Os 13/21 poemas já publicados

“21 Poemas”, minha segunda coletânea do gênero, a primeira é o “Moral das Horas” (Manduruvá, 2013), vem sendo publicada apenas neste blog ou, como tenho dito, gavetário aberto ao tico-tico no fubá de leitores interessados. Abaixo, estão os links para os 13 poemas que já saíram aqui, entre 23 de novembro e 18 último. Com três exceções, nas quais reproduzi fotografias do amigo basco José Fontán, mesmo (ainda) sem o consentimento dele, as páginas são ilustradas com telas de Mark Rothko, o pintor da segunda metade do século 20 que tenho mais alinhado ao espírito, ao menos espírito enquanto devoção à arte.

Footing no Face [1/21]

Olive Kitteridge [2/21]

Trivial idade [3/21]

Galícia [4/21]

Faíscas [5/21]

Meios (Das análises) [6/21]

Saberes [7/21]

Soneto anticlimático [8/21]

Acará deus [9/21]

Fisterra (a menina dos olhos cega) [10/21]

Canto amarelo [11/21]

Andar [12/21]

Arrudário [13/21]

À parte o 21, este livro, vamos dizer, “blogário”, “interné(au)tico” ou simplesmente online, neste final de 2015 deixei aqui o Egon Jumenteu, poema que pode ser lido como síntese do que acho justo e necessário dizer da vida ou espécie de vida que se vive na era das redes sociais, tema destacado em ambas as coletâneas deste blogueiro.

A publicação do 21 se concluirá em começos do ano entrante.

Aos leitores, feliz Ano Novo.

O link para o livro completo pode ser visto aqui.

Atualizado em 31/01/2015.

Soneto anticlimático

Ainda há uma grande árvore à vista, 
Cuja solidão a Lua, não o sol, desvela,
Ao elevar-se plena e deitar à favela
O excesso adiposo que nos conquista.

Tímida, a estrela ao lado tremelicava, 
Vi desde minha janela, amargamente,
A fria pulsação ondular até o batente
Contra o vapor de sódio que a sugava.

Sob lençóis de linho me guardava
Da cidade torpe ao redor do asfalto,
Até tornar à vigília em sobressalto;
Num pesadelo na estufa do quarto, 
Beijara-me na boca selenita fatal,
Atroz criatura do aquecimento global.
[8/ "21 Poemas", de Antônio Siúves — 2015]

Mark Rothko nº 14, 1960

Um Mark Rothko (Nº 14, 1960)

Um memorial de Pedro Leopoldo e um berro do boi morto

Estive ontem em Pedro Leopoldo, cidade onde vivi a era do janelão aberto para o mundo. Assim defino a travessia dos 17 aos 25 anos por aí. Envelhecemos e tal janelão vai se fechar até virar fresta e vitral opaco, antes da escuridão.

Revi amigos queridos, familiares e autografei o “Moral das Horas” (Manduruvá Edições Especiais). Falei a um seleto auditório sobre a minha Pedro Leopoldo, uma cidade que, hoje, como a Itabira de CDA, é um retrato na parede. Mas como dói! Dói, mas ainda é minha aldeia, onde corre o ribeirão que não é menos belo que o ribeirão que se derrama no Tejo.

Dediquei o lançamento — promovido pela produtora Le Petit Poete, do bravo Caetano Vasconcelos — à memória de Pedro Nava, que suicidou há 30 anos na noite passada, com um tiro na têmpora, em uma praça do bairro da Glória, no Rio de Janeiro.

Também falei do “Meu Boi Morreu – Cantos de Primavera”, livro inédito¹ que cedo ou tarde sairá. Debalde, seus originais já percorreram o circuitão editorial do Eixo Rio-Sumpa. Não será, portanto, o conglomerado Penguin-Companhia das Letras a publicá-lo. Em PL, pude ler um trechinho:

Quem a mascarada enorme que me arrastava pela mão à ilha-mesa no meio do asfalto? Ana Grande, Anão? Tentava, debalde, descobrir, mas ouvia apenas hãhãs. Lembro que na mesinha da Ouro Branco figuravam Dom Pintarroxo, Tibanha e sua irmã professorinha, Perpéia, de quem num instante eu recompunha os contornos a que tivera acesso em outro Carnaval. Livro-me das sereias que me cantavam amarrando-me ao rabo do Boi e deparo a audiência no alpendre da elegante dama Efigênia Mutamba, baronesa de Matozinhos, ao lado de filhas e genros, distinta platéia assentada em suas cadeiras ovais com assento tecidas em nylon verde-bexiga. Avanço rumo à margem contrária, onde vislumbro uma nesga do Quelesmão com o bocal da fronha ensopado de birita mas já me encontro preso a outro cordão, à porta do Açougue do Expedicionário A Chã de Dentro; e sou levado por quem? Marta Gorda, só pode, que me conduz de viés ao claro aberto pelo Boi, nessa altura ferocíssimo, salteando generoso ao repartir marradas, investindo contra toda sorte de alma de vaca inepta para perceber a natureza do que se passava naquele noite, em confrontar o milagre dionisíaco que se operava em Primavera naquele ato derradeiro. Bem feito.

Meu boi morto berrou ontem à noite em Pedro Leopoldo, Vivinho da Silva.

Impecável noite friorenta. Agradeço muitíssimo ao Caetano e às pessoas que estiveram no simpático auditório da Câmara Municipal.

(¹) “Meu Boi Morreu – Cantos de Primavera” é memória ficcional, gênero no qual a massa da vida é (re)passada através do filtro fino da imaginação. Nele, conto um desfile mitológico do Boi da Manta, toda gala e glória de um Enterro do Boi, em que os episódios são modulados por relatos sobre personagens do lugar. Também é, a um tempo, uma despedida do Carnaval, da adolescência e da própria cidade.

 

Atualizado na manhã solar de quinta-feira, 15 de maio de 2014.

 

Lançamento em PL

No próximo dia 13, terça-feira, por iniciativa do promotor cultural Caetano Vasconcelos, o “Moral das Horas” será lançado em Pedro Leopoldo, às 19h30, na Câmara Municipal, como diz o convite aí.

Devo ler alguns poemas e apresentar o livro.

Talvez leia também um trechinho do inédito “Meu Boi Morreu”, memórias ficcionais que correm justamente na cidade.
Convite PL cidade.

Minha entrevista ao Imagem da Palavra

Entrevista a Guga Barros, apresentadora e editora do programa da Rede Minas. O assunto é o lançamento da coletânea “Moral das Horas”, poesia, imprensa cultural e tal. A despeito do péssimo jeito do entrevistado, sempre sério e nervoso, Guga conseguiu encadernar a conversa, creio, bem, pouco importa… Mas não deu para sair as referências que fiz (penso ter feito) a alguns dos “meus outros” de que se fala durante a prosa, meus diletos para sempre Kao Martins (no começo do começo no “Diário de Minas”), Roberto Mendonça (amigo, irmão, editor), Paulo Francis (più profondo del mio cuore que Gay Talase).

Para ver a segunda parte, aperte aqui.

(Atualizado em 21/03/2014, às 15h12.)

Onde encontrar o livro

capa

O livro  “Moral das Horas”, lançado pela Manduruvá Edições Especiais, pode ser encontrado nas seguintes livrarias, em Belo Horizonte:

Atualizado em 30/1/2014.