Leitura em pedaços

Os donos da cultura

“Como, então, seria cultural esse muito barulho por nada? Por dois motivos. Primeiro, porque é preciso encontrar um motivo para ser contra o governo; segundo, porque o governo, tendo muita acuidade para com a economia política, se esqueceu que, no Brasil, tudo tem um dono. E os donos da “cultura brasileira” são os artistas e intelectuais que se definem como uma classe trabalhadora pobre, destituída e, mesmo em Paris, frequentemente espoliada.”

Roberto DaMatta, no “Estadão”: “O lado cultural da cultura”

DaMatta

Das narrativas

“Para os petistas, a gravação estrelada por Romero Jucá revela que o impeachment de Dilma Rousseff não passou de um golpe de Estado com o objetivo de pôr um fim à Operação Lava Jato. O propósito escuso se somou à fraude para derrubar um governo popular e salvar os verdadeiros bandidos da cadeia, segue o raciocínio.

Obviamente, numa democracia, cada um é livre para compreender o mundo como preferir. Há quem acredite que a mulher foi criada a partir da costela de um macho e que a Lua é feita de queijo. Não se pode proibir ninguém de pensar assim nem de ensinar essas ideias a quem queira ouvi-las. Só o que se pode fazer é tentar mostrar que as narrativas mais fantasiosas não se ajustam bem ao que normalmente aceitamos como fatos.

Hélio Schwartsman, na “Folha”: “Lua de queijo”

Hélio

Querem falar de cultura a sério? Vamos pra Argentina

Alberto Manguel na Biblioteca de Borges, isto é,
Biblioteca Nacional de Buenos Aires, e o “Poema dos Dons” para esta tarde

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O escritor, tradutor e editor Alberto Manguel. Foto: albertomanguel.com

O escritor, tradutor e editor Alberto Manguel assume em meados do ano o cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, posto já ocupado por Jorge Luis Borges.

Em dezembro do ano passado, Manguel falou de Borges ao jornal argentino “Clarín”:

— Quando conheci Borges na livraria Pygmalion [onde Manguel trabalhava], em 1964, ele me convidou a participar das aulas de anglo-saxão que dava no próprio gabinete, na Biblioteca Nacional, na Rua México. Participei por um tempo e durante anos me converti em um dos que liam para ele [o autor do “Aleph” ficava cego]. Quem diria que, mais de 50 anos depois, eu iria me encontrar em sua posição. Oxalá ainda estejam lá a cadeira e o escritório que ele usava e que pertenceram a Paul Groussac [outro diretor da Biblioteca, citado por Borges no “Poema dos dons” – veja abaixo.]

Penso que Manguel, autor de “Uma História da Leitura” (1997) — uma trajetória do leitor em 6.000 anos de história — e coautor do “Dicionário de Lugares Imaginários” (ambos saíram no Brasil pela Companhia das Letras) é um dos maiores críticos literários em atividade, capaz de escrever com grande agudeza e de uma maneira completamente livre do pedregulho acadêmico. Há pouco comentei no jornal a lição de um de seus textos para o “Babelia” do “El País” em espanhol, sobre os 400 anos do nascimento de Shakespeare e Cervantes.

A ideia desta nota é de Sylvia Colombo, na Folha. Espinafrei a repórter aqui há poucos dias, mas hoje quero reconhecer a ótima matéria que ela assina na capa da “Ilustrada”.

Aos 69 anos, nascido em Buenos Aires, Manguel deixou a Argentina em 1973 e viveu no Canadá e na França. “É um dos autores argentinos com mais projeção global”, diz “O Clarín”. Atualmente, dá cursos nas universidades Columbia e de Princeton, nos EUA.

À Sylvia Colombo —sobre sua volta à capital argentina— Manguel diz algo de grande beleza e sabedoria a respeito da memória, algo de que temos consciência, mas nem sempre levamos em conta para valer:

“Voltar a Buenos Aires é estranho. Quando alguém deixa um lugar no qual aconteceram coisas importantes —no caso, minha adolescência—, esse lugar vira, na memória, um cenário que vai se modificando para acomodar as lembranças que vamos fabricando para nos consolarmos de estarmos longe.

