionam como uma chave para as salas desconhecidas do nosso próprio castelo”.
Anotação de Kafka citada no posfácio de Modesto Carone.

Opa! Vamos apear?  

A leitura de Kafka é intrigante de cabo a rabo. Obscuras  dobras do mundo que mal intuímos parecem receber um pouco da luz solar, ainda que as cenas noturnas de seus romances, (mal) iluminadas por velas, lampiões a querosene e débeis luzes elétricas, sejam, tantas vezes, as mais reveladoras, ou mais aparentemente reveladoras. Não é por nada ele é chamado de “o poeta de Praga” por seu tradutor.

Que personagem fascinante é este escritor, morto a um mês de completar 41 anos. Como sua obra é universal. E quantos ensaios, contos, relatos biográficos e comentários de toda sorte esse fascínio produziu?, para não falar dos diagnósticos psiquiátricos e das tentativas filosóficas e psicanalíticas de decifrar seu universo. Modesto Carone aponta a fortuna crítica do ficcionista no longínquo 1980, quando ultrapassava os dez mil títulos, “entre livros e artigos de porte”. O que permanece irredutível é a relação entre o leitor e a obra.

Tenho me valido dela, da obra kafkiana, nesses dias, para me remediar, ou melhor, refugiar da babel, da permanente orgia da frivolidade (sei das implicações e do rechaço que esta minha expressão pode sofrer, e não me sinto nada desconfortável por saber disso) e da destruição da dignidade do pensamento, no dizer de Hannah Arendt, apesar de a primavera ter entrado em inumano modo micro-ondas, o que pode derreter o gelo e a neve dos píncaros kafkianos, além de nossos miolos.

A ficção de Kafka pode nos ajudar a compreender e aceitar a realidade, mas ela nada tem de anestésica. Não nos livra do choque contra a estupidez, a indiferença ou o poder degenerado. Faz bem o contrário disso.

Vivemos a ilusão de que entendemos tudo, e de que tudo está ao alcance do nosso saber, nada mais temos a aprender, inclusive e sobretudo para educar os sentidos e, sim, valorar a beleza.

Atomizados ou tribalizados, deixamos nos encobrir pela névoa do presente e pela capa da superficialidade. O autor de A metamorfose, também por isso, nos vale por uma pedagogia literária e humanística.

Sinto que a maré do Corona, com seu, muito por baixo, um milhão de mortos empilhados, e todo o repertório da distopia em pauta, da emergência climática à derrota da razão, nada disso vai quebrar o verdadeiro isolamento social em que nos metemos.

Contra todas as evidência e apesar dos pesares, nunca fomos tão confiantes, sob as bênçãos da ciência e da “destruição criativa” — expressão do economista Joseph Schumpeter derivada daquele “tudo que é sólido desmancha no ar”, quase-slogan do Manifesto comunista) — do Vale do Silício, que é verdadeiramente destrutiva e criativa apenas segundo suas próprias finalidades.

Mas vai que tenha sido sempre assim, que sejamos os mesmos conforme alguma essência, apenas a história muda, como mudam as condições de sobrevivência. Como indivíduos, de um jeito ou de outro, sempre vai nos assombrar algum processo, a despeito de nossa pretensa inocência, a ambição de acessar algum castelo impenetrável (outro mundo, outra vida, melhor que a que temos?), e algum medo de acordar, depois de sonhos intranquilos, metamorfoseados em terríveis insetos.

Franz Kafka, 1906. Foto: domínio público

Encobrir os engasgos
É preciso “rebuçar [esconder] as rebordosas com um pouco de pândega”, escreveu Manoel Lobato. A frase salta de uma página do livro que reabro, seu Cartas na mesa – memórias (Imprensa Oficial, 2002), com autógrafo gentilíssimo e galhofeiro do autor, em linda caligrafia. Lobato se foi em julho, aos 94 anos, pelas graças do pândego Corona. Mas a frase lobatina me recorda Os Lusíadas, via Pedro Nava, sobre os navegantes exangues, alquebrados, que enfim podiam refocilar [revigorar, restaurar as forças] a lassa [exaurida, esgotada] humanidade nos portos. Os prostíbulos (fuck clubs em português corrente) estavam lá para acolher e oferecer aos nossos descobridores esse antigo e indispensável serviço humanitário.

