Uma pequena grande série

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Celeste (Nicole Kidman), Jane (Shailene Woodley) e Madeline (Reese Witherspoon) em Big Little Lies. Imagem da HBO

  • Os homens de Big Little Lies (HBO) oscilam entre a imbecilidade e a psicopatia. Já as crianças estão perfeitas. A minissérie é coisa de mulher. Mas o viés feminista não lhe tira a força, a graça e o frescor, ao contrário.
  • A adaptação para a TV do livro homônimo de Liane Moriarty, por David E. Kelley, tem sete episódios muito bem rodados e resolvidos.
  • Pequenas Grandes Mentiras foi lançado no Brasil pela Intrínseca.
  • A história sobre abuso sexual e neuras, que neuras!, de famílias ricas com seus casamentos e filhos é levada em luminosas locações de Monterey (Califórnia), com realismo comedido. A trilha musical faz bem seu papel.
  • Fim. O sucesso trouxe a conversa de uma segunda temporada. Seria um fracasso óbvio.
  • A mulherada dá um banho, tanto mais o núcleo formado por Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman) e Jane (Shailene Woodley).
  • O último capítulo mostra a que vieram as senhoras, com andamento, montagem e tomadas do melhor cinema americano.
  • O aparato tecnológico de Hollywood, seus melhores roteiristas e elencos migraram para a TV, não custa redizer.
  • Big Little Lies é uma pequena grande série, ou minissérie, entre as melhores já feitas.
  • Como adaptação literária, é quase tão boa quanto Olive Kitteridge. Para dar uma nota, 7,5/10.

 

[Este jornal roga ao visitante do blog que tenha considerado esta página interessante, útil ou relevante: se manifeste por meio dos botões de compartilhamento ou na área de comentário. Qualquer alô, crítica ou avaliação serão sempre muito bem-vindos. Obrigado! (04/05/2017)]

1º episódio de “The Night Of” promete bem

 

HBO Divulgação

Rizwan Ahmed no papel de Nasir Khan em “The Night Of”, minissérie da HBO em oito episódios.

 

A HBO abriu para a freguesia (na internet e no NOW), como teaser, o primeiro de oito episódios do suspense policial The Night Of, que estreia no próximo domingo.

O JS foi pego pelo pé e fisgado.

Na abertura, um inusitado noturno de Nova York.

Um drone percorre o traçado retilíneo do trânsito na madrugada, como um satélite espião capta uma terra incógnita para sua audiência. Seguem-se fragmentos quer aludem à história, inteligentemente encadeados para despertar nossa curiosidade e testar nossa atenção.

O roteiro começa por apresentar o jovem Naz, um americano de ascendência paquistanesa, seu ambiente estudantil e familiar, e, eficientemente, também sua personalidade.

Já estamos a bordo quando o enredo começa a se desenrolar dentro da noite nova-iorquina de 24 de outubro de 2014. A atmosfera é tensa e sensual.

Luciana Coelho, na Folha de S.Paulo, informa:

A narrativa sombria concebida por Richard Price (o roteirista do ótimo “Irmãos de Sangue”, de 1995), Peter Moffat e Steven Zaillian (de “A Lista de Schindler” e “Gangues de Nova York”) acompanha a investigação do assassinato de uma garota em Nova York e os meandros do sistema penal e policial americano.

O jovem ator  Rizwan Ahmed, no papel do universitário Riz Ahmed; Bill Camp, como o detetive veterano Dennis Box, e John Turturro,  na pele do advogado Jack Stone são de primeira classe e imediatamente nos despertam empatia, no seguinte sentido:

“capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.” (Houaiss).

O espectador é levado respeitosamente pela trama, como alguém capaz de observar e pensar. Como nos contos que inspiram os melhores roteiristas, sinais vão sendo plantados para estabelecer o enigma, e distinguir a série com alguma originalidade. A ver.

A montagem é ágil, mas não causa vertigem.

Oxalá a coisa não degringole em lugares-comuns intoleráveis, um perigo no gênero inflacionado de porcarias.

A promessa é excelente.