Vamos mudando tanto essa geografia, do mesmo modo como mudamos a cara de uma pessoa que no passado amamos e já não vemos há tempos, que, quando voltamos a encontrá-la, já não a reconhecemos. Sinto que não volto para a minha Buenos Aires, mas, sim, a uma nova cidade, que devo descobrir e aprender a amar.”

Para fechar esta nota em tom maior, transcrevo meu poema favorito de Borges, seguido da tradução de Augusto de Campos, extraída de “Quase Borges” – 20 Trasnpoemas e uma Entrevista” (Musa Rara/Terracota, 2013).

POEMA DE LOS DONES

Nadie rebaje a lágrima o reproche
Esta declaración de la maestría
De Dios, que con magnífica ironía
Me dio a la vez los libros y la noche.

De esta ciudad de libros hizo dueños
A unos ojos sin luz, que sólo pueden
Leer en las bibliotecas de los sueños
Los insensatos párrafos que ceden

Las albas a su afán. En vano el día
Les prodiga sus libros infinitos,
Arduos como los arduos manuscritos
Que perecieron en Alejandría.

De hambre y de sed (narra una historia griega)
Muere un rey entre fuentes y jardines;
Yo fatigo sin rumbo los confines
De esta alta y honda biblioteca ciega.

Enciclopedias, atlas, el Oriente
Y el Occidente, siglos, dinastías,
Símbolos, cosmos y cosmogonías
Brindan los muros, pero inútilmente.

Lento en mi sombra, la penumbra hueca
Exploro con el báculo indeciso,
Yo, que me figuraba el Paraíso
Bajo la especie de una biblioteca.

Algo, que ciertamente no se nombra
Con la palabra azar, rige estas cosas;
Otro ya recibió en otras borrosas
Tardes los muchos libros y la sombra.

Al errar por las lentas galerías
Suelo sentir con vago horror sagrado
Que soy el otro, el muerto, que habrá dado
Los mismos pasos en los mismos días.

¿Cuál de los dos escribe este poema
De un yo plural y de una sola sombra?
¿Qué importa la palabra que me nombra
Si es indiviso y uno el anatema?

Groussac o Borges, miro este querido
Mundo que se deforma y que se apaga
En una pálida ceniza vaga
Que se parece al sueño y al olvido.

POEMA DOS DONS

Ninguém rebaixe a lágrima ou censura
Esta declaração da maestria
De Deus, que com magnífica ironia
Me deu mil livros e uma noite escura.

Desta terra de livros fez senhores
A olhos sem luz, que apenas se concedem
Sonhar com bibliotecas e com cores
De insensatos parágrafos que cedem

As manhãs ao seu fim. Em vão o dia
Lhes oferta seus livros infinitos,
Árduos como e esses árduos manuscritos
Que pereceram em Alexandria.

De fome e sede (narra a história grega)
Morre um rei entre fontes e jardins;
Eu erro sem cessar pelos confins
Dessa alta e funda biblioteca cega.

[Enciclopédias, atlas, o Oriente
E o Ocidente, eras, dinastias,
Símbolos, cosmos e cosmogonias
Brindam os muros, mas inutilmente.

Lento nas sombras, a penumbra e o nada
Exploro com o báculo indeciso,
Eu, que me figurava o Paraíso
Como uma biblioteca refinada.

Algo, que nomear ninguém se atreva
Com a palavra acaso, arma os eventos;
Outro já recebeu noutros cinzentos
Ocasos os mil livros e esta treva.

Ao errar pelas lentas galerias
Chego a sentir com vago horror sagrado
Que sou o outro, o morto, tendo dado
Os mesmos passos pelos mesmos dias.

Qual de nós dois escreve este poema
De um eu plural e de uma mesma mente?
Que importa o verbo que me faz presente
Se é uno e indivisível o dilema?

Groussac ou Borges, olho este querido
Mundo que se deforma e que se apaga
Em uma pálida poeira vaga
Que se parece ao sonho e ao olvido.