O autógrafo galhofeiro do Manoel Lobato

Nunca mais
O corrosivo Zachariah Webb, editor da revista norte-americana The Baffler, semanalmente traz deliciosas novidades, que despacha da “linha de frente da aborrecida distopia”. Sobre a revelação que os corvos possuem alta inteligência e até algo assemelhado a uma autoconsciência, ele comenta: “Bem-vindo, corvídeos, ao inferno”. Mas, claro, Edgar Allan Poe precede, e muito, a ornitologia: “Atônito fiquei por um momento/ Ao compreender que o Corvo compreendia […] Se sois humanos, ó triste solitário!/ Dizei-me em vosso atroz vocabulário, / A verdade de tudo que grasnais!//  Mas Ele, altivo e sacudindo as plumas,/ Olha das noite as relegadas brumas/ E responde impassível: nunca mais.” [Tradução de Benedito Lopes em O corvo e suas traduções, organização Ivo Barroso, Lacerda Editores, 1988.]

A ecologia musical
CDs, que são feitos de policarbonatos (polímeros termoplásticos) fazem menos mal ao planeta que os discos de vinil (hidrocarbonetos). Mas ambos levam um banho em toxicidade do streaming e do download, que a muitos podem parecer uma tecnologia moderna e sustentável. ♪ Ilusão, ilusão, veja as coisas como elas são… ♪ Em 2016, a nova indústria da música produziu 194 mil toneladas de gases de efeito estufa, cerca de 40 milhões a mais que todas as emissões somadas dos meios de difusão existentes em 2000. Os dados estão no livro Decomposed: The Political Ecology of Music (decomposto: a ecologia política da música), de Kyle Devine, resenhado por Alex Ross na revista The New York. E a emissão de gases é apenas o começo da história. A produção de componentes para smartphones e a mineração do cobalto, usado em baterias, são associadas à exploração de trabalho escravo, infantil e à opressão de minorias étnicas. Investidores seguem a injetar dinheiro no Spotify, apesar dos contínuos prejuízos da gigante, interessados no potencial dos dados gerados por seus usuários, que são monitorados a cada toque. A música, hoje, é outra plataforma da chamada por vozes dissonantes de “vigilância em massa”, mais um tentáculo do Big Data.

Dígitos da música digital
A grande cantora brasileira Luciana Souza, que vive nos EUA, revelou recentemente ao jornalista e crítico Carlos Calado que pela média mensal de 50 mil “streams” (ou a audição de uma música por mais de 30 segundos), obtida pelos seus discos no Spotify, ela faturava 38 dólares, ou uma garrafa de vinho. Alex Ross cita Daniel Ed, CEO do Spotify, para quem o músico de hoje, para ganhar a vida, precisa do contínuo e crescente engajamento dos fãs. A atividade criativa no violão ou no piano se mistura à labuta publicitária no Instagram. Qualquer novo Tom Jobim não será nada sem os talentos acessórios de Anittas e Ludmillas para a autopromoção. Não por acaso, os hits da música pop já são bolados por inteligência artificial. Vejo grandes músicos, de longas e respeitadas carreiras, com míseras e constrangedoras audiência no YouTube e Spotify. Como jurupoco autoexilado das redes — Helahoho! helahoho! — sou plenamente solidário com essa turma. Minha expedita lista A rádio Siutônio apresenta: 1.000 canções brasileiras, que por sinal anda por 1.024 músicas e já me toma uns cinco anos de labuta e aprimoramento, tem 16 seguidores! Fiz as contas e conclui que em mais uns 350 anos atingirei o benchmark de um assinante por canção, ou estarei perto disso. Aí, sim, mamãe, farei um bruto sucesso em Quixeramobim.

A estreia de Pátria
O primeiro capítulo de Pátria, seriado em oito episódios lançado no último domingo pela HBO, me fez pensar nos limites da fidelidade de um roteiro adaptado. Comentei o ótimo e extenso romance de Fernando Aramburu na Jurupoca #8, transposto por Aitor Gabilondo para o teledrama. Me senti em casa, demasiadamente em casa, creio. As personagens das mães protagonistas, Bittori (Elena Irureta) e Miren (Ane Gabarain) são bem fidedignas. Fidedigna também é a alternância temporal entre o presente — quando o ETA anunciava um adeus às armas — e os recorrentes recortes do passado, janelas abertas para as sequelas da violência e da desagregação sofridas por duas famílias amigas separadas e marcadas pelo terror, quando se veem em lados opostos. A chuva constante também está lá, como os dias cinzentos, como o pequeno mundo fechado da província vizinha a San Sebastián. E lá está o sangue de Txato, derramado no asfalto por seu assassino e lavado na enxurrada. Mas toda essa fidelidade esbarra no mais difícil, primeiro no ritmo — ao acelerar para encurtar, o que tira profundidade, perspectiva; depois em atuações muito contidas, o que tira brilho e emoção — e tem a ver com uma direção tímida ou pouco ousada; e, para o leitor do livro, por isso mais exigente, esbarra ainda na luz, que não é, sinto muito, suficientemente filtrada nas gradação do cinza-escuro, o que fere a imaginação do espectador, e devemos cobrar isso ao fotógrafo.


