1º episódio de “The Night Of” promete bem

 

HBO Divulgação

Rizwan Ahmed no papel de Nasir Khan em “The Night Of”, minissérie da HBO em oito episódios.

 

A HBO abriu para a freguesia (na internet e no NOW), como teaser, o primeiro de oito episódios do suspense policial The Night Of, que estreia no próximo domingo.

O JS foi pego pelo pé e fisgado.

Na abertura, um inusitado noturno de Nova York.

Um drone percorre o traçado retilíneo do trânsito na madrugada, como um satélite espião capta uma terra incógnita para sua audiência. Seguem-se fragmentos quer aludem à história, inteligentemente encadeados para despertar nossa curiosidade e testar nossa atenção.

O roteiro começa por apresentar o jovem Naz, um americano de ascendência paquistanesa, seu ambiente estudantil e familiar, e, eficientemente, também sua personalidade.

Já estamos a bordo quando o enredo começa a se desenrolar dentro da noite nova-iorquina de 24 de outubro de 2014. A atmosfera é tensa e sensual.

Luciana Coelho, na Folha de S.Paulo, informa:

A narrativa sombria concebida por Richard Price (o roteirista do ótimo “Irmãos de Sangue”, de 1995), Peter Moffat e Steven Zaillian (de “A Lista de Schindler” e “Gangues de Nova York”) acompanha a investigação do assassinato de uma garota em Nova York e os meandros do sistema penal e policial americano.

O jovem ator  Rizwan Ahmed, no papel do universitário Riz Ahmed; Bill Camp, como o detetive veterano Dennis Box, e John Turturro,  na pele do advogado Jack Stone são de primeira classe e imediatamente nos despertam empatia, no seguinte sentido:

“capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.” (Houaiss).

O espectador é levado respeitosamente pela trama, como alguém capaz de observar e pensar. Como nos contos que inspiram os melhores roteiristas, sinais vão sendo plantados para estabelecer o enigma, e distinguir a série com alguma originalidade. A ver.

A montagem é ágil, mas não causa vertigem.

Oxalá a coisa não degringole em lugares-comuns intoleráveis, um perigo no gênero inflacionado de porcarias.

A promessa é excelente.

 

 

 

 

“Better Call Saul” engrena na 2ª

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Uma beleza o elogio de Francine Prose no “The New York Review of Books” a “Better Call Saul”. A “prequência”, no português infame também da Netflix (“prequela” é ainda pior), de “Breaking Bad” pegou voo próprio na segunda temporada, “mais forte, engraçada e focada que a primeira”.

A série está longe de ser o prato requentado servido a fãs com uma variação de temperos, comum no menu dos “spinoffs”, julga a escritora.

À parte sua originalidade, diz Prose, o desempenho de primeira linha dos atores, a qualidade dos diálogos, roteiros e da edição de imagens, o que faz o seriado ser tão bom é uma relação afetuosa com os personagens e o pendor humano conferido a tipos angustiados, enérgicos, nunca unidimensionais.

Bob Odenkirk (“Slippin’ Jimmy”, Jimmy Lisura ou algo assim, o herói da série antes de se converter em Saul Godman, o advogado defensor de magnatas do tráfico) cresce a cada episódio. Seu embate moral com o irmão Chuck (Michael McKean) tem fumos de boa tragédia e nos leva muitas vezes a reavaliar ideias e juízos instantâneos.

Prose encanta-se especialmente com a advogada meio amiga meio namorada de Jimmy, Kim Wexler (Rhea Seehorn): “Ela nos lembra mais uma pessoa conhecida que um personagem de TV”, compara, favoravelmente à psique atrofiada imposta a atores de séries como “The Good Wife”.

Um artigo sobre “Better Call Saul” no “NYRB”, suprassumo da inteligência literária nos EUA e uma referência mundial, atesta a qualidade do gênero. A telessérie, diz o que já é lugar-comum, absorveu grande parte do talento que servia Hollywood.  Há um excelente documentário de Martin Scorsese, “O Argumento de 50 Anos”, sobre a história da revista, disponível na HBO pelo serviço NET/Now.

Em um dos episódios da segunda temporada, Jimmy conta a melhor piada que conheço sobre o tema. Sabe o que um advogado e um espermatozoide têm em comum? Uma chance em três milhões de se tornarem um ser humano.