Outro recado da doutora Suzana

A neurocientista dá notícias do andamento de seu trabalho
nos Estados Unidos, e outra lição aos brasileiros

Trecho doutora Suzana

A ciência brasileira perdeu para uma universidade americana a neurocientista
Suzana Herculano-Houzel, todo mundo sabe isso.

Este jornal deu duas notas sobre o episódio, ao comentar uma entrevista da pesquisadora e sua carta de despedida publicada na revista “Piauí”, quase ninguém sabe disso.

A doutora Suzana foi buscar quem lhe quisesse, o país perdeu o trabalho de uma estrela valorizada mundialmente e o bonde da ciência brasileira anda onde sempre andou: na rabeira do atraso.

Mas há mais que isso no fato.

Com elegância e serenidade, Suzana Carvalho Herculano-Houzel expôs a dimensão assustadora do prejuízo que a ineficiência estrutural de nossas instituições acadêmicas e o corporativismo — infiltrado pela militância sindical ideológica— impõem ao país.

Sua coluna de hoje na “Folha”, “Ciência eficiente”, pode ser lida como uma suíte, no dizer em jargão, um desdobramento à “carta de despedida”, tomando por este significado o mencionado artigo da “Piauí”.

Aí vão alguns trechos, com ênfases do jornal.

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A doutora Suzana Herculano-Houzel. Foto: Wikipedia

“Ah, como é bom poder fazer meu trabalho. Minha nova casa, a Universidade Vanderbilt, é uma universidade particular nos EUA, e como tal pode ser administrada como qualquer empresa preocupada com eficiência. Isso significa que pessoas treinadas em administração fazem seu trabalho de administrar, e pessoas treinadas em pesquisa podem fazer seu trabalho de pesquisar.

“Deveria parecer óbvio, mas os 14 anos que passei na UFRJ e a experiência compartilhada por inúmeros colegas mostram que esse não é o caso nas universidades públicas do Brasil, nossos centros de excelência em pesquisa. Nelas, cientistas perdem tempo tendo que improvisar nas funções de administrador, agente de compras e viagem, contador, técnico em informática, eletricista e o que mais for necessário.

(…)

Ao contrário, em poucos dias na Vanderbilt, já conto com o apoio de uma pessoa que cuida de compras (basta eu enviar um link do produto desejado), outra que gerencia meus fundos para pesquisa (e sabe o quanto eu gastei por meio do responsável pelas compras), mais uma que resolve tudo relacionado a TI (e providenciou um IP fixo para um computador no dia seguinte). Temos um sistema on-line de reembolso de pequenas despesas e uma agência de viagens à disposição.

Em meu instituto na UFRJ, levei meses para conseguir um IP fixo – que foi desconfigurado semanas depois. Uma tentativa de montar um serviço de contabilidade que fizesse nossas prestações de contas deu por água por conta da tentativa do instituto de cobrar uma porcentagem do valor dos auxílios administrados, o que as agências de fomento não autorizam. Eu era tratada como ladra quando tinha que provar na Faperj que havia de fato viajado a trabalho, apresentando um sem-fim de comprovantes.

“(…) aqui nos EUA universidades públicas como a da Califórnia dão o exemplo. Claro que a impossibilidade de punir ou desligar funcionários ineficientes no sistema brasileiro não ajuda.”
(…)

“Piauí” digital na “Folha”

Ou: por que não dá para passar sem a revista de João Moreira Salles

 
Desde ontem, o site da “Piauí” tem endereço novo; trocou o “Estadão” pela “Folha”.

Ganha vários pontos a “Folha” digital e o “Estadão” perde ainda mais.

Como crítico do jornalismo, tenho marcado a revista sob pressão, com a isenção de um espectador com cadeira cativa na primeira fila.

Acompanho desde o primeiro número a aventura de João Moreira Salles — que se aproxima de seu 10º aniversário — para emplacar no Brasil uma publicação inspirada na “The New Yorker” — filé intelectual da elite americana.

“Piauí” se mantém sem concorrência e, de certa forma, prega no deserto a que chegamos com a crise da imprensa e do jornalismo cultural, onde não há quem não tenha entregado a rapadura ao pop e ao gosto juvenil.