Com Chico Buarque em Nina, minha canção favorita de seu álbum de 2011 pela Biscoito Fino, embora Sinhá, em parceria com João Bosco, não me encante menos nesse CD. Nina é uma valsa de lírica essencialmente buarquiana, na delicadeza e na imaginação da figura feminina. Aqui, ele decanta melancolicamente uma jovem de Moscou cuja casa pode bem ser vista em detalhes na tela (pelo Google Street View?).

A letra, que pode não ser poesia, mas é quase-poesia, certamente literatura, quem sabe outro gênero, com sugeriram poetas e letristas espanhóis reunidos pelo Babelia do El País. Só os muito empedernidos fazem questão de não notar que Chico jamais foi abandonado pelas musas, como compositor, o que fica claro, claríssimo, diante de seu verso sempre rigoroso, como em “Nina diz que fez meu mapa/ E no céu o meu destino rapta/ O seu” (vejam que astrologia e alusões mitológicas se misturam aí) ou “Nina anseia por me conhecer em breve/ Me levar para a noite de Moscou/ Sempre que esta valsa toca/ Fecho os olhos, bebo alguma vodca/ E vou”.

O arranjo de Luiz Claudio Ramos é enxuto e exato, na medida para conferir a atmosfera em tom menor que a canção demanda, e que a realiza plenamente. Ramos e o próprio Buarque fazem os violões, Jorge Helder está no baixo, João Rebouças no piano e Hugo Pilger no violoncelo; o acordeão é de Marcos Nimrichter.

Nina — Chico Buarque
 
Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou
Que nem viúva
Mas acabou, esqueceu
 
Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu
 
Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve
 
Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de Moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou

O vírus alegre, cartoon da The Spectator

Rir pra não chorar
Fascinante, diria mister Spock. Pensar que cerca de meio Brasil e meio EUA orgulhosamente se deixam embromar pela fabricação mentirosa do discurso político dos presidentes ¡Caveirão.105 mm! [105 mm, caro leitor, é o calibre de uma bala de canhão, ao qual Caveirão — por sinal também aquele carro brindado da polícia com licença para matar nas favelas — acaba de ser promovido pela Ju] e Agente Laranja (apud Spike Lee). Enquanto o primeiro falsifica a ciência e toda a realidade, o segundo se concentra, no momento, em atacar o principal fundamento da democracia, o voto. Rimos, claro, do terraplanismo e das mirabolantes teorias da conspiração, fazer o quê?, chorar é que não vamos, pois nunca choramos pelo mundo, choramos por nós. Tudo isso é mais um ingrediente da distopia que as horas nos reservaram, mas que é dose é. A longo prazo, os historiadores vão escavar as causações e o curso subterrâneo dos acontecimentos, e a longo prazo estaremos todos mortos.

facaumadoacao8-

Neva na Rioja, março de 2015. Foto: Antônio Siúves
Grogotó

Daqui a pouco virão o sol, as uvas e o vinho.
Nem é preciso crer nisso.
Nem é preciso crer na sede e na alegria.
Não é preciso crer.
Exceto se a dúvida te divide.
Aí grogotó: pobre de ti,
Quando precisas crer,
Quando queres crer,
Já não podes,
Não podes descrer.
Poema de Antônio Siúves

JURUPOCA?

Com afinco e aprumo e afeto, Jurupoca dedica-se, como pode, ao jornalismo cultural e às ideias, a selecionar e comentar conteúdos possivelmente relevantes pra você. É mais ou menos o que se entende hoje, veja você, por “curadoria”.

A Ju tem por imperativo a defesa da liberdade de expressão e do jornalismo profissional — contra as notícias fraudulentas, a dependência viciosa das redes sociais e o cárcere do extremismo ideológico.

Cada número da carta se alimenta da leitura de livros, jornais e publicações diversas em três idiomas, movida por um interesse permanente em literatura, artes, história e ciência. A carta é apartidária e repudia o autoritarismo, o obscurantismo e o atraso mental.

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O autor?

Antônio Siúves (maternidade Odete Valadares, 1961) é de virgem, coitado, e só de imaginar lhe dá vertigem. Vive no Belo e gosta de andar a pé; jornalista há 34 anos, escreveu Moral das horas, 21 poemas e Turismo cultural e literário na Europa.

Silêncio, por favor

[Coluna da Inclusive.com número 6, julho_2017.]

