Viver e ser feliz, quem pode?

Wilde

Ponho o quadrado aqui, roubado do “La Repubblica” no Feis, só pelo prazer de voltar um instante ao italiano, a língua falada no paraíso, como prova Dante Alighieri, mas idioma oficial também do inferno e purgatório.

A frase de Oscar Wilde, que todo mundo conhece e até neste jornal já saiu, fica assim em português, em uma tradução livre: “Para ser feliz é preciso viver.  Mas viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”

Já para Vinicius de Moraes, “é melhor viver do que ser feliz”, como diz o verso de “Só me Fez Bem”, música dele e Edu Lobo.

E o próprio Wilde disse: “A vida é uma coisa muito importante para ser discutida a sério”.

 

“Doutor, acha que foi a salsicha?”

Últimas palavras e outros ditos sobre a vida e a morte

Helgel last word

João Pereira Coutinho se diz fascinado com as últimas palavras (“pregar partidas”, em Lisboa) ditas pelos grandes deste mundo, antes de abotoarem o paletó:

“Mas, entre os ‘involuntários’ [frasistas capazes de manter o bom humor até último instante, ainda que de maneira inconsciente], confesso certo fascínio pelo escritor Paul Claudel (“Doutor, acha que foi da salsicha?”); Hegel para o seu discípulo dileto (“Só tu me compreendeste… E mesmo assim percebeste tudo errado”); e até Hitler, Deus me perdoe, que terá declarado no bunker, antes de rebentar com os miolos: “Ser bom não compensa”.

Eu também tenho minhas frases favoritas, ou detestáveis, no caso de Stalin, sobre a existência. Eis algumas:

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas penas existe.
Oscar Wilde

Ali jaz ele, vestido de cipreste e recebendo a fina flor dos vermes.
Dorothy Parker

A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística.
Joseph Stalin

[Desmentindo a notícia de sua morte] As notícias a respeito de minha morte têm sido bastante exageradas.
Mark Twain

Para fechar, alguns epitáfios [frases ditas por quem, ainda vivo, gostaria de vê-las gravadas em seus túmulos, debaixo do “Aqui jaz”. Todos aí, por sinal, já bateram a caçoleta.]:

E agora, vão rir de quê?
Chico Anysio

Preferia estar vivo, nem que fosse em Filadélfia.
W.C. Fields

Aqui, ó.
Ivan Lessa

Absolutamente contra a vontade.
Miéle

Fonte: “O Melhor do Mau Humor”, edição e tradução de Ruy Castro, Companhia das Letras, 1990.