É coisa de um artista visionário e obra de um empresário disposto e capaz de remar com as contas no vermelho o tempo que for preciso. É do mesmo grupo a ótima revista de ensaios trimestral “Serrote” e a revista de fotografia “Zum”.

Como na publicação na qual se mira, na “Piauí” repórteres têm vários meses para se dedicar a uma pauta, paga-se bem (ou já não bem), valoriza-se a alta cultura, há espaço para poesia e a não ficção, para o cartoon e o humor e seus editores buscam se afinar com leitores bem informados e que não se sentem satisfeito com o que não é superior à média.

Como na “The New Yorker”, mais especificamente a seção “Esquina” (que já foi seu ponto alto) — inspirada no “The Talk of the Town” (algo como “o assunto do dia”) — mantém os textos curtos de alta qualidade abrindo cada edição.

A revista decai com frequência e se desequilibra na tentativa de mostrar-se equidistante — uma missão impossível, como se pode constatar ao ler sua divertida seção de cartas — na política radicalizada do país nos últimos tempos, com a catástrofe do lulopetismo. Em muitas edições, traz como peça de resistência um artigo licenciado e traduzido, claro, da “The New Yorker”.

Mas é o que temos de melhor.

Em seus 116 números saíram grandes, reveladoras e dedicadas reportagens que podem entrar para uma antologia da revista — e certamente haverá algum livro no prelo — como a “A Vitória das Moscas”, de Rafael Cariello, sobre a Operação Mãos Limas, na revista deste mês, comentada pelo jornal e aberta no novo site. Se você não tem o hábito de lê-la ou ainda não leu, aproveite.

Quem não cedeu à era da trivialidade da civilização do espetáculo, à infantilização das indústria cultural, à vulgaridade dos realities shows, ao lixo de celebridades, não trocou a literatura pelo aprendizado de comida e vinho, enfim, quem gosta de ler o que é sério e tem medula e osso e dá valor às nossas pobres cacholas, não pode passar sem ela.

O “GloboNews em Pauta” vai mal das pernas

Para minha surpresa, ambos se disseram impedidos
ou incapazes para falar sobre a decisão do STF quanto à “pílula do câncer” ,
como se estivessem  em uma sabatina escolar
e pudessem refugar diante da tomada do ponto

GloboNews em pauta

O “GloboNews em Pauta” não anda bem das pernas.  E nunca andou, creio.

Mais uma vez, constatei, com sincero pesar, o mau preparo e a superficialidade do time de comentaristas da casa para debater certos assuntos colocados, especialmente os de ciência e medicina — uma deficiência geral na imprensa brasileira, diga-se de passagem.

Na edição de ontem, seus analistas, sempre muito indulgentes, autorreferentes e excessivamente predispostos ao politicamente correto se mostram descabidamente ineptos.

Uma das pautas era a decisão do STF de acatar liminar da Associação Médica Brasileira contrária à liberação da fosfoetanolamina sintética, a popular “pílula do câncer”.

Dada a notícia — muito mal, sem esclarecer a decisão dos ministros e seus argumentos —, o apresentador Sérgio Aguiar passa a bola para Elisabete Pinheiro (uma jornalista cultural sempre concessiva aos produtos de massa sem qualidade) e depois para Gerson Camarotti (excelente jornalista político).

Para minha surpresa, ambos se disseram impedidos ou incapazes para falar sobre o tema, como se estivessem em uma sabatina escolar e pudessem refugar diante da tomada do ponto.

Não que se esperasse deles uma opinião contra ou a favor ao uso do remédio ou à decisão do STF. O tema é muito sensível  e todos sabemos disso.

Mas os dois tinham obrigação de terem feito a lição de casa para explicar à audiência o que está em jogo quando o caso é debatido. É compromisso rudimentar de um jornalista.

O fato de um ser especialista em política e outra em cultura não quer dizer nada no mundo atual, em que tudo se conecta com tudo.

Havia que ser dito o que não pode ser desconsiderado por quem espera entender o problema, o distinto público.

Que o controle de medicamentos é estabelecido por padrões científicos.

Que a medicina e a farmacologia se submetem ao método científico.

Que um novo medicamento, antes de chegar à farmácia, está sujeito a provas de laboratório, testes em cobaias, testes com humanos e, por fim, análise e aprovação da autoridade competente.

Que é isso que nos dá segurança quando procuramos um médico e cumprimos suas prescrições.

Que, por meio do método científico, a pesquisa e a tecnologia médicas têm contribuído para elevar continuamente a expectativa de vida no mundo inteiro.

Que tal fato é irrecorrível e deve ser respeitado.

Que fugir disso é temerário e pode causar danos e sofrimentos a pacientes e seus familiares.

Que o legislador que propôs a lei liberando a fosfoetanolamina e que a presidente de República que a chancelou — num gesto demagógico em seus últimos dias de poder — agiram irresponsavelmente, contrariando as instituições médicas.

Que a aprovação de tal lei nos rebaixou no mundo civilizado.

É o que Beth e Camarotti deveriam ter dito, com as próprias palavras.

Volta, Dori. Alivia esta barra pesada

Depois de 23 anos nos EUA, Dori Caymmi pensa em voltar a viver no Brasil. Tem um disco novo com músicas para uma peça de Mario Lago que havia sido censurada. O tema é a Revolta dos Alfaiates e o enforcamento dos líderes do movimento, em Salvador, no ano de 1799.

A notícia é do “Estadão”.

Que brisa fresca sopra esta manhã quando leio a respeito de Dori na atmosfera rarefeita do debate sobre o MinC.

O país vive uma crise criativa que é mais severa e profunda que a da política. O mal-estar que provoca é ainda mais opressivo.

Mas a burocracia, o interesse vil da militância política e o grande interesse da pecúnia cultural convertem o país — sem a menor reação crítica na imprensa — em uma imensa e tediosa paróquia.

Dori Caymmi não tem nada a ver com isso. Sua causa é a verdadeira arte, a música elaborada com refinamento e autenticidade.

Tenho o CD “Contemporâneos”, de 2002, na conta da melhor suma, por suas mãos, da grandeza da música popular brasileira desde sempre.

Lá me esperam, ao menos uma vez por mês, doze faixas arranjadas para destacar o violão de Dori com timbres e harmonias que se reconhecem como uma fita de DNA da progênie de Dorival.

Caetano, Chico, Danilo e Nana Caymmi, Edu Lobo e Renato Braz cantam no disco com Dori.

Sua audição inspira uma hora de júbilo e sossego.

A faixa inicial, com melhor versão já feita de “Coisas do Mundo, Minha Nega”, de Paulinho da Viola, já impõe a ideia geral do artista, no nível do sublime.

Segue-se uma seleção de alta qualidade que inclui Chico (“Januária”), Caetano (“Sampa”), Milton e Brant (“Ponta de Areia”) e Chico e Edu Lobo (“Choro Bandito”).

Hoje o tenho à mão no Spotify, mas prefiro o CD.

Quando perdi minha primeira cópia, dos tempos do “Magazine”, há alguns anos, tive que escarafunchar a internet até encontrar uma última unidade disponível em uma loja de Seattle.

Eis um trecho de sua boa conversa no “Estadão”  com o jornalista Júlio Maria.

Pergunta – Nana diz que você foi a pessoas que a acolheu…”
Dori Caymmi — Ela sofreu. Papai tinha um lado muito machista, preferia que ninguém fosse artista em casa. Quando ela voltou da Venezuela e se separou, meus pais acharam um absurdo. Para ela, foi um sofrimento muito grande. Nelson Motta queria a Elis Regina cantando Saveiros (de Dori e Motta) e eu queria a Nana. E eu ganhei. Mas ela sofreu, eu coloquei o tom muito alto e ela teve de esganiçar muito. Nana é a minha cantora favorita. Minhas quatro favoritas são Nana, Bethânia, Elis e Clara Nunes. A Gal tem um estilo um pouco mais afetado, mas esse outro pessoal vem com o útero nas mãos. Sobretudo a Nana e a Bethânia.”