No começo era o Verbo e a linguagem. O fim parece ter fotos, vídeos, emoticons e kkks comungados com automatismo a roçar o simiesco.

bacon the sea

Francis Bacon, Untitled (Sea), 1953.

O título é verso de um samba de Paulinho da Viola (Para Ver as Meninas), com o qual abro e vou fechar esta coluna.

Pois “hoje eu quero apenas / uma pausa de mil compassos”.

Há muito barulho por todo lado. Um falatório diabólico obscurece o que é vital. A cacofonia de um coaxar transoceânico marca a política, a cidadania e as relações pessoais.

Palavras e metáforas desaparecem na algaravia como dejetos, de link em link, de nó em nó na teia virtual.

No começo era o Verbo e a linguagem. O fim parece ter fotos, vídeos, emoticons e kkks comungados com automatismo a roçar o simiesco. Ao menos numa parte considerável da existência, a leitura e a palavra foram corrompidas.

A telinha colorida do celular praticamente aboliu o céu e o movimento das ruas como inspiradores do pensamento.

Quem estudava os efeitos dos mass media no século passado não podia sonhar com a nova ordenação do mundo. Algoritmos (linguagem não verbal) e Big Data são minas de ouro do século 21. Por meio de aplicativos e inteligência artificial, tangem multidões de usuários — consumidores, não cidadãos — cuja participação precisa ser renovada num ciclo infinito de clicks e egotismo para que se sintam vivas no ciberespaço.

A palavra — o sopro, a luz que iluminava as consciências — se apaga. O idioma se torna impotente. Os sentimentos e as sensações se esvaziam. Os músculos da face se hipertrofiam com o exercício permanente do riso autônomo. O pensamento se encolhe.

No Brasil e no mundo, as referências vocabulares das ideias foram evisceradas. “Direita” e “esquerda” irmanam-se na idiotia.

Como demonstra George Orwell em O que É Fascismo (Cia das Letras), o xingo “fascista” é pau para toda obra; atende a todo o arco-íris ideológico.

Também as categorias da beleza perderam seu território com a invasão bárbara do relativismo e do discurso “politicamente correto”.

O desgaste da linguagem é fenômeno universal que acompanha as mudanças sociais e tecnológicas.

O esgotamento da palavra e das narrativas foi detectado ainda na segunda metade do século 19, com a reação dos pintores, poetas e romancistas do Modernismo que reinventaram sua arte.

Mais tarde é a “expulsão da literatura como influência séria sobre a percepção da vida”, no dizer de um personagem de Philip Roth, processo que termina em nossos dias, era de ouro dos millennials.

Mas agora não há qualquer sinal de reação criativa, além de prazerosa resignação.

Uma tagarelice sem fim distingue nosso tempo. A preferência assombrosa pela frivolidade ulula em todas as plataformas.

Ai, se Eu te Pego e Despacito são a trilha ideal do espírito da época.

“Talvez nossa cultura tenha se tornado esbanjadora de palavras. Talvez tenha vulgarizado ou gasto o que de garantia de percepção e valor luminoso um dia contiveram”, ponderava o filósofo e crítico literário George Steiner num ensaio dos anos 1960, uns 50 anos antes que o WhatsApp e do Facebook começassem a reger a imaginação.

Steiner se refere no mesmo livro ao “atormentado escrúpulo” de Kafka ao retornar várias vezes (nas Cartas a Milena) “à impossibilidade da manifestação adequada, ao esforço infrutífero da tarefa do escritor que é encontrar a linguagem ainda não enxovalhada, desgastada até tornar-se lugar-comum, esvaziada pelo desperdício irresponsável”. Kafka, puxa vida. Então sou o Gregor Samsa.

Cada hora de rola-páginas nas redes sociais incrementa a hiperinflação de palavras que fragiliza a linguagem. Se uma carroça de bolívares venezuelanos não compra um rolo de papel higiênico, um Amazonas diário de palavras no Facebook não produz uma ideia original.

Nem apelos à pornografia e à violência surtem mais efeito, que o diga a publicidade de rapina (“Para você curtir gigante.”)

Pois hoje eu quero apenas o bem precioso do silêncio. Mil compassos de pausa. Contra o veneno do ruído infernal, o antídoto do silêncio, anterior ao verbo. “Deve-se calar sobre aquilo de que não se pode falar”, diz a célebre frase do filósofo.

E por silêncio clama Paulinho da viola em seu lindo samba: “Quem sabe de tudo não fale / quem não sabe nada se cale / se for preciso eu repito / porque hoje eu vou fazer / ao meu jeito eu vou fazer / um samba sobre o infinito”. Que o silêncio nos resgate.