Sambinha

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Por que estas duas se escondiam de mim?

Duerme Negrito

Sambinha

 

Não perca ainda este “Moriarty Isabella and I will do “The Missing live 2/3” in Shakespeare Company”, uma graça. Total!

E você, navegante, que chegou a este cantinho, sugiro uma visita à Shakespeare and Company em Paris e que conheça a bela história dessa livraria, se for o caso.

Inverno no Rio com Aylan no colo. Vejo Francis, leio Nooteboom, procuro Ferreira Gullar. História sem vida

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rio frioPreso no túnel de Botafogo, observo faixas de luz vermelho e verde na abóbada. Penso no Natal neste começo de setembro frio, esta tarde. O mar em Copacabana parecia mais distante de manhã, lá pela linha do cinza que recurva o horizonte para além da areia encardida. É quinta-feira, dizia o jornal de manhã; era quinta-feira quando havia a página de Paulo Francis, a preencher o dia, a consolar a inteligência, a confortar o caráter de quem lia. Mas tudo é tão diverso, mas tudo é tão igual, mas tudo é tão sem nexo e sem música agora, penso, seco por dentro. Tenho Dia de Finados na bolsa de pano azul com tiras em roxo e um personagem de Cees Nooteboom diz a outro: — Onde alguém lê jornal, você lê história, leio no café da República do Peru. Para você um jornal vira logo mármore, eu acho. O que é um absurdo! E assim você simplesmente se esquece de viver. Sabedor de que a vida não tem explicação, cruzei antes a Duvivier desde o Copa. Não vi o poeta Gullar. Alhures, Ferreirão, no dizer do Roberto, receberá outro prêmio, outra carimbada oficial merecida. Mas, não, não era isso. Fecho o livro e a caderneta. Hoje uma única e outra e mesma praia do mundo convoca o olhar de quem enxerga um palmo à frente do nariz. Na praia turca, o pequeno Aylan jaz desde sempre nos braços paternos de um guarda. Porque hoje é quinta-feira e estou no Rio de Janeiro, alheio, meio perturbado. A alienação, como a impotência, como o acaso, é imune à inflação cósmica, desde o Big